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A Homossexualidade explicada por um Livro Infantil

















Esta é uma historia infantil ilustrada
que explica a homossexualidade para crianças - e talvez para adultos também
se todas as escolas deste pais abordassem mais o assunto
a ignorancia, o preconceito e a intolerancia seria menor.

COQUETEL ANTI-HIV, A REVOLUÇÃO NO COMBATE A AIDS















Em 2011 a epidemia da AIDS completa 30 anos. Desde 1981 já foram 22 milhões de mortos, sendo que o número de infectados hoje atinge a casa dos 40 milhões.

Até o ano de 1995, a confirmação da doença era como uma sentença de morte para o paciente, morte que chegava de forma rápida e dolorosa. A partir de 1996 começaram a ser comercializados uma nova geração de medicamentos, que aliados aqueles que já existiam, formaram o famoso coquetel anti HIV, que elevou a expectativa de vida dos portadores da AIDS em 13 anos.

O coquetel age de duas maneiras, ele impede a replicação do HIV bloqueando a enzima transcriptase e inibem a produção de protease, agindo no último estágio de formação do HIV, impedindo a ação da enzima que é fundamental para a formação da cadeia protéica produzida pela célula viral.

O coquetel melhora a qualidade de vida do paciente, além de aumentar a expectativa de vida do portador do vírus, mas a cura definitiva ainda não foi encontrada. E o maior problema é que de cada 3 pessoas que tem AIDS, 1 não sabe, e as que sabem geralmente demoram anos para começar o tratamento. É importante que as pessoas realizem o exame para confirmar ou não a presença do vírus, caso o resultado seja positivo a pessoa deve procurar o médico para que ele faça um acompanhamento da evolução da doença e indique o melhor momento para começar a tomar o coquetel.

No Brasil o tratamento médico contra a AIDS é totalmente de graça, proporcionando uma economia de cerca de 3.000 reais mensais para o doente. O Brasil, inclusive, é a maior referencia mundial no combate a AIDS, sendo que o nosso modelo de prevenção e tratamento serve como modelos para programas de vários países no mundo.

Hoje em dia AIDS não quer dizer MORTE, hoje em dia AIDS quer dizer VIVER COM AIDS.

