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Dia Internacional contra a Homofobia










Ativistas querem aprovação imediata da lei que pune aqueles que discriminarem lésbicas, gays, bissexuais e transexuais


16/05/2011 - 18h25

Apesar da preocupação do governo, observa-se nos últimos meses o recrudescimento da violência homofóbica em todos os Estados. Chama a atenção o fato de que muitos dos agressores não pertencem a gangs, mas são jovens de classe média, o que demonstra como a homofobia está amplamente difundida em toda a sociedade.

Dados reunidos pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), por exemplo, mostram que os assassinatos de homossexuais, travestis e lésbicas aumentaram 31,3% em 2010, em relação ao ano anterior, com 260 casos, ante 198 em 2009. Segundo o antropólogo Luiz Mott, fundador do GGB, o Brasil é o campeão mundial de crimes homofóbicos.

Em nota divulgada nesta semana, a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) ressalta que a homofobia não afeta apenas esse segmento da sociedade. “Ela diz respeito também ao tipo de sociedade que queremos construir. O Brasil só será um país democrático de fato se incorporar todas as pessoas à cidadania plena, sem nenhum tipo de discriminação”, diz o documento.

A associação convoca os ativistas de suas 237 ONGs afiliadas para a II Marcha Nacional contra a Homofobia. A manifestação será em Brasília nesta quarta-feira, 18 de maio, a partir das 9h, na Esplanada dos Ministérios, e terá como enfoque a aprovação imediata do PLC 122 que prevê punir aqueles que descriminarem pessoas em decorrência da sua raça, cor, etnia, religião, origem, condição de pessoa idosa ou com deficiência, gênero, sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.

“Vamos aproveitar a data para dar também um grande abraço (hetero e homo) afetivo em volta do STF e soprar para fazer os ventos que façam as luzes do STF atravessar a rua e chegar até o Congresso Nacional”, ressalta o Presidente da ABGLT, Toni Reis.

Há cerca de dez dias, o Supremo Tribunal Federal decidiu que não pode haver diferenças legais entre casais homossexuais e heterossexuais. Com os mesmos direitos, casais gays podem registrar em cartório sua união estável e ter direito à adoção e outros benefícios.

Homofobia prejudica prevenção do HIV

Desde o inicio do enfrentamento da aids no Brasil, o estigma imposto especialmente aos gays, travestis e transexuais transformou-se em grande desafio a ser superado para que medidas preventivas e de cuidados pudessem ser adotadas.

Eduardo Barbosa, Diretor-adjunto do Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, reforça que garantir direitos e deveres, principalmente nesses grupos, entre os quais a epidemia ainda hoje apresenta grande concentração (de cada 100 mil pessoas, 19,4 têm aids; de cada 100 mil gays, 226,5 têm a doença) é mais um passo para o alcance dessas populações.

“As parcerias entre as organizações sociais e o governo são fundamentais para a ampliação do acesso e ações efetivas que gerem confiança e adesão da população às ações de prevenção, diagnóstico e tratamento desses agravos”, ressalta Eduardo.

Segundo ele, as bandeiras LGBT fazem parte da maioria das políticas ministeriais. “É o reconhecimento de que os malefícios da ´homolesbotransfobia´ somente podem ser combatidos por meio de ações transversais que envolvam todas as áreas do governo.”

Em 2004, o Departamento de Aids colaborou na construção do programa “Brasil sem Homofobia”, coordenado pela Secretaria Direitos Humanos (SDH). A partir daí, deu-se início ao Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT e à criação da Política Nacional de Saúde Integral de LGBT, em que as medidas preventivas às DST/aids se encontram incluídas.

Redação da Agência de Notícias da Aids

Dica de Entrevista

ABGLT
Toni Reis
Tel.: (41) 9602-8906
E-mail: presidencia@abglt.org.br

Grupo Gay da Bahia - Tel.: (0XX71) 3322-2552

Departamento de Aids - Tel. assessoria de imprensa: (0XX61) 3306 7051/7033

Jovens homossexuais têm mais chances de se suicidarem















19 de abril de 2011 (Bibliomed). Uma nova pesquisa desenvolvida na Universidade Columbia (EUA) sugere que um ambiente social negativo está associado ao aumento de risco de suicídio entre jovens lésbicas, gays ou bissexuais (LGB).

“Quando comunidades apóiam seus jovens gays, e escolas adotam políticas anti-bullying e anti-discriminação que especificamente protegem a juventude lésbica, gay e bissexual, os riscos de tentativa de suicídio entre todos os jovens diminuem, especialmente para a juventude LGB”, explica Mark L. Hatzenbuehler, um dos autores da pesquisa.

A pesquisa analisou dados de aproximadamente 32.000 estudantes americanos. Os jovens LGB que participaram do estudo mostraram ter cinco vezes mais probabilidades de tentarem o suicídio do que os heterossexuais. Mas o ambiente onde essas pessoas vivem é determinante para essa estatística. Em locais que prestavam maior apoio à comunidade LGB, os riscos de suicídio entre esses jovens diminuía em 25%, quando comparados a jovens que vivem em locais que não prestam esse auxílio.

Nos Estados Unidos, o suicídio é a terceira causa mais frequente de morte entre pessoas de 15 a 24 anos. Porém as taxas de suicídio entre jovens LGB são significativamente maiores do que entre jovens heterossexuais.

Os autores da pesquisa acreditam que suas descobertas podem ajudar educadores, pais e profissionais da saúde a encontrarem formas de evitar o suicídio entre jovens LGB. Eles acreditam também que a pesquisa mostra que muitas comunidades e escolas estão seguindo o caminho oposto, favorecendo a intolerância e o preconceito. “Este estudo mostra que a criação de ambientes em escolas que são bons para a juventude gay pode levar a melhores resultados de saúde para todos os jovens”, completa Hatzenbuehler.

Fonte: EurekAlert! 18 de abril de 2011

http://boasaude.uol.com.br/news/index.cfm?news_id=9069&mode=browse

Vale tudo: Homossexualidade na antiguidade














Na Antiguidade, ninguém saía dizendo por aí que fulano era gay, mesmo que fosse. Por milhares de anos, o amor entre iguais era tão comum que não existia nem o conceito de homossexualidade.