O tempo não para na Sociedade Viva Cazuza












Ediane Merola
RIO - O tempo não para, e lá se vão 20 anos da morte de Cazuza. Foi no dia 7 de julho de 1990 que o polêmico roqueiro saiu de cena, mas o poeta continua vivo graças à sua obra e ao trabalho que a mãe, Lucinha Araújo, realiza na Sociedade Viva Cazuza. A ONG, voltada para crianças e adolescentes portadores de HIV, também completa duas décadas em outubro e é o xodó desta mulher, que dá a 20 internos o mesmo carinho oferecido ao único filho, que morreu de AIDS.
Twitter é a nova ferramenta para conseguir parceiros
A instituição, única do gênero na cidade do Rio, tem um custo mensal de R$ 70 mil. Ultimamente, as contas têm fechado no vermelho. Mas isso não reflete no atendimento às crianças. Aos poucos, a sociedade se adapta para conseguir parceiros. Pelo Twitter (@VivaCazuza), já conseguiu nutricionista voluntário, tradutor para o site (www.vivacazuza.org.br) e espera receber um freezer, que já está prometido.
Quando foi criada, a Sociedade Viva Cazuza tinha como objetivo dar apoio ao Hospital Gaffrée e Guinle, na Tijuca, que era referência no tratamento da AIDS. Foi em 94 que Lucinha criou a Casa de Apoio, na Rua Pinheiro Machado, em Laranjeiras, por onde já passaram cerca de 70 moradores. A foto de cada um, tirada no dia em que chegaram à ONG, está pendurada nas paredes na sala de jantar da instituição. Só falta o retrato de A., a caçula de 11 meses, que chegou há 15 dias:
- Tiramos a foto, vou revelar. Ela já engordou 1,5 quilo - diz Lucinha, que estava com saudade de cuidar de um neném. - Há anos não tínhamos um bebê. Mas meus meninos também são maravilhosos. Alguns dão trabalho na hora de estudar, mas são ótimos.
Os moradores da Casa de Apoio têm entre 4 e 17 anos. Alguns têm família, mas preferem morar na ONG:
- Estou há 13 anos na casa. Tenho tios, irmã, que às vezes me visitam. Mas moram longe, em São Gonçalo. Sinto saudade, mas aqui tenho comida, estudo, amigos. Fico no computador, jogo PlayStation - enumera B., de 15 anos.
Todos as crianças da Viva Cazuza estudam em escolas particulares, com bolsas parciais. Os três adolescentes fazem curso técnico na Faetec. A ONG também mantém o Programa de Adesão ao Tratamento, que acompanha 140 pacientes da rede pública:
- São adultos que não entendem a prescrição, não tomam a medicação por medo de descobrirem que têm a doença, há conflito religioso. Isso afeta o tratamento, acabam tendo doenças oportunistas - explica Christina Moreira, coordenadora de projetos da Sociedade Viva Cazuza, que ajuda a organizar as contas da casa. - Os maiores gastos são com mão de obra e encargos sociais. Temos 24 funcionários. A casa funciona 24 horas por dia, 365 dias no ano.
Quando começou, há 20 anos, Lucinha achava que sua ONG serviria de estímulo para outras pessoas. Mas agora sabe por que seu trabalho continua sendo pioneiro:
- É muito caro.
Aos 73 anos, ela não desanima. O direito autoral do filho, usado para cobrir as despesas, está cada vez mais escasso:
- Na época do filme fizemos um bom caixa, sustentou por meses. Agora a conta fica no vermelho. Mas o serviço é de qualidade. Quando não for mais assim, fecho as portas. Não vou ter um depósito, fazer criança sofrer. Aqui, cada um tem a sua identidade - diz Lucinha. - Não faço isso por que sou boazinha, não. Faço por que me faz bem. Venho aqui todo santo dia, quero saber o que comem, como estão indo na escola.
Um dos jovens da instituição segura a foto de Cazuza em frente ao mural com retrato de todas as crianças que já passaram pela entidade - Foto: Ana Branco - O GloboComo em qualquer casa que tem adolescente, na Viva Cazuza não faltam pedidos para chegarem mais tarde em casa. Eles até podem, desde que digam onde e com quem vão. Namorados (as) podem visitar a instituição, mas não dormem lá. Quem faz 18 anos pode continuar na ONG, mas muitos optam por sair, para terem privacidade. O contato, no entanto, permanece.
Recentemente, uma falha do Ministério da Saúde provocou um desabastecimento de medicamentos que, por pouco, não prejudicou o atendimento das crianças. A situação já está sob controle.
- O desabastecimento é fruto da banalização da AIDS. Houve uma queda na prevenção e isso acaba aumentando os índices de contaminação - teme Christina.
Brasil registra 35 mil novos casos de AIDS por ano
Presidente do Grupo Pela Vidda, o psicanalista George Gouvêa lembra que a AIDS continua matando 12 mil pessoas por ano e que 35 mil novos casos são registrados a cada ano. Para ele, a Sociedade Viva Cazuza é um símbolo na luta contra a doença:
- Qualquer instituição pública teria gasto astronômico para fazer o que a ONG faz. E não teria a mesma qualidade. O governo exige muito de quem presta esse serviço, mas o repasse não cobre nada disso. A Viva Cazuza tem papel relevante, de vanguarda, é um exemplo de administração.

A extinção das ONGs Aids é uma vergonha nacional












Por George Gouvea

Nos últimos anos, a falta de recursos tem sido uma realidade para as Ongs/Aids em nosso país. Elas, que já foram consideradas um dos principais alicerces da resposta brasileira à epidemia da aids, hoje correm sério risco de extinção por diversos motivos. Entre eles podemos citar, principalmente, a falsa impressão de que a aids em nosso país esta resolvida. Uma falácia assombrosa, uma vez que foram notificados mais de 182.000 novos casos de aids, e mais de 57.000 seres humanos perderam suas vidas em decorrência da mesma, entre 2005 e 2009.

Esta mentira provoca uma grande redução dos recursos que, historicamente, vinham de organizações internacionais para o combate à aids no Brasil. Além disto, os Governos, tanto no plano Federal, Estadual e Municipal omitem-se de forma criminosa e não se entendem quanto a devida utilização dos recursos dos Planos de Ações e Metas (PAM). Esta omissão acaba provocando novas infecções pelo HIV em milhares de pessoas, colocando suas vidas em risco.

George Gouvea é Psicanalista e Presidente do Grupo Pela Vidda/RJ
A homofobia é o preconceito existente em pessoas contra os homossexuais ou a homossexualidade. A homofobia inclui também o ódio, a aversão, repulsa, nojo, enfim, qualquer sentimento contra a homossexualidade.

O termo homofobia surgiu de um neologismo(criação de uma nova palavra) do psicólogo americano George Weinberg, em 1971. Ele queria expandir o significado de fobia para representar também o ódio, aversão ou repulsa em geral e associou ao termo homo como referência aos homossexuais, sendo assim a palavra teria o significado de repulsa/aversão aos homossexuais.
A homofobia é usada não como "medo de homossexuais", como seria entendido ao pé da letra; Para entender melhor lembre-se que em grego “homo” significa “igual” e “fobia” significa “medo”, sendo assim fica mais amplo seu significado. A homofobia é como o racismo, por exemplo. Uma palavra para denominar o que uma pessoa preconceituosa sente.

Aqueles que abrigam em sua mente esta “fobia” ainda não definiram completamente sua identidade sexual, isso gera dúvidas, angústias e certa revolta, que são transferidas diretamente para os assumidamente homossexuais. Muitas vezes isso ocorre no inconsciente destes indivíduos.

Em linguagem mais clara possível, homofobia na maioria das vezes é o MEDO de se descobrir homossexual, pois o mesmo não tem certeza sobre a sua sexualidade. Mas como já foi dito, isso ocorre no inconsciente do individuo. Mais sobre homofobia aqui

Pesquisa

Um documentário exibido pela HBO exibiu dados de uma pesquisa que confirma o que muita gente já desconfiava: que homofóbicos podem na verdade ser Homossexuais enrustidos.

"Middle Sexes - Redefining He and She" mostrou uma simulação do processo de uma pesquisa realizada nos anos 90 por estudiosos da Universidade de Georgia com 64 universitários.

Sem saber, os estudantes foram divididos em dois grupos: um com tendências homofóbicas e outro formado por rapazes tranquilos com relação à sexualidade alheia.

Todos os universitários assistiram a filmes pornôs Gays utilizando um instrumento capaz de medir a excitação sexual. E adivinhe o resultado: uma proporção significativa dos homofóbicos demonstraram altos níveis de excitação. Já os não-homofóbicos não demonstraram animação ao ver vídeos Gays.

Após assistirem aos filmes, os homofóbicos, por unanimidade, disseram que a experiência não os fez sentir tesão algum.

A homofobia, como o racismo e a xenofobia, existe em diversos graus, em todas as sociedades. Todos os dias, em todos os países, indivíduos são perseguidos, violentamente atacados ou mesmo mortos devido à sua condição sexual. Quer seja explícita, quer não, a violência homofóbica causa um enorme sofrimento, que é frequentemente dissimulado sob um véu de silêncio e vivido na solidão.

30 ideias para ajudar a causa LGBT












1) Por mais que existam piadas, comentários, opiniões e até religiões reforçando o preconceito e a homofobia e tentando esculhambar os homossexuais, lembre-se de que a sua orientação sexual não vale menos do que as demais, nem é motivo de vergonha. Você não é melhor ou pior do que os outros (muito menos sujo, pecador, culpado ou doente) por ser homo, bi ou heterossexual. Sua sexualidade é apenas mais um detalhe sobre você, assim como a cor dos seus olhos.

2) Sair do armário pode ter um custo na vida pessoal que deve ser avaliado. Mas também pode trazer benefícios. O fim das mentiras é sempre um alívio. Vencido o estranhamento inicial, suas relações ficam mais próximas, profundas e autênticas, com parentes e amigos gostando de quem você é de verdade. Além disso, você faz sua parte para que a sociedade assimile melhor a diversidade, ao mostrar a ela referências diferentes dos estereótipos. Pense nisso e tome sua decisão, no momento oportuno e para as pessoas que julgar adequado (você não precisa dividir sua intimidade com todo mundo).

3) Dê apoio àquele(a) amigo(a) que saiu ou foi retirado(a) do armário. Mesmo se foi uma decisão precipitada ou as conseqüências foram desastrosas, jamais lamente ou critique. Um e-mail, um telefonema, um convite para um café (ou, em casos extremos, uma mãozinha para conseguir um novo lar ou um novo emprego), são boas maneiras de ajudar.

4) Não tenha medo de andar de mãos dadas, beijar e fazer as mesmas carícias que outros casais podem trocar em locais públicos. Ninguém tem o direito de pedir que você pare de fazer aquilo que é permitido aos demais. Expressar seu carinho não significa agredir ninguém e você não precisa ficar constrangido por isso.