A união civil entre pessoas do mesmo sexo pode parecer algo bastante recente, coisa de gente moderna. Apenas em 1989 a Dinamarca abraçou a causa – foi o primeiro país a fazer isso. Hoje, o casamento gay está amparado na lei de 21 nações. Essa marcha, porém, de nova não tem nada. Sua história retoma um tempo em que não havia necessidade de distinguir o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo – para os povos antigos, o conceito de homossexualidade simplesmente não existia.
As tribos das ilhas de Nova Guiné, Fiji e Salomão, no oceano Pacífico, cerca de 10 mil anos atrás já exercitavam algumas formas de homossexualidade ritual. Os melanésios acreditavam que o conhecimento sagrado só poderia ser transmitido por meio do coito entre duplas do mesmo sexo. No rito, um homem travestido representava um espírito dotado de grande alegria – e seus trejeitos não eram muito diferentes dos de um show de drag queens atual.
Um dos mais antigos e importantes conjuntos de leis do mundo, elaborado pelo imperador Hammurabi na antiga Mesopotâmia em cerca de 1750 a.C., contém alguns privilégios que deveriam ser dados aos prostitutos e às prostitutas que participavam dos cultos religiosos. Eles eram sagrados e tinham relações com os homens devotos dentro dos templos da Mesopotâmia, Fenícia, Egito, Sicília e Índia, entre outros lugares. Herdeiras do Código de Hammurabi, as leis hititas chegam a reconhecer uniões entre pessoas do mesmo sexo. E olha que isso foi há mais de 3 mil anos.
Na Grécia e na Roma da Antiguidade, era absolutamente normal um homem mais velho ter relações sexuais com um mais jovem. O filósofo grego Sócrates (469-399), adepto do amor homossexual, pregava que o coito anal era a melhor forma de inspiração – e o sexo heterossexual, por sua vez, servia apenas para procriar. Para a educação dos jovens atenienses, esperava-se que os adolescentes aceitassem a amizade e os laços de amor com homens mais velhos, para absorver suas virtudes e seus conhecimentos de filosofia. Após os 12 anos, desde que o garoto concordasse, transformava-se em um parceiro passivo até por volta dos 18 anos, com a aprovação de sua família. Normalmente, aos 25 tornava-se um homem – e aí esperava-se que assumisse o papel ativo.
Entre os romanos, os ideais amorosos eram equivalentes aos dos gregos. A pederastia (relação entre um homem adulto e um rapaz mais jovem) era encarada como um sentimento puro. No entanto, se a ordem fosse subvertida e um homem mais velho mantivesse relações sexuais com outro, estava estabelecida sua desgraça – os adultos passivos eram encarados com desprezo por toda a sociedade, a ponto de o sujeito ser impedido de exercer cargos públicos.
Boa parte do modo como os povos da Antiguidade encaravam o amor entre pessoas do mesmo sexo pode ser explicada – ou, ao menos, entendida – se levarmos em conta suas crenças. Na mitologia grega, romana ou entre os deuses hindus e babilônios, por exemplo, a homossexualidade existia. Muitos deuses antigos não têm sexo definido. Alguns, como o popularíssimo hindu Ganesh, da fortuna, teriam até mesmo nascido de uma relação entre duas divindades femininas. Não é nada difícil perceber que, na Antiguidade, o sexo não tinha como objetivo exclusivo a procriação. Isso começou a mudar, porém, com o advento do cristianismo.
Sexo para procriar
O judaísmo já pregava que as relações sexuais tinham como único fim a máxima exigida por Deus: “Crescei e multiplicai-vos”. Até o início do século 4, essa idéia, porém, ficou restrita à comunidade judaica e aos poucos cristãos que existiam. Nessa época, o imperador romano Constantino converteu-se à fé cristã – e, na seqüência, o cristianismo tornou-se obrigatório no maior império do mundo. Como o sexo passou a ser encarado apenas como forma de gerar filhos, a homossexualidade virou algo antinatural. Data de 390, do reinado de Teodósio, o Grande, o primeiro registro de um castigo corporal aplicado em gays.
O primeiro texto de lei proibindo sem reservas a homossexualidade foi promulgado mais tarde, em 533, pelo imperador cristão Justiniano. Ele vinculou todas as relações homossexuais ao adultério – para o qual se previa a pena de morte. Mais tarde, em 538 e 544, outras leis obrigavam os homossexuais a arrepender-se de seus pecados e fazer penitência. O nascimento e a expansão do islamismo, a partir do século 7, junto com a força cristã, reforçaram a teoria do sexo para procriação.
Durante muito tempo, até meados do século 14, no entanto, embora a fé condenasse os prazeres da carne, na prática os costumes permaneciam os mesmos. A Igreja viu-se, a partir daí, diante de uma série de crises. Os católicos assistiram horrorizados à conversão ao protestantismo de diversas pessoas após a Reforma de Lutero. E, com o humanismo renascentista, os valores clássicos – e, assim, o gosto dos antigos pela forma masculina – voltaram à tona. Pintores, escritores, dramaturgos e poetas celebravam o amor entre homens. Além disso, entre a nobreza, que costumava ditar moda, a homossexualidade sempre correu solta. E, o mais importante, sem censura alguma – ficaram notórios os casos homossexuais de monarcas como o inglês Ricardo Coração de Leão (1157-1199).
No curto intervalo entre 1347 e 1351, a peste negra assolou a Europa e matou 25 milhões de pessoas. Como ninguém sabia a causa da doença, a especulação ultrapassava os limites da saúde pública e alcançava os costumes. O “pecado” em que viviam os homens passou a ser apontado como a causa dela e de diversas outras catástrofes, como fomes e guerras. Judeus, hereges e sodomitas tornaram-se a causa dos males da sociedade. Não havia outra solução a não ser a erradicação desses grupos. Medidas enérgicas foram tomadas. Em Florença, por exemplo, a sodomia foi proibida em 1432, com a criação dos Ufficiali di Notte (agentes da noite). O resultado? Setenta anos de perseguição aos homens que mantinham relações com outros. Entre 1432 e 1502, mais de 17 mil foram incriminados e 3 mil condenados por sodomia, numa população de 40 mil habitantes.
Leis duras foram estabelecidas em vários outros países europeus. Na Inglaterra, o século 19 começou com o enforcamento de vários cidadãos acusados de sodomia. E, entre 1800 e 1834, 80 homens foram mortos. Apenas em 1861 o país aboliu a pena de morte para os atos de sodomia, substituindo-a por uma pena de dez anos de trabalhos forçados.
Ciência maluca
Outro tratamento nada usual foi destinado tanto à homossexualidade quanto à ninfomania feminina: a lobotomia. Desenvolvida pelo neurocirurgião português António Egas Moniz, que chegou a ganhar o prêmio Nobel de Medicina de 1949 por isso, ela consistia em uma técnica cirúrgica que cortava um pedaço do cérebro dos doentes psiquiátricos, mais precisamente nervos do córtex pré-frontal. Na Suécia, 3 mil gays foram lobotomizados. Na Dinamarca, 3500 – a última cirurgia foi em 1981. Nos Estados Unidos, cidadãos portadores de “disfunções sexuais” lobotomizados chegaram às dezenas de milhares. O tratamento médico era empregado porque a homossexualidade passou a ser vista como uma doença, uma espécie de defeito genético.
A preocupação científica com os gays começou no século 19. A expressão “homossexual” foi criada em 1848, pelo psicólogo alemão Karoly Maria Benkert. Sua definição para o termo: “Além do impulso sexual normal dos homens e das mulheres, a natureza, do seu modo soberano, dotou à nascença certos indivíduos masculinos e femininos do impulso homossexual(...). Esse impulso cria de antemão uma aversão direta ao sexo oposto”. Em 1897, o inglês Havelock Ellis publicou o primeiro livro médico sobre homossexualismo em inglês, Sexual Inversion (“Inversão sexual”, inédito no Brasil). Como muitos da época, ele defendia a idéia de que a homossexualidade era congênita e hereditária. A opinião científica, médica e psiquiátrica vigente era de que a homossexualidade era uma doença resultante de anormalidade genética associada a problemas mentais na família. A teoria, junto das idéias emergentes sobre pureza racial e eugenismo nos anos 1930, torna fácil entender por que a lobotomia foi indicada para os homossexuais.
A situação só começou a mudar no fim do século passado, quando a discussão passou a se libertar de estigmas. Em 1979, a Associação Americana de Psiquiatria finalmente tirou a homossexualidade de sua lista oficial de doenças mentais. Na mesma época, o advento da aids teve um resultado ambíguo para os homossexuais. Embora tenha ressuscitado o preconceito, já que a doença foi associada aos gays a princípio, também fez com que muitos deles viessem à tona, sem medo de mostrar a cara, para reivindicar seus direitos. Durante os anos 80 e 90, a maioria dos países desenvolvidos descriminalizou a homossexualidade e proibiu a discriminação contra gays e lésbicas. Em 2004, o Supremo Tribunal dos Estados Unidos invalidou todas as leis estaduais que ainda proibiam a sodomia.
“Em toda a história e em todo o mundo a homossexualidade tem sido um componente da vida humana”, escreveu William Naphy, diretor do colégio de Teologia, História e Filosofia da Universidade de Aberdeen, Reino Unido, em Born to Be Gay – História da Homossexualidade. “Nesse sentido, não pode ser considerada antinatural ou anormal. Não há dúvida de que a homossexualidade é e sempre foi menos comum do que a heterossexualidade. No entanto, a homossexualidade é claramente uma característica muito real da espécie humana.” Para muitos, ainda hoje sair do armário continua sendo uma questão de tempo. As portas, no entanto, vêm sendo abertas desde a Antiguidade.

Este armário não te pertence
Personalidades que não escondiam suas preferências
O que tinham em comum pessoas como os imperadores Adriano e Nero, o filósofo Sócrates, o artista e inventor Leonardo da Vinci? Todos eles mantiveram relações sexuais com pessoas do mesmo sexo. A homossexualidade experimentou ao longo da história da humanidade diversos altos e baixos. De comportamento absolutamente natural, passou a ser “pecado” e até a ser crime. Aqui, algumas histórias de personalidades que amaram seus iguais.
Alexandre, o Grande
O conquistador Alexandre, o Grande (356-323 a.C.), também foi conquistado. Seu amante era Hefastião, seu braço direito e ocupante de um importante posto no Exército. Quando ele morreu de febre, na volta de uma campanha na Índia, Alexandre caiu em desespero: ficou sem comer e beber por vários dias. Mandou proporcionar a seu amado um funeral majestoso: os preparativos foram tantos que a cerimônia só pôde ser realizada seis meses depois da morte. Alexandre fez questão de dirigir a carruagem fúnebre, decretando luto oficial em seu reino.
Júlio César
O romano Suetônio escreveu em seu As Vidas dos Doze Césares, livro do século 2, sobre os hábitos dos governantes do fim da república e do começo do Império Romano. Dos 12, só um deles, Cláudio, nunca teve relações homossexuais. O mais famoso, Júlio César (100-44 a.C.), teve aos 19 anos um relacionamento com o rei Nicomedes – César era o passivo. Entre todos os romanos, os mais excêntricos foram Calígula (12-41 d.C.) e Nero (37-68). O primeiro obrigava súditos a beijar seu pênis. O segundo teve dois maridos e manteve relações com a própria mãe.
Maria Antonieta
Segundo William Naphy no livro Born to Be Gay, havia um “reconhecimento generalizado da bissexualidade” da rainha da França Maria Antonieta (1755-1793). O escritor inglês Heste Thrale-Piozzi escreveu, em 1789, que a monarca encontrava-se “à cabeça de um grupo de monstros que se conhecem uns aos outros por safistas” – ou seja, lésbicas.
Ricardo Coração de Leão
As aventuras homossexuais do rei inglês Ricardo I (1157-1199) eram notórias na época. Um de seus casos, quando ele ainda era duque de Aquitânia, foi com outro nobre, Filipe II, rei da França. Uma crônica da época afirma: “Comiam os dois todos os dias à mesma mesa e do mesmo prato, e à noite as suas camas não os separavam. E o rei da França amava-o como à própria alma”. Outros monarcas europeus, como Henrique III da França (1551-1589) e Jaime IV da Escócia e I da Inglaterra (1566-1625), também tiveram vários amantes do mesmo sexo.
Oscar Wilde
O dramaturgo inglês (1854-1900) casou-se e teve dois filhos, mas também teve vários casos com homens. A relação mais marcante foi com o lorde Alfred Douglas, com quem mantinha o hábito de procurar jovens operários para o sexo. O pai do amante, o marquês de Queensberry, acusou Wilde de ser sodomita. O escritor processou o nobre por difamação – e arruinou-se. Foram três julgamentos, e o marquês juntara provas de sodomia contra ele. Wilde foi condenado a dois anos de trabalhos forçados. Na prisão, definhou – e morreu pouco tempo após deixar a cadeia.

Amor na ilha de Lesbos
Há muito pouco registro do lesbianismo até o século 18
O historiador romano Plutarco dizia, no século 1, que na cidade grega de Esparta todas as melhores mulheres amavam garotas. Apesar disso, há muito pouco registro sobre o lesbianismo até pelo menos o século 18. Os termos “lesbianismo” e “lésbica”, aliás, têm origem na ilha grega de Lesbos, no mar Egeu, local de nascimento da poetisa Safo (610-580 a.C.) – seu nome originou a palavra “safismo”. Embora os livros de Safo tenham sido queimados por ordem de Gregório de Nazianzus, bispo de Constantinopla, cerca de 200 fragmentos resistiram ao tempo e ao cristianismo. Os poemas revelam uma paixão exuberante ao amor feminino, o que faz crer que a autora tenha partilhado desse sentimento. É impossível, no entanto, afirmar se a autora realmente amou as mulheres que enaltece em seus poemas – ou se era apenas uma questão de estilo. Um dos primeiros códigos legais a fazer menção ao homossexualismo feminino é um francês de 1270. Ele estabelecia que o homem que mantivesse relação homossexual deveria ser castrado e, se reincidente, morto. E também que uma mulher que tivesse relações com outra mulher perderia o “membro” se fosse pega. Que “membro” seria cortado, porém, o código não especifica.
Saiba mais
Livros
Born to Be Gay – História da Homossexualidade, William Naphy, Edições 70, 2006
No livro, o autor faz um profundo estudo da homossexualidade desde a Antiguidade.


por Humberto Rodrigues e Cláudia de Castro Lima

A historia da homossexualidade
















Neste Post reunimos alguns fatos históricos sobre a homossexualidade e a sua omissão nas aulas de História...