5) Da próxima vez que você ouvir uma piada escrota ou um comentário maldoso contra homossexuais, não finja que acha natural, muito menos engraçado. Avalie quem são seus interlocutores e, se você achar que vale a pena, mostre que essas visões são fundadas em preconceitos e ideias inadequadas. Muitas vezes, o problema é de falta de informação (o que também vale para quem fala em “homossexualismo” e “opção sexual”). Você pode ajudar a mudar a mentalidade sem se tornar um patrulheiro chato.

6) Não semeie o preconceito interno. Você pode preferir alguns estilos, tribos ou grupos, com quem tem mais afinidade. Mas isso não lhe torna melhor do que os “afeminados” (ou as “masculinizadas”), pobres, nordestinos, negros ou gordos, nem lhe dá o direito de desprezá-los ou humilhá-los. Não faz sentido gays falarem mal de travestis, travestis falarem mal de lésbicas, lésbicas falarem mal de gays...
7) Exerça seu poder de consumidor. Boicote produtos e serviços oferecidos por empresas com posturas homofóbicas ou propagandas preconceituosas. O mesmo vale para programas de TV que ridicularizam homossexuais. Por outro lado, prestigie estabelecimentos que simpatizem com a causa – mas tente diferenciar os que são genuinamente friendly daqueles que não passam de oportunistas de plantão.

8) Você viu alguém levando um “coió”, sofrendo violência física? Chame a polícia imediatamente. Seja solidário e preste todo tipo de socorro à vítima que estiver ao seu alcance, sem se colocar em perigo. E testemunhe em favor do ofendido, caso ele decida prestar queixa. Pesquisas apontam que boa parte dos LGBTs que sofrem violência não relata o ocorrido a ninguém. Mas denunciar é a única maneira de atacar o problema e combater a impunidade.

9) Se você sofrer preconceito, discriminação e/ou violência em razão da sua sexualidade em qualquer lugar público, não se cale: denuncie. Quem está em São Paulo conta com o apoio da Lei Estadual nº 10.948 e não precisa expor sua identidade. Pesquise se na sua cidade ou estado há leis contra a discriminação, ou mesmo órgãos e delegacias especializados. Mesmo se não houver, o Ministério Público está em todo lugar e pode ajudar. Existem ONGs que podem ajudá-lo no contato com as autoridades.

10) Sofreu perseguições, humilhações, foi despedido por conta da sua orientação sexual? Reúna provas e testemunhas (ambas são indispensáveis!), procure um advogado e corra atrás dos seus direitos. Para quem não tem condições financeiras de bancar um advogado, a Defensoria Pública presta assistência jurídica gratuita e tem defensores especializados em LGBTs. O processo judicial levará tempo, mas a vitória proporcionará a reparação dos danos e ainda servirá de exemplo – para quem sofre processar, e para quem persegue pensar duas vezes.

11) Quando você se deparar com um site ou qualquer outra manifestação homofóbica na internet, denuncie à SaferNet. Faça o mesmo quando encontrar algo sexista, racista ou preconceituoso contra qualquer outra população.

12) Leia jornais e/ou assista ao noticiário na TV. Mantenha-se informado sobre o que acontece na sua cidade, no seu país, no mundo - e não apenas no meio gay.

13) Procure conhecer a história dos políticos em quem você pensa em votar. Você pode escolher candidatos mais comprometidos com os interesses da causa LGBT – e ajudar a evitar que outros militem contra nós e fechem portas importantes. Mas não vote em alguém só porque ele é homossexual ou aproveita para fazer palanque nas manifestações e depois some.

14) Saiba quais são os projetos de lei de interesse LGBT que aguardam votação: o que eles preveem e como eles podem mudar a sua vida.

15) Acompanhe a atuação dos parlamentares em quem você votou no que se refere às ações contra a homofobia. Pesquise se eles integram a Frente Parlamentar pela Cidadania GLBT. Comunique-se com deputados ou senadores e cobre deles apoio aos projetos e compromisso com a cidadania LGBT.



16) Registre seu apoio ao PLC 122 (que criminaliza atitudes homofóbicas em todo o território nacional) através do Alô Senado, um serviço telefônico que permite que cidadãos se manifestem sobre iniciativas em trâmite no Congresso. Basta ligar para 0800 61 22 11 e pedir que senadores do seu Estado, em especial aqueles que fazem parte da Comissão de Assuntos Sociais, votem pela aprovação do projeto. Se você não sabe quem são os senadores do seu Estado, a telefonista poderá informar. A operadora vai solicitar dados pessoais, mas não se preocupe: isso é apenas para evitar que uma mesma pessoa faça várias ligações. É seguro e gratuito. O mesmo pode ser feito por meio do site.