12000 – A.C. França

A caverna paleolítica de George D’enfer, em Dordonha conserva pinturas e artefatos homo-eróticos. Entre os exemplares encontrados destaca-se um dildo duplo supostamente utilizado em relações sexuais entre mulheres.


5000 – A.C. Itália

A rocha mesolitica de Addara, na Sicília sugere uma representação homo-erótica, onde homens e mulheres dançam ao redor de duas figuras masculinas com ereção

2750 - A.C. Suméria

Um poeta desconhecido escreve a mais antiga epopeia conhecida, conta a historia de amor do Rei Gilgamesh da cidade Uruk (que deu origem ao Iraque) e do seu amado Enkidu.


2400 – A.C. Egito

Na 5ª dinastia do império egípcio, os cabeleireiros da grande casa, Nyankh Khnom e Khom Hotep, são o mais antigo casal egípcio do mesmo sexo conhecido.


Os seus nomes conjugados significam “Juntos na vida, juntos na morte”
Esta inscrição esta no seu túmulo junto das pirâmides. Foram também retratados numa pintura onde insinua-se um beijo homossexual entre homens.

1300 A.C. Grécia

O herói Aquiles e o seu amado Pátroclo teriam sido companheiros na guerra de Tróia
Quando Pátroclo morre, é vingado por Aquiles.
Quando Aquiles morre, é enterrado junto com Pátroclo.

945 A.C. Israel

Samuel teria registrado no 9º livro da Bíblia a historia do Rei David e seu amado Jonatas;

“A alma de Jonatas ligou-se a de David e Jonatas amou-o como à sua própria alma “
David lançou-se sobre o rosto de Jonatas e beijaram-se um ao outro e choraram ambos”
“Angustiado estou por ti, Jonatas. Muito querido me eras.
Maravilhoso me era o teu amor, ultrapassando o amor das mulheres."



630 – A.C. Grécia

A homossexualidade é banal na Grécia Antiga, onde os casais do mesmo sexo partilham a casa e a convivência das relações estáveis e duradouras.
A homossexualidade influenciou no esporte, literatura, politica, filosofia, as varias formas de arte e a comunidade em geral, contribuindo para um florescimento cultural

600 – A.C. Grécia

A poetisa Safo, da ilha de lesbos, escreve obras acerca do amor entre mulheres
Origem da palavra “lesbicas”



594 – A.C. Grécia

Sólon , homem do estado, legislador e poeta lírico de Atenas; manteve romance com Pisistrato na adolescencia;
Acredita-se que as suas divergências politicas seriam devidas à tensão sexual entre os dois.

514 – A.C. Grécia

Harmodios e Aristogeiton foram o casal de guerreiros mártires que libertou Atenas da tirania de Hiparco.
São um símbolo da democracia por serem oriundos de classes sociais diferentes e mártires da liberdade.
Ficaram conhecidos como os libertadores de Atenas.

378 A.C. Grécia

Invencível durante 40 anos, o batalhão sagrado da ilha de Tebas era composto exclusivamente por 150 casais homossexuais

336 A.C. Grécia

Alexandre “o grande” e o seu amado companheiro de vida e de batalhas, Hefestião (Ambos alunos de Aristóteles) expandem largamente o império da Macedónia.

80 A.C. Itália

Aos 20 anos, o ditador Romano Júlio César e Nicomedes IV, o rei da Bitinia (Turquia) foram amantes.

27 A.C. Itália

Augusto, o primeiro imperador romano, reconhece oficialmente os primeiros casamentos entre casais do mesmo sexo.

A homossexualidade também existe no mundo animal


















A homossexualidade também existe no mundo dos animais "irracionais"
Há casos de homossexualidade por quase todo o reino animal. Como pode ser visto no texto, os animais são muito mais civilizados que os seres humanos. A raça humana tem muito o que aprender com eles!
A seguir umas lista feita pelo site Folha sobre algumas das espécies notoriamente adeptas de interações entre indivíduos do mesmo sexo. Veja o que os biólogos já sabem sobre cada uma:

QUINTO LUGAR: PEIXES-MEXERICA (Etroplus maculatus)


Esse pequeno peixe laranja, original de algumas regiões da Ásia mas hoje facilmente encontrado em lojas e aquários pelo mundo, é bissexual porque não sabe diferenciar bem machos e fêmeas.

Não se trata, nesse caso, portanto, exatamente de uma adaptação evolutiva, mas de um fruto de uma limitação de reconhecimento da espécie.

Os dois sexos realmente são muito parecidos, e por isso aquaristas com frequência têm dificuldade para saber qual o sexo dos indivíduos que estão colocando juntos.

Entre os biólogos interessados no assunto, a espécie ficou famosa pela semelhança entre machos e fêmeas -- entre os peixe-mexerica, portanto, ninguém é de ninguém.

QUARTO LUGAR: CISNES-NEGROS (Cygnus atratus)


O cisne-negro macho, além de bastante monogâmico, é gay com frequência. Cerca de 25% deles escolhem outros machos para serem seus parceiros, e os animais ficam anos e anos juntos.

Casais gays, claro, têm um problema reprodutivo sério. Por isso, membros de casais de machos têm relações com fêmeas. Mas, assim que ela põe os ovos, os dois machos colocam a coitada para correr e, cheios de amor, cuidam juntos dos ovos. Em outros casos, os animais simplesmente roubam os ninhos de casais heterossexuais e adotam os seus ovos.
Os cientistas suspeitam que, quando os dois cisnes gays somam as suas forças, conseguem defender melhor seu território, mesmo em comparação com casais héteros. Resultado disso é que, em média, "filhos" de casais gays têm mais chances de sobreviver.

TERCEIRO LUGAR: GOLFINHOS (Tursiops truncatus)
O golfinho-comum, também conhecido como golfinho-nariz-de-garrafa, ficou famoso por causa do Flipper, da série de televisão. Os telespectadores não tinham ideia, porém, das coisas que o simpático golfinho fazia quando as câmeras estavam desligadas.

Isso porque, em média, esses animais mantêm o mesmo número de relações hétero e homossexuais -- a grande maioria dos indivíduos é bissexual, e alguns passam por longos períodos de exclusividade homossexual. O tal nariz de garrafa é utilizado para estimular a área genital dos colegas.

Duradouras alianças têm interações homossexuais como alicerce. A amizade, portanto, é fortelecida com carícias entre diferentes machos, por exemplo.

SEGUNDO LUGAR: BISÕES AMERICANOS (Bison bison)

Se os outros animais fazem sexo homossexual por amizade ou carinho, os bisões americanos fazem por um motivo, digamos, mais macho: montam nos seus pares para reforçar a hierarquia. Entre eles, concluíram os cientistas, sexo anal está altamente relacionado à dominação. Os bisões-alfa, portanto, não perdoam os colegas com menos status.

Um animal monta no outro com agressividade. Como eles podem chegar a dois metros de altura e quase uma tonelada, há bastante brutalidade na cena. Interações entre as fêmeas, porém, são mais raras.

Outro fator que estimula o comportamento homossexual na espécie, de acordo com Bagemihl, é a falta de opção. Se o acesso às fêmeas é difícil (e elas só estão disponíveis para o acasalamento uma vez por ano), sobra para um outro macho desprevenido que estiver por perto. Com menor frequência, há casos homossexuais registrados na literatura entre bovinos domesticados, que são primos dos bisões.

PRIMEIRO LUGAR: BONOBOS (Pan paniscus)

Para os Bonobos não é falta de opção. Muito menos engano. O primeiro lugar é deles porque esses animais levam a ideia de amor livre a sério. Exceto pelas substâncias alucinógenas e pela trilha sonora de The Who, eles fazem das terras onde vivem, na República Democrática do Congo, uma espécie de Woodstock animal -- muito pouco agressivos, os bonobos, não à toa, são conhecidos como "macacos hippies".

Sexo é parte da vida dos bonobos como em nenhuma outra espécie de primatas. Eles fazem sexo para resolver conflitos, para pedir desculpas, como forma de congratulação e, claro, na maioria das vezes só por prazer mesmo. Nas palavras do grande primatologista Frans de Waal, os bonobos fazem tanto sexo que uma hora até cansa ficar observando seu comportamento.

Tanto os machos quanto as fêmeas se envolvem em sexo homossexual, mas elas se destacam. Passam boa parte do dia se estimulando, e sexo oral é extremamente comum. Com um clitóris bem maior do que a das humanas, atingem o orgasmo com extrema facilidade. E não perdem uma oportunidade: "Uma fêmea pulou nos meus ombos, envolveu minha cabeça nos seus braços e tentou puxá-la para o seu clitóris. Eu não deixei", diz Vanessa Woods, cientista que trabalhou com a espécie.


-Segundo nosso queridissimo Pastor Silas Malafaia, todos os homossexuais vão para o “inferno”..

E agora , será que esses bichinhos vão pro "inferno" também?


SITE STOP HOMOFOBIA

Marcelo Tas mostra foto de filha homossexual e diz ter orgulho dela














Em resposta às recentes declarações do deputado Jair Bolsonaro que mostrou-se preconceituoso em relaçãos aos homossexuais, o apresentador do CQC, Marcelo Tas, nitidamente nervoso com a situação, mostrou uma foto de sua filha Luiza mora e estuda nos Estados Unidos, dizendo-se orgulhoso de sua filha, independentemente da orientação sexual dela.

Tas salientou que devemos respeitar a liberdade de opinião e aprender a conviver com as diferenças, mas foi inteligente (e pai) ao não permitir que opiniões como a de Bolsonaro, que ultrapassam os limites do respeito ao próximo, ganhassem uma voz maior do que a sua.

"O deputado mostrou uma foto de uma pessoa para justificar que não é racista. Eu gostaria de mostrar pro senhor, deputado Bolsonaro, uma foto, para que o senhor soubesse o seguinte: essa pessoa que está aqui comigo se chama Luiza, é minha filha, ela estuda Direito. Essa foto foi feita em Washington, onde ela vive hoje, ela ganhou uma bolsa pra ser bolsista da American University, é estagiária da OEA, da Organização dos Estados Americanos, ela é gay e eu tenho muito orgulho de ser pai da Luiza. Tá certo deputado?", disse Tas.

Parabéns para Marcelo Tas, para sua filha Luiza e para o ultimo CQC que brincou de maneira sadia com o assunto, levantou a discussão nas redes sociais e certamente será assunto nas rodinhas de amigos nesta terça-feira. Só dialogando nos entenderemos.

A Homossexualidade explicada por um Livro Infantil

















Esta é uma historia infantil ilustrada
que explica a homossexualidade para crianças - e talvez para adultos também
se todas as escolas deste pais abordassem mais o assunto
a ignorancia, o preconceito e a intolerancia seria menor.

30 ideias para ajudar a causa LGBT












1) Por mais que existam piadas, comentários, opiniões e até religiões reforçando o preconceito e a homofobia e tentando esculhambar os homossexuais, lembre-se de que a sua orientação sexual não vale menos do que as demais, nem é motivo de vergonha. Você não é melhor ou pior do que os outros (muito menos sujo, pecador, culpado ou doente) por ser homo, bi ou heterossexual. Sua sexualidade é apenas mais um detalhe sobre você, assim como a cor dos seus olhos.

2) Sair do armário pode ter um custo na vida pessoal que deve ser avaliado. Mas também pode trazer benefícios. O fim das mentiras é sempre um alívio. Vencido o estranhamento inicial, suas relações ficam mais próximas, profundas e autênticas, com parentes e amigos gostando de quem você é de verdade. Além disso, você faz sua parte para que a sociedade assimile melhor a diversidade, ao mostrar a ela referências diferentes dos estereótipos. Pense nisso e tome sua decisão, no momento oportuno e para as pessoas que julgar adequado (você não precisa dividir sua intimidade com todo mundo).

3) Dê apoio àquele(a) amigo(a) que saiu ou foi retirado(a) do armário. Mesmo se foi uma decisão precipitada ou as conseqüências foram desastrosas, jamais lamente ou critique. Um e-mail, um telefonema, um convite para um café (ou, em casos extremos, uma mãozinha para conseguir um novo lar ou um novo emprego), são boas maneiras de ajudar.

4) Não tenha medo de andar de mãos dadas, beijar e fazer as mesmas carícias que outros casais podem trocar em locais públicos. Ninguém tem o direito de pedir que você pare de fazer aquilo que é permitido aos demais. Expressar seu carinho não significa agredir ninguém e você não precisa ficar constrangido por isso.

5) Da próxima vez que você ouvir uma piada escrota ou um comentário maldoso contra homossexuais, não finja que acha natural, muito menos engraçado. Avalie quem são seus interlocutores e, se você achar que vale a pena, mostre que essas visões são fundadas em preconceitos e ideias inadequadas. Muitas vezes, o problema é de falta de informação (o que também vale para quem fala em “homossexualismo” e “opção sexual”). Você pode ajudar a mudar a mentalidade sem se tornar um patrulheiro chato.

6) Não semeie o preconceito interno. Você pode preferir alguns estilos, tribos ou grupos, com quem tem mais afinidade. Mas isso não lhe torna melhor do que os “afeminados” (ou as “masculinizadas”), pobres, nordestinos, negros ou gordos, nem lhe dá o direito de desprezá-los ou humilhá-los. Não faz sentido gays falarem mal de travestis, travestis falarem mal de lésbicas, lésbicas falarem mal de gays...
7) Exerça seu poder de consumidor. Boicote produtos e serviços oferecidos por empresas com posturas homofóbicas ou propagandas preconceituosas. O mesmo vale para programas de TV que ridicularizam homossexuais. Por outro lado, prestigie estabelecimentos que simpatizem com a causa – mas tente diferenciar os que são genuinamente friendly daqueles que não passam de oportunistas de plantão.

8) Você viu alguém levando um “coió”, sofrendo violência física? Chame a polícia imediatamente. Seja solidário e preste todo tipo de socorro à vítima que estiver ao seu alcance, sem se colocar em perigo. E testemunhe em favor do ofendido, caso ele decida prestar queixa. Pesquisas apontam que boa parte dos LGBTs que sofrem violência não relata o ocorrido a ninguém. Mas denunciar é a única maneira de atacar o problema e combater a impunidade.

9) Se você sofrer preconceito, discriminação e/ou violência em razão da sua sexualidade em qualquer lugar público, não se cale: denuncie. Quem está em São Paulo conta com o apoio da Lei Estadual nº 10.948 e não precisa expor sua identidade. Pesquise se na sua cidade ou estado há leis contra a discriminação, ou mesmo órgãos e delegacias especializados. Mesmo se não houver, o Ministério Público está em todo lugar e pode ajudar. Existem ONGs que podem ajudá-lo no contato com as autoridades.

10) Sofreu perseguições, humilhações, foi despedido por conta da sua orientação sexual? Reúna provas e testemunhas (ambas são indispensáveis!), procure um advogado e corra atrás dos seus direitos. Para quem não tem condições financeiras de bancar um advogado, a Defensoria Pública presta assistência jurídica gratuita e tem defensores especializados em LGBTs. O processo judicial levará tempo, mas a vitória proporcionará a reparação dos danos e ainda servirá de exemplo – para quem sofre processar, e para quem persegue pensar duas vezes.

11) Quando você se deparar com um site ou qualquer outra manifestação homofóbica na internet, denuncie à SaferNet. Faça o mesmo quando encontrar algo sexista, racista ou preconceituoso contra qualquer outra população.

12) Leia jornais e/ou assista ao noticiário na TV. Mantenha-se informado sobre o que acontece na sua cidade, no seu país, no mundo - e não apenas no meio gay.

13) Procure conhecer a história dos políticos em quem você pensa em votar. Você pode escolher candidatos mais comprometidos com os interesses da causa LGBT – e ajudar a evitar que outros militem contra nós e fechem portas importantes. Mas não vote em alguém só porque ele é homossexual ou aproveita para fazer palanque nas manifestações e depois some.

14) Saiba quais são os projetos de lei de interesse LGBT que aguardam votação: o que eles preveem e como eles podem mudar a sua vida.

15) Acompanhe a atuação dos parlamentares em quem você votou no que se refere às ações contra a homofobia. Pesquise se eles integram a Frente Parlamentar pela Cidadania GLBT. Comunique-se com deputados ou senadores e cobre deles apoio aos projetos e compromisso com a cidadania LGBT.



16) Registre seu apoio ao PLC 122 (que criminaliza atitudes homofóbicas em todo o território nacional) através do Alô Senado, um serviço telefônico que permite que cidadãos se manifestem sobre iniciativas em trâmite no Congresso. Basta ligar para 0800 61 22 11 e pedir que senadores do seu Estado, em especial aqueles que fazem parte da Comissão de Assuntos Sociais, votem pela aprovação do projeto. Se você não sabe quem são os senadores do seu Estado, a telefonista poderá informar. A operadora vai solicitar dados pessoais, mas não se preocupe: isso é apenas para evitar que uma mesma pessoa faça várias ligações. É seguro e gratuito. O mesmo pode ser feito por meio do site.

17) Manifeste suas convicções para o mundo. Pode ser abrindo um blog, com temas de interesse político de LGBT, ou mesmo escrevendo uma carta a uma revista de grande circulação ou ao jornal da sua cidade. Opiniões favoráveis aos nossos direitos precisam ser ouvidas pela sociedade.

18) Colabore com pesquisas sobre LGBT, seja sobre saúde, direitos, violência ou qualquer outro tema. Para que as autoridades tracem políticas públicas, elas precisam conhecer melhor nossa população.

19) Considere a ideia de fazer algum tipo de trabalho voluntário. Há muitos segmentos que precisam de ajuda, dentro e fora do universo LGBT.

20) Existem muitas ONGs organizadas para defender interesses da população LGBT. Tenha um pouco de curiosidade e disposição e procure conhecê-las. Informe-se sobre os projetos, divulgue suas campanhas, atividades e iniciativas. Nós listamos algumas delas na barra lateral deste blog.

21) Preste ajuda financeira a ONGs, casas de apoio ou iniciativas pró-LGBT cujo trabalho você conheça. Para conseguir mais doações, faça um jantar ou festa e peça aos amigos para trazerem dinheiro, no lugar do presente. Se você tem uma boate, bar ou similar, uma maneira de colaborar é escolher um dia por ano e destinar uma parte da renda que faturar.

22) Pense também em outras formas de auxílio material, além de dinheiro. Casas de apoio recebem doações de roupas, móveis, utensílios e até produtos de limpeza. Ou a cesta básica que você recebe no trabalho e não utiliza. Ou aquele computador velho que você encostou quando comprou um mais moderno.

23) Ofereça-se para traduzir textos dos sites de instituições pró-LGBT para o inglês, o espanhol, francês ou outras línguas que você conheça. Você não precisa sair de casa, não gasta nada e faz um trabalho que custa caro para a maioria das entidades.

24) Colabore oferecendo algumas horas semanais do seu trabalho. Conforme o seu ramo de atividade, você pode prestar assessoria jurídica a uma ONG, ou atendimento psicológico a pacientes convivendo com o vírus HIV/AIDS, ou desenvolver quaisquer outros trabalhos na sua especialidade. Seja criativo e pense em como aproveitar sua formação para colaborar com a causa.

25) Se você é homem, relaciona-se com outros homens e não contraiu o vírus HIV, ofereça-se para participar do IPrEx. É uma pesquisa em escala global para testar um medicamento usado no tratamento de soropositivos e descobrir se ele é eficaz para evitar o contágio. O estudo é conduzido pelo Hospital das Clínicas (São Paulo) e pelo Instituto de Pesquisa Evandro Chagas da Fiocruz (Rio de Janeiro). Outras pesquisas sobre vacinas e medicamentos devem ser implementadas até a obtenção de resultados no combate ao HIV. Todas merecem sua atenção.