17) Manifeste suas convicções para o mundo. Pode ser abrindo um blog, com temas de interesse político de LGBT, ou mesmo escrevendo uma carta a uma revista de grande circulação ou ao jornal da sua cidade. Opiniões favoráveis aos nossos direitos precisam ser ouvidas pela sociedade.

18) Colabore com pesquisas sobre LGBT, seja sobre saúde, direitos, violência ou qualquer outro tema. Para que as autoridades tracem políticas públicas, elas precisam conhecer melhor nossa população.

19) Considere a ideia de fazer algum tipo de trabalho voluntário. Há muitos segmentos que precisam de ajuda, dentro e fora do universo LGBT.

20) Existem muitas ONGs organizadas para defender interesses da população LGBT. Tenha um pouco de curiosidade e disposição e procure conhecê-las. Informe-se sobre os projetos, divulgue suas campanhas, atividades e iniciativas. Nós listamos algumas delas na barra lateral deste blog.

21) Preste ajuda financeira a ONGs, casas de apoio ou iniciativas pró-LGBT cujo trabalho você conheça. Para conseguir mais doações, faça um jantar ou festa e peça aos amigos para trazerem dinheiro, no lugar do presente. Se você tem uma boate, bar ou similar, uma maneira de colaborar é escolher um dia por ano e destinar uma parte da renda que faturar.

22) Pense também em outras formas de auxílio material, além de dinheiro. Casas de apoio recebem doações de roupas, móveis, utensílios e até produtos de limpeza. Ou a cesta básica que você recebe no trabalho e não utiliza. Ou aquele computador velho que você encostou quando comprou um mais moderno.

23) Ofereça-se para traduzir textos dos sites de instituições pró-LGBT para o inglês, o espanhol, francês ou outras línguas que você conheça. Você não precisa sair de casa, não gasta nada e faz um trabalho que custa caro para a maioria das entidades.

24) Colabore oferecendo algumas horas semanais do seu trabalho. Conforme o seu ramo de atividade, você pode prestar assessoria jurídica a uma ONG, ou atendimento psicológico a pacientes convivendo com o vírus HIV/AIDS, ou desenvolver quaisquer outros trabalhos na sua especialidade. Seja criativo e pense em como aproveitar sua formação para colaborar com a causa.

25) Se você é homem, relaciona-se com outros homens e não contraiu o vírus HIV, ofereça-se para participar do IPrEx. É uma pesquisa em escala global para testar um medicamento usado no tratamento de soropositivos e descobrir se ele é eficaz para evitar o contágio. O estudo é conduzido pelo Hospital das Clínicas (São Paulo) e pelo Instituto de Pesquisa Evandro Chagas da Fiocruz (Rio de Janeiro). Outras pesquisas sobre vacinas e medicamentos devem ser implementadas até a obtenção de resultados no combate ao HIV. Todas merecem sua atenção.

26) Sexo seguro é uma opção pessoal, cuja responsabilidade é de cada um. Não se baseie em aparências ou presunções – elas enganam. A decisão de abrir mão do preservativo em um relacionamento precisa ser muito bem pensada pelos dois parceiros, e nenhum deles deve pressionar o outro na negociação. Se você fez esse pacto e depois se expôs a uma situação de risco, não deixe tudo como está: reintroduza o sexo seguro na relação, faça os exames e repita-os após 3 meses e 6 meses. Não exponha o parceiro que confiou a saúde a você.

27) Busque informações sobre todas as doenças sexualmente transmissíveis. Não se preocupe apenas com o HIV e a AIDS. Há outras DSTs cujo contágio se dá com muito mais facilidade, sem necessidade de troca de fluidos entre os parceiros. Conheça os sintomas internos e externos e lembre-se de que prevenir é bem melhor do que remediar. Por essa mesma razão, fazer exames sorológicos periodicamente (sobretudo de HIV e hepatites) também é uma boa ideia. Não existe vacina para a hepatite C, mas, para a A e para a B, sim. Em alguns casos, essas vacinas são disponibilizadas gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

28) Vai sair para fazer uma pegação básica? Ande com algumas camisinhas a mais no bolso, e distribua para os colegas que necessitarem. Qualquer posto de saúde fornece preservativos gratuitamente. Saunas também.

29) Foi