26) Sexo seguro é uma opção pessoal, cuja responsabilidade é de cada um. Não se baseie em aparências ou presunções – elas enganam. A decisão de abrir mão do preservativo em um relacionamento precisa ser muito bem pensada pelos dois parceiros, e nenhum deles deve pressionar o outro na negociação. Se você fez esse pacto e depois se expôs a uma situação de risco, não deixe tudo como está: reintroduza o sexo seguro na relação, faça os exames e repita-os após 3 meses e 6 meses. Não exponha o parceiro que confiou a saúde a você.

27) Busque informações sobre todas as doenças sexualmente transmissíveis. Não se preocupe apenas com o HIV e a AIDS. Há outras DSTs cujo contágio se dá com muito mais facilidade, sem necessidade de troca de fluidos entre os parceiros. Conheça os sintomas internos e externos e lembre-se de que prevenir é bem melhor do que remediar. Por essa mesma razão, fazer exames sorológicos periodicamente (sobretudo de HIV e hepatites) também é uma boa ideia. Não existe vacina para a hepatite C, mas, para a A e para a B, sim. Em alguns casos, essas vacinas são disponibilizadas gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

28) Vai sair para fazer uma pegação básica? Ande com algumas camisinhas a mais no bolso, e distribua para os colegas que necessitarem. Qualquer posto de saúde fornece preservativos gratuitamente. Saunas também.

29) Foi flagrado fazendo pegação em um parque, banheiro ou qualquer outro lugar público? Você deve saber que cometeu uma infração. Mas esse delito é considerado como de menor potencial ofensivo. Pelo caminho correto, você será conduzido à delegacia (jamais mantido em cárcere privado numa “salinha da segurança”, muito menos agredido fisicamente!), será lavrado um termo circunstanciado e você responderá, em liberdade, a um procedimento no Juizado Especial Criminal, que costuma resultar em condenação ao pagamento de cestas básicas. Lembre-se que a polícia tem corregedoria e ouvidoria para investigar abusos. Mesmo tendo cometido uma infração, você possui direitos que devem ser respeitados.


30) Antes de pensar em ingerir drogas, anabolizantes ou medicamentos pesados, informe-se sobre os efeitos, riscos e conseqüências do uso de cada uma dessas substâncias, e passe essas informações adiante sempre que puder. O responsável pelos seus atos não é o seu amigo, o atendente da farmácia ou o professor da academia, muito menos o traficante – e sim você, somente você.

STOP HOMOFOBIA

PRIMEIRO CASAMENTO LÉSBICO DO MUNDO
















O casal Helena Faasen, de 44 anos, e Anne-Marie Thus, de 41 anos, afirma que se casou por amor, mas não pode negar que carregará para sempre o ineditismo de terem sido as primeiras lésbicas do mundo a se casarem.

As duas se conheceram num blind date em 1998 e se casaram em 2001, na Holanda, o primeiro país a legalizar o casamento homo.

Na próxima sexta-feira 01, elas completam 10 anos de casamento. “Como muitas outras pessoas, temos um trabalho, família, uma casa, um cão e dois coelhos”, diz Anne-Marie.
Helene completa: “Não é a Sodoma e Gomorra, como muitos parecem que esperam como resultado da legalização do casamento gay”.

10 motivos para NÃO aprovar o casamento gay no Brasil


















Este texto foi publicado várias vezes, em diversos fóruns sobre respeito a diversidade sexual, em inglês, e sem autoria. Achei que ele merecia ser lido em português, afinal, essa pouca vergonha de casamento gay realmente não faz sentido.

1. Ser gay não é natural. Brasileiros de verdade sempre rejeitam as coisas artificiais, como lentes de contato, poliéster e ar condicionado.

2. O casamento gay vai encorajar pessoas a serem gays, da mesma forma que sair com pessoas altas vai fazer você ficar mais alto.

3. Legalizar o casamento gay vai abrir um precedente pra todo o tipo de comportamento maluco. As pessoas podem até querer casar com seus bichos de estimação.

4. O casamento hetero esteve aí este tempo todo e nunca mudou: mulheres continuam sendo propriedade dos homens, negros não podem casar com brancos e o divórcio continua ilegal.

5. O casamento hetero perderia o sentido se o casamento gay fosse permitido. O sacramento do casamento só de zoação de 55 horas da Britney Spears seria destruído.

6. Casamentos heteros são validos porque produzem crianças. Casais gays, pessoas inférteis e pessoas velhas não devem ter o casamento permitido, porque nossos orfanatos não estão cheios o suficiente, e o mundo precisa de mais crianças.

7. Obviamente pais gays só criam filhos gays, assim como casais heteros só criam filhos heteros.

8. O casamento gay não tem o apoio dos religiosos. Numa teocracia que nós vivemos, os valores de uma única religião têm que ser impostos sobre todas as pessoas do país inteiro. É por isso que temos apenas uma religião no Brasil.

9. Crianças nunca podem ter sucesso sem o papel de um modelo de homem e mulher em casa. É por isso que na nossa sociedade é estritamente proibido pais ou mães solteiros criarem crianças sozinhas.

10. O casamento gay vai mudar os fundamentos da sociedade; nós nunca poderemos nos adaptar a novas normas sociais. Assim como nós não nos adaptamos aos carros, ao terceiro setor, vidas mais longas e a internet.

*Quem não sabe o que é ironia, por favor, desconsidere este texto.

Por quê a sexualidade NÃO É opção






















Uma pergunta inicial : Você, que acredita que a sexualidade é uma opção,
Gostaria muito de saber em qual momento da sua vida você teve a opção de escolher
sentir atração por homem ou por mulher. Se você pudesse compartilhar conosco nos comentários.. Eu realmente gostaria de saber como é acordar e dizer:
“- ÓH, QUE DIA LINDO, acho que hoje vou sentir atração por homens e levar um golpe de lâmpada fluorescente no rosto”
Mas infelizmente a sexualidade – assim como a cor da pele, NÃO É UMA ESCOLHA.

Quantas vezes ouvimos dizer, vemos na TV, lemos que uns devem respeitar a opção sexual de outros? Será que nunca pensaram na possibilidade de isso não ser uma questão de opção? É uma profunda falta de conhecimento falar que isso se trata de uma escolha, como se alguém pudesse escolher ser gay ou heterossexual com um clique.

Primeiramente é preciso relembrar algo que, parece simples, mas não é: a terminologia. A Organização Mundial de Saúde excluiu o “homossexualismo” da lista de doenças em 1° de janeiro de 1993. Essa situação já fez mais de 15 anos e tem profissional que ainda não percebeu isso. Assim, houve uma mudança na nomenclatura. Você deve se lembrar das suas aulas de português no colégio, onde aprendeu que sufixos “ismo” denotam doenças. Portanto, o termo homosexuaLISMO está equivocado, ultrapassado e pejorativo. O correto é HomossexuaLIDADE. Isto é bastante relevante, especialmente para profissionais e estudantes, pois temos obrigação ética de usar as terminologias corretas.


“Homossexualidade é opção?”


Esta é uma pergunta muito comum, do senso comum (por isso a coloquei entre aspas), em relação à homossexualidade. Em muitos casos, infelizmente, há pessoas que chegam a afirmar isso de modo categórico.

As pessoas querem logo a resposta, querem logo saber a causa – como se tudo necessariamente pudesse ser explicado ou determinado por uma única causa. Se nasce assim ou se aprendeu; se é uma condição ou uma escolha.

Ouço muito, da boca de muitas pessoas: “homossexualidade é opção”. Já ouvi até mesmo gays dizendo isso. Penso da seguinte forma: é uma frase muito genérica e vaga para uma questão tão complexa. É tão vaga que pode adquirir diversos sentidos.

Uma vez vi na televisão um gay dizendo isso: “é uma opção, sabe”. Ele se sentia como um paladino da liberdade ao dizer isso. Dizia com gosto, com orgulho que era uma escolha, uma opção.

Há também, e com muito mais frequência, pessoas conservadoras e machistas que dizem isso. E o sentido subjacente costuma ser: “se escolheu isso, poderia ter escolhido o contrário; sofre preconceito porque quer; seja homem!”. Ou então: sendo opção, logo é safadeza, moda ou falta do que fazer.

E a grande questão é: então o homossexual escolhe isso, ser uma espécie de pária da sociedade? Alguém escolhe isso para sua vida: ser discriminado, diminuído, excluído, maltratado e humilhado? Não? Pois é exatamente assim que os homossexuais são tratados. Se a homossexualidade é uma opção, então completemos a frase: é opção & masoquismo. Pois somente alguém que tem prazer em sofrer é que poderia escolher esta opção.

Se a orientação sexual é uma opção, logo as pessoas escolhem gostar disso ou daquilo, querer isso ou aquilo. E quem é que tem esse poder: escolher do que vai ou não gostar, querer?

Se a orientação sexual é uma opção, logo existe escolha consciente. E pode se dizer que se trata de algo mais ou menos parecido com, por exemplo, o ato de votar: você vai lá e marca um x. Portanto, chegam a ser ridículas as implicações lógicas que tal bobagem produz.

Quando se é gay, tem-se que amadurecer 100 anos em 10 e muitas vezes sem compreender nada, sem ter cabeça pra isso. Já passou por algo semelhante? Ser involuntariamente alguém fora dos padrões?

Porém, continuemos, até o absurdo. Sim, pois todo equívoco desemboca no absurdo.

Definições:

1. Homossexualidade é a predominância de atração sexual por pessoas do mesmo sexo.

2. Heterossexualidade é a predominância de atração sexual por pessoas do sexo oposto.

3. Bissexualidade é a atração sexual por pessoas de ambos os sexos, sem a predominância significativa de qualquer orientação.

Ter preconceito e homofobia . Isso sim é uma opção.


STOP HOMOFOBIA

PROFISSÃO DRAG QUEEN
















O Brasil é um país de cultura diversificada e gigantesca, mas quando se trata de diversidade sexual e travestismo, os brasileiros se tornam até ignorantes em muitos aspectos.

Pouca gente faz idéia do quanto é difícil ser Drag Queen no Brasil, o preconceito é a maior barreira para esse trabalho. Pouca gente sabe também o quanto é uma profissão bonita e honesta.

Pra você ter uma ideia, na Espanha, uma Drag Queen ganha mais de 5 mil dólares por semana, sendo chamadas até para animar festas infantis. No Brasil a maioria trabalha em boates GLBT, ganhando muito menos.

O que significa a palavra Drag Queen :

Vem lá do tempo de Shakespeare e quer dizer DRess As Girl, ( DRAG). No tempo em que as mulheres não podiam representar no teatro, eram os homens que o faziam, por isso quando tinham que interpretar papéis femininos no início dos textos teatrais vinha esta indicação.
D.R.A.G: drass as a girl, ou seja, vestido como uma mulher.

É importante diferenciar drag queens de travestis. Mesmo que sejam categorizados como cross-dresser, transformistas, ou no popular, homens que se vestem de mulher, ambos estão inseridos em meios sociais distintos, uma vez que as drag queens atuam sob um conceito mais flexível de travestismo.

Embora sejam atores transformistas, as drags distinguem-se dos travestis por andarem, em seu cotidiano, vestidos de homens, exercendo também profissões diversas, não afeitas ao transformismo durante o dia. Travestis e transexuais permanecem travestidas em seu cotidiano, e não o fazem de maneira exagerada e caricata. Ou seja , para entretenimento.


Drag queens nem sempre são homossexuais

Observando as drag queens em casas de shows, tornam-se mais claras as diferenças que distinguem travestis das drag queens, sendo que as performances destas últimas estão relacionadas com as artes cênicas e interpretativas: dublam, dançam e encenam. Além disso, enquanto os travestis permanecem vestidos de mulher em seu cotidiano, as drags não. Percebe-se que estas se situam, com mais facilidade, tanto no universo heterossexual como no homossexual, uma vez que se inserem em espaços sociais e culturais para suas performances artísticas, enquanto que os travestis sofrem com a exclusão social, sendo sua imagem associada à marginalização e prostituição.

As drags “montadas” sempre possuem características femininas, mesmo que sejam consideradas caricaturas de uma imagem feminina. A apropriação que as mesmas fazem destas características é explicitada através de suas montarias e indumentárias, incluindo-se aqui aspectos como a maquiagem, as espumas que contornam os seios e os quadris, além de perucas e outros possíveis artifícios utilizados na composição de seus corpos femininos. Além de uma apropriação física de características desse gênero, as drags expressam também, por intermédio de seus comportamentos, sua identificação com a feminilidade. Quando estão trabalhando, ou simplesmente atuando, demonstram preocupação com a manutenção da imagem de suas personagens, adotando posturas e atitudes que as caracterizem.


“Ah, as pessoas pensam que drag queen vende o corpo, que drag queen é prostituição, porque está vestido de mulher, aquela coisa toda, se prostitui. Eu trabalho há nove, dez anos nessa área e nunca, nunca fiz um programa, tá entendendo? Nem de drag queen, nem no meu estilo comum .”
-Comentário de uma Drag sobre o preconceito.


É de se parabenizar o trabalho das drag queens que vão na boate animar o evento, dançar ou simplesmente dar o seu brilho. Todas são vitoriosas.


Quer entender mais sobre o assunto?

Priscilla - A Rainha do Deserto

SITE :STOP HOMOFOBIA

Transexuais e Travestis: Qual a diferença?
























Transgêneros surgiu para englobar Transexuais e Travestis. Para "facilitar" , porém muita gente que não tem contato com o meio gay acaba achando que os dois são a mesma coisa – e não são.

E pra explicar isso, vou me apropriar aqui de algumas definições do Dr. Cláudio Picazio, sexólogo, que conseguiu isolar os quatro pilares da sexualidade humana e explicar como que esses pilares se combinam, formando as mais diferentes variações de gênero, identidades, papéis e orientações sexuais.

Gênero é o seu sexo biológico. É o que o médico vê quando você nasce.
São dois: Homem e Mulher.

Condição Sexual tem a ver com desejo, com atração. Quem te atrai fisicamente? Alguém do seu sexo? Alguém do sexo oposto? Tanto faz? São três, respectivamente: Homossexual, Heterossexual e Bissexual.

Papel Sexual tem a ver com comportamento.
Você é mais masculino ou mais feminino?
Uma mulher caminhoneira está num papel masculino. Um homem que pinta as unhas está num papel feminino. (Esses exemplos na visão da sociedade como maioria)


Note que Papel Sexual não tem nada a ver a com Condição Sexual – ou seja, um homem afeminado ou uma mulher masculinizada não necessariamente são homossexuais. Assim como um cara todo machinho não é necessariamente hetero. Papéis sexuais são grande fonte de discriminação, uma vez que é exatamente como a sociedade percebe você. E se esse papel não está em acordo com o que se espera do seu Gênero, o povo se escandaliza.

Ou inventa coisas como os metrossexuais, por exemplo, pra poder absorver homens em papéis mais delicados.

Mas o mais complicado dos pilares é o da Identidade Sexual. E é exatamente ele o responsável pelos travestis e transexuais, ainda que de forma diferente. Identidade Sexual é como você se percebe. Alguns chamam de sexo cerebral.
Na sua cabeça, você acha que é o que? Homem ou Mulher? Um menino hetero típico tem gênero masculino, papel masculino, orientação heterossexual e identidade é masculina. Ponto. Mas um "gay" típico, enrustido, tem gênero masculino, papel masculino, orientação homossexual e uma identidade também masculina. Ele não quer ser mulher, ele só curte outros garotos. A única diferença entre um menino gay e um hetero é sua orientação sexual. E o mesmo vale pras meninas hetero e lésbicas e entre todos estes e os bissexuais.

No caso das transexuais, porém, a identidade sexual não está de acordo com o seu sexo biológico. Independente do gênero (podem nascer homens ou mulheres), papel (tem os mais masculinos até os bem efeminados) e orientação (existem transexuais hetero e transexuais homo), o que define o transexual é que seu corpo é de um sexo, mas seu cérebro é de outro. São mulheres presas num corpo de homem, ou vice versa.

Imagine você um belo dia acordando, indo pro banheiro, e de repente seu sexo foi trocado! Você ainda é você, pensa como você pensa..
Por isso que as transexuais tem repulsa ao seu corpo. Simplesmente não é o corpo delas. Elas não se identificam com NADA ali. Tudo o que querem é mudar tudo.

Se uma pessoa procura ou anseia por uma operação de mudança de sexo, onde o pênis é totalmente removido, pode ter certeza: Trata-se de um transexual.

Já com os travestis, é um pouco diferente, mas num nível fundamental. Não se sabe ainda como, nem por quê, mas os travestis não tem uma identidade só, masculina ou feminina. Eles têm as duas. Eles se sentem homem e mulher, os dois conceitos se misturando dentro deles como ingredientes num liquidificador. Ora eles se sentem mais femininos, ora mais masculinos, mas ambas estão sempre presentes e eles não têm o desejo de anular nenhum dos dois lados. Infelizmente, seus corpos nascem com apenas um sexo – homens ou mulheres. O que eles fazem então? Adaptam o seu corpo para alcançar, o máximo possível, essa outra metade da essência deles que veio faltando.

Quem começa a pensar um pouco sobre isso, vai vendo o quanto é complicado definir orientação sexual quando falamos de transgêneros. Uma trans que curte mulher é o quê? Hetero? Afinal, ela nasceu homem... Mas sua identidade é feminina, então cabe mais dizer que ela é lésbica. E, portanto, as transexuais que namoram e casam com homens (como a mais famosa delas, Roberta Close), não são homossexuais, são hetero. Afinal, elas sempre foram garotas – só tinham um pequeno problema...

E os travestis? Com relação a travestis, essa definição de hetero e homossexual perde totalmente o sentido... O que podemos dizer é que existem travestis que gostam de homem, travestis que gostam de mulheres e os que gostam dos dois. Mas eles não se encaixam nessas definições de condição sexual existentes. O mesmo se diz das pessoas que gostam de travestis – elas não são hetero e não são gays, são simplesmente pessoas que gostam de travestis. E ponto. Até criou-se um nome para eles: T-lovers.

É, já dizia Hamlet, “existem muito mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia...” esse papo de papel sexual pode dar um nó na cabeça de qualquer um..

STOP HOMOFOBIA -

Prostitutas, gays, lésbicas, portadores de HIV e negros são protagonistas Objetivo é alertar a sociedade para os diretos humanos

A Organização das Nações Unidas (ONU) lançou nesta segunda-feira (16), no Palácio do Itamaraty, no Centro do Rio, a campanha “Igual a Você”, para combater o preconceito. O objetivo é conscientizar a sociedade sobre a discriminação contra estudantes, gays, lésbicas, portadores do vírus HIV, negros, prostitutas, refugiados, transexuais, travestis e usuários de drogas.
“Todos nós que sofremos preconceitos devemos mostrar a cara, assim ajudamos no equilíbrio da civilidade”, disse Gabriela Leite, ex-prostituta, diretora da ONG Da Vida e uma das participantes da campanha.
Dez filmes de 30 segundos serão veiculados em emissoras de todo o país. Os personagens são as próprias vítimas de preconceito, como Jacqueline Rocha Côrtes, professora de inglês, ativista da ONU e portadora do HIV há 15 anos.
“É preciso mostrar a cara para salvar o corpo. A importância de participar dessa campanha é que essas questões passam a ser discutidas. É uma alegria poder contribuir para um mundo mais equânime e ainda junto com o meu marido, que aceitou a mostrar a cara junto comigo”, declarou ela, que é casada com Vitor Côrtes, também portador da Aids.
“Estima-se que 600 mil pessoas vivem com o HIV no Brasil e quase dois terços não sabem”, revelou. Segundo ele, as que sabem sofrem com situações de discriminação.
Chequer disse ainda que o Brasil está bem representado na questão do tratamento e da prevenção da Aids, porém a grande dívida do país é com a discriminação que ainda existe com os portadores do vírus.
Em pesquisa, 92% assumem que existe preconceito contra gays
Uma pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo em 2009 revelou que 92% dos entrevistados assumem que existe preconceito contra gays e lésbicas no Brasil. Desses, de 26% a 30% admitiram que têm preconceitos.
“O Brasil é o número um da lista de assassinatos a participantes da comunidade LGBT, são cem por ano” disse Chequer, acrescentando que nas zonas rurais do país são onde existe mais preconceito com gays.

Respeito às diferenças

Além da UNAIDS, diversas agências da ONU estão representadas na campanha contra as práticas discriminatórias, como humilhações, agressões e acusações injustas.
A oficial do Programa de Educação Preventiva para HIV/Aids da Unesco, Maria Rebeca Otero Gomes, alertou sobre a falta de material didático sobre esses grupos discriminados e ainda professores preparados. A conseqüência, segundo ela, é a evasão escolar e a queda no desempenho.
“São passos lentos, porque comportamento é difícil de ser mudado, mas estamos avançando”, disse ela.

“Uma sopa de entulhos e contradições”















Em 1989, quando a primeira peça de teatro sobre HIV/AIDS intitulada “Adeus Irmão Durma Sossegado” escrita e dirigida por mim e produzida pela minha extinta companhia de teatro “Somos Dois Produções Artísticas” no Teatro de bolso de 70 lugares na Alliance Frances de Copacabana, no Rio de Janeiro, foi um BOOMMM de protestos dentro da classe teatral e artística.
Todos os argumentos foram levantados e um dos mais interessantes era que o título não era comercial. Mas com a supervisão geral do antropólogo Richard Parker, juntos conseguimos levar aos palcos a AIDS com temas totalmente brasileiros.
Era a AIDS dentro da casa de cada um de nós. A AIDS mãe, pai, filhos, solteiros e casados, homossexuais e heteros. Uma época em que ainda a população desconhecia alguém muito próximo infectado com o vírus. Isto incomodou muitas pessoas. A própria mídia na época coloca a AIDS completamente inserida na comunidade gay e diz que o assunto está saturado, como se a epidemia não houvesse já ultrapassado essas barreiras. Com esse espetáculo, a desconstrução estava ali no palco, na frente de todos. Sem a mídia o espetáculo doava suas apresentações gratuitamente para os grupos de apoio de AIDS como ABIA – Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS, ATOBÁ, que nos doavam preservativos e o Pela Vidda Rio de Janeiro, e outros grupos, que começavam a surgir. Tudo muito braçal e a epidemia já estava instalada na sociedade brasileira há mais de 10 anos oficialmente. Total negação tanto da população e da mídia. As piadas na época se multiplicavam e a moralidade se expandia sobre aqueles que eram descobertos soropositivos. Época muito difícil para todos e de grandes perdas.
O espetáculo foi registrado com uma câmera VHS da Sony, documento esse que será exibido em breve na mídia e no site www.vagner.de.almeida.com

Para a ironia do destino, nenhum canal de televisão quis dar uma nota se quer sobre o espetáculo. Algumas emissoras de TV que procurávamos ou nos telefonavam, diziam que o assunto era importante, relevante, mas o público não estava preparado para ouvir, falar sobre a Peste Gay no Brasil. – No mesmo período, centenas de amigos, conhecidos das classes artísticas já se encontravam infectados e alguns já haviam morrido ou se escondiam da mídia e faleciam no anonimato. Pouquíssimos foram descobertos pela mídia e tiveram ou tiveram a coragem de expor a sua soropositividade estapandas nas mídias nacionais. Adeus Irmão Durma Sossegado, seria a primeira peça original em português, pois outros textos apresentados no Brasil, nesta época, foram traduções de espetáculos que eram importados dos Estados Unidos. Como a “Mancha Roxa ’ e tantas outras.

Alguns jornais de massa, ou bem dizendo, algumas colunas de famosos como a coluna de Ibrahim Sued e o Caderno de Domingo Teatro do JB e Walter Rizzo do Jornal dos Esportes deram uma notinha de rodapé em suas colunas.
Jornais alternativos como Letras e Artes, Papo Teatral, Nós Por Exemplo, Boletim ABIA, Jornal de Hoje, Jornal do Teatro, Revista de Teatro da SBAT apareciam nas noites de espetáculo e me perguntavam o porquê de estar fazendo aquilo? Pois a epidemia então era uma coisa muito distante da sociedade brasileira. – Raras notas foram vinculadas nos grandes veículos de massa na época sobre Adeus Irmão Durma Sossegado,. Pelo contrário da ausência da mídia, muitas pessoas começavam a vasculhar esse universo, através da peça. Estudantes, futuros ativistas, mulheres de todas as classes sociais, gays, lésbicas, travestis eram o público de massa todas as noites.
Em 1990 insistindo com o tema, e lutando contra a maré logo em seguida surge o meu segundo espetáculo escrito e dirigido intitulado “Estou Vivo”, com o mesmo tema AIDS. Mas só que desta vez o que queríamos era falar sobre vida e conseguimos fazer uma trajetória muito mais positiva, pois a sociedade nos início dos anos 90 foi obrigada a engolir a AIDS crua pela garganta abaixo. Os casos se amontoavam tanto nos leitos hospitalares, e a mídia retomava o tema com a chegada do AZT publicamente.
Nesta época, mesmo com a mídia perversa bombardeando as manchetes com alarmismos, trouxe uma contribuição, muitas das vezes não muito positiva, para a sociedade e pessoas de peso tomaram a frente da campanha contra o HIV/AIDS. Personalidades dos meio artísticos começavam a se destacar como ativistas, colaboradores, infectados, mães, irmãos começaram a colocar a cara na frente das câmeras e as novas faces da epidemia como a do Betinho, Cazuza, Sandra Brea e tantos outros foram se organizando para uma luta que duros anos a fio, sem intervalo ou piedade.
Décadas necessitaram para que a mídia, mesmo que equivocada muitas das vezes, pudesse aderir ao movimento da luta contra AIDS. Muito necessitaram morrer, para que a sociedade acordasse e percebesse que negar seria uma tragédia mundial, como tem sido em tantos outros países do mundo.
Hoje parece que todos estão informados, sabem de tudo sobre a epidemia e irocamente os números continuam crescendo entre todas as classes sociais e gêneros dentro da população brasileira e tendo um dos melhores programas de AIDS do mundo.

VAGNER ALMEIDA

Eu na platéia do meu primeiro crime homofóbico.













Aos meus sete anos vejo o primeiro homossexual ser espancado na minha frente e não sabia o porquê de tanta violência contra Marquinhos, aquele menino que servia as pessoas nos sortidos e sujos buracos da comunidade em que vivíamos.

Foi torturado por muitos, que em surdina o usava sexualmente também.

O pai, a mãe, vizinho e parente meus, meus próximos também o reduziram a zero.

Com a cabeça entre as mãos, defendia a o crânio e a face dos chutes, socos e tapas que levava e inutilmente pedia por ajuda.
Ninguém o socorreu ninguém lhe estendeu as mãos, ninguém teve compaixão daquele menino adolescente de 13 anos de idade, que nem sabia que o seu crime era gostar de rapazes, homens com H maiúsculos. Homens heteros flexíveis, que também gostavam de se deitar com outros homens nas moitas secretas da vila onde morávamos.

Impressionante que os mesmos que usavam Marquinhos, foram os que mais o açoitaram sem dó ou piedade naquele dia.

A lição que aprendi naquela tarde sombria é que eu não poderia ser igual ao Marquinho ou tudo aquilo que presencie passivo perante tanta violência me amendrotava, me apavorava poderia ocorrer comigo também.

Passei anos a fio encurralados nos meus desejos mais nobres e íntimos. O medo superou qualquer expressão de liberdade que pudesse vir a ter. Só em pensar eu acreditava que estaria me denunciando a comunidade que julgava em praça pública. Suava só de pensar. A testa minava de tanto pavor.

Na minha comunidade todos que transgrediram foram parar no tribunal popular. Um local marcado por cenas de violência, recreação e confraternização em épocas especiais na vida daquelas pessoas.

Várias pessoas ali tiveram suas vidas decepadas, aniquiladas, escurecidas, por não poderem ser oque eles queriam ser.

Mulheres casadas expulsas por fornicarem, homens que adulavam crianças, senhores velhos babões que se engraçavam com as filhas ou mulheres alheias. Um verdadeiro corredor polonês da moral e bons costumes.
Ninguém chorou inclusive eu.

Marquinhos aos 17 anos foi encontrado estrangulado por alguém que o usou sexualmente em meio a um matagal que brincávamos quando crianças e adolescentes.

Muitos de nós, incluído eu tivemos os nossos rituais de passagem para a fase do sexo, da perversão, da sacanagem, no mesmo local aonde foi encontrado o corpo de Marquinhos dias depois de ser assassinado por algum de nossos vizinhos ou por outro jovem homofóbico mais forte do que ele. Ninguém soube quem foi ou procuram saber. Remexer no caso era na época uma coisa sortida, suja, descenessária. Melhor esquecer-se do que mexer, descobrir quem pudesse ter sido tão vil com a vida de Marquinhos. Para muitos ele era um menino pervertido, um rebelde sem causa, uma mulherzinha, um afrescalhado. Um ser que necessitaria ser deletado mesmo e foi.

Marquinhos apanhou muito antes dessa tragédia assolar nossa comunidade. Apanhava de todos, pois muitos acreditavam que coças diárias poderiam desestimulá-lo da sem vergonhice que ele praticava.

Todos os meninos, crianças da comunidade eram proibidos de brincar com ele. Aproximar-se dele era uma coça na certa dada por nossos pais ou irmão mais velhos.

Ninguém viu, ouviu, ninguém notou que alguém o levou para o mato e lá o usou e depois o estrangulou.

No jornal da cidade, o único que existia e só saia aos domingos à tragédia continuou por semanas com as manchetes dizendo assim:

“Menor encontrado morto no matagal perto de sua casa”

“Estranho forasteiro suspeito de estrangular menino no mato”

Interessante que em nenhuma linha sequer das matérias sensacionalistas dominicais, poderia se ler uma única palavra sobre crime de ódio contra um jovem homossexual. Tudo censurando, cometido para não ferir os instintos mais sórdidos daquela comunidade, daquela cidade perdida no fim do mundo.

Por que Lágrimas Secas?

Ninguém chorou por Marquinhos! Sua mãe, seu pai, seus irmãos e irmãs pareciam que foram proibidos de expressar a dor através das lágrimas.

Muitos pêsames! Poucas rezas, pois até as rezadeiras do lugar resolveram fazer greve de reza no enterro de Marquinhos.

Quatro velas acesas sobre a mesa. O corpo de Marquinhos jazia solitário em uma sala de uma casa de cinco cômodos pequenos.

Da porta da sala, mas sem poder entrar para ver o meu amigo oculto sair de cena, podia ve-lo dentro do caixão vestindo uma camisa branca e uma calça preta. Seus pés foram vestidos com meias e sua mão descansava suave e descansada sobre o peito.

Minha mãe foi à única que depositou uma palma branca sobre seu corpo e fez pelo sinal da cruz. Rezou baixinho e saiu da sala me puxado bruscamente para irmos para casa.

Caminhamos em silêncio até o portão de casa e lá ouvi meu pai falar do fundo do quintal, se haviam muitas pessoas para ver aquele desavergonhado e concluiu que já havia ido tarde.

Senti naquele momento tanto ódio do meu pai, abaixei a cabeça e a noite com o rosto dentro do travesseiro chorei muito em silêncio.

Eu me lembro que tinha medo da morte, pois aprendemos no catecismo da igreja São Judas Tadeu, que só os maus iam para o inferno e o purgatório e os bons sentavam ao lado de Deus.

Eu não sabia se iria para o céu, pois tam,bém possuía os mesmos desejos do Marquinho pelos meus colegas, os quais possuíam desejos semelhantes por mim.

No escuro do meu quarto compartilhado com outros irmãos, via o rosto sereno de Marquinhos me acenando e sorrindo.

Era mito na comunidade que sonhar ou ver alguém rindo em seus sonhos era sinal de morte. Mas Marquinhos já havia morrido! Tinha sido assassinado. Interessante lembrar que na época não se pronunciava a palavra assassinato, mas sim morto.


A causa morte foi evitada até pelos policiais e o médico legista que estiveram no local. Mesmo sabendo que aquilo tinha sido um crime brutal, estupro seguido de estrangulamento, mesmo assim todos esses detalhes foram evitados, foram proibidos de serem mencionados na vila.

Sós os homens casados e viris foram permitidos de verem o corpo de Marquinhos no matagal com o calção de algodão marrom arriado e sua camisa transpassada pelo seu pescoço.

Nem Maria Moura, sua mãe e nem as suas irmãs lhes foram permitidas a ver o filho e irmão, que jazia sem vida no mesmo local aonde todos nós catávamos amoras, mexericas, limões galegos e bebíamos água da nascente que brotava de uma pedra, até então sagrada, mas que passaria a ser evitada para o resto da vida. Vida essa que menciono, pois anos mais tarde saímos daquela comunidade e fomos sobreviver em outra pior, aonde a intolerância, o racismo, o machismo, a violência doméstica alcançavam patamares larmantes.
Quem matou Marquinhos?

Todos os suspeitos eram homens casados, homens de bem, solteiros prestes a se casarem e constituírem famílias.

Ou como também havia a possibilidade de ser uma mulher que soube que Marquinho havia tido um relacionamento com o seu marido. Todos nós éramos suspeitos naquela comunidade. Todos sem exceção.

Por esse motivo do velório e o enterro de Marquinhos serem tão vazio, solitário, triste. Não havia lágrimas, compaixão de partes nenhuma.

Fui proibido de chorar por Marquinhos, pois ninguém chorava na comunidade e eu não podia chorar também. Pois naquele momento chorar a morte de meu amigo era confessar que eu, você seria como ele.

Marquinhos nunca soube que eu era amigo dele em silêncio. Eu o admirava, olhava com orgulho todo o corpo jovem dele, pois mesmo sendo escorraçado como foi e era pelos seus pais e conhecidos, mesmo assim eu o admirava pela coragem de ser o que ele queria ser.

Lembro-me que na saída do caixão dele da casa, carregado por quatros homens perversos da comunidade ouvi um dele mencionar para o filho menor de nove anos que seguia próximo a ele e o caixão.

“Viu o que acontece com pessoa igual a esse ai? – É morto para acabar com a sem-vergonhice. Homem tem que ser macho e não viado”

Para muitos a morte de Marquinhos foi mais que merecido, foi uma prova que não podíamos sair dos padrões de normalidades.

Lamentável a primeira morte de crime de ódio de menino homossexual que presenciei na minha vida.


VAGNER DE ALMEIDA

Homofobia e Crimes de Ódio no Brasil e no Mundo









Por Que Matamos As Pessoas?

Por que apertamos os gatilhos sociais, quando nos omitimos e não nos pronunciarmos contra os crimes homofóbicos, crimes de ódio, gerados pela intolerância humana?

A mão que toca um violão se for preciso faz a guerra, mata o mundo, fere a terra...

Como executamos os nossos iguais?

Amigos se vão de forma bárbaras. Morrem e caiem no esquecimento. A banalidade da morte é tão peculiar nos dias de hoje.

No início muita lágrima não quer ver o corpo, não sei o que fazer e assim vamos nos omitindo de tantas barbáries e deixando um corpo lá estendido no chão, na sarjeta, no beco ou no matagal.

Triste, lamentável, mas é a pura verdade.

Nos três primeiros meses do ano de 2008 foram registrados mais de 50 homicídios de gays no país. Estes foram os crimes registrados.

Um ano de violência homofóbica preocupante, pois esse dado não reflete a verdadeira realidade desses homicídios, pois muitos desses assassinatos não são oficialmente registrados nas delegacias de polícia ou nos laudos dos hospitais, pois muitas das vítimas nem chegam a serem reconhecidos depois da morte. São deletadas por completo, desde o sistema que deveria registrar esses homicídios, como as próprias pessoas que as enterram no social, no esquecimento, em uma cova rasa fria.

Enquanto nos Estados Unidos são mortos 25 gays por ano, no México o número chega a 35, no Brasil anualmente são assassinadas mais de uma centena! Um verdadeiro “não senso com a vida humana”

O único meio que encontrei de chorar, deixar as lágrimas brotarem em minha face, foi denunciando de forma passiva, pacata, calada, de forma inteligente, a morte brutal de cada um desses atores sociais, pois além de serem amigos, conhecidos e queridos, o mundo os levou de forma brutal.

Foram assassinados, simplesmente por serem gays, lésbicas, transexuais, simplesmente por não serem o que a sociedade idealizou como pessoas dignas de viver nas leis da moral e bons costumes. Essas mesmas leis que brotam nos templos que surgem em cada esquina ou fundo de quintal no território brasileiro. Verdadeiras máquinas de moer seres humanos.

Quando se tem uma sociedade em que predominam os valores machistas, religiosos, moralistas contra a comunidade LGBT, contra a mulher os negros, eles representarão a negação absoluta desses valores truncados, mal resolvidos, onde o espelho reflete a visão castradora dessa sociedade.

Um ex BBB, Felipe Cobra relata que, “dá porrada nos gays é significativo para ele”. Isto dito publicamente sem nenhuma punição. Neste exato momento outros Cobras estão se alinhando para poderem espancar, matar homossexuais e sem serem punidos.

A igreja católica e os grupos evangélicos são co-responsáveis pelo crescimento da intolerância, quando lutam contra os direitos civis das minorias sexuais.

Quando se ouve um pai falar para o filho, ao ver uma travesti passar a sua frente que; “nesse tipo de lixo, você pode bater, enche de porrada...” e o filho ri e concorda com o pai. Ambos deveriam ser presos, mas ouvimos, nos calamos e a travesti, o homossexual mais afetado, a lésbica masculinizada são alvos fáceis desses monstros sociais.

Seus amigos, meus amigos, morreram por falta de um espaço social civilizado.

Muitos foram torturados até a morte, outros simplesmente levaram tiros, facadas, pauladas, pedradas até perderem suas preciosas vidas ou ficarem com seqüelas para o resto de seus dias.

“Borboletas da Vida”, “Basta Um Dia” produzidos pela Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS - ABIA, e “Sexualidade e Crimes de Ódio” produção independente, são filmes documentários dedicados aos meus amigos, aos seus amigos e conhecidos. Os quais foram barbaramente assassinados, atrocidades de forma cruel.

Lamentável, inaceitável crimes de ódio contra o ser humano.


Vagner de Almeida

Janaina Dutra: Uma Dama de Ferro























Um filme de Vagner de Almeida

Produção: GRAB – Grupo Resistência Asa Branca

Em fevereiro de 2004 falecia em Fortaleza, aos 43 anos de idade, a advogada Janaina Dutra Sampaio. O movimento da diversidade sexual brasileiro perdia uma de suas ativistas mais importantes, instalando-se um grande vazio.

Entre as muitas atividades em que esteve envolvida ao longo de sua vida Janaina colaborou com o Ministério da Saúde na elaboração da primeira campanha de prevenção do HIV/AIDS entre travestis.

Este filme conta a história de vida e luta política de Janaína Dutra. Amigos, amigas e familiares relembram fatos e momentos da vida de alguém, que com muita coragem e sabedoria, soube mobilizar resistência e a luta das travestis por seus direitos humanos.

Estréia Nacional
Dia 12 de maio de 2011
`As 18:30
Casa Amarela Eusélio Oliveira
Avenida Universitária 2590
Fortaleza
Ceará

UFMG vai investigar agressão a calouros gays













Universidade Federal de Minas GErais quer identificar e punir agressor homofóbico
A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) anunciou na última sexta-feira, 15, que vai investigar as denúncias de agressão a calouros gays que recebeu dos DCEs.

A reitoria afirmou que vai instaurar sindicância interna para apurar as agressões que teriam sido cometidas contra dois casais homossexuais da Faculdade de Letras, em festa que aconteceu no dia 1º de abril.

A carta enviada à reitoria informa que “segundo relato de estudantes, um casal de mulheres foi abordado por um homem com piadinhas muito ofensivas, preconceituosas, machistas e homofóbicas. No mesmo dia, um casal gay também foi abordado por um homem que agrediu fisicamente, com chutes, um dos rapazes”.

Segundo o diretor de assuntos estudantis da UFMG, Luiz Guilherme Knauer, caso o agressor estude na instituição de ensino, vai ser instaurada uma comissão de inquérito para definir a punição que ele deve receber. Knauer.

Ainda de acordo com a Universidade, a conscientização contra a homofobia vai ser reforçada no campus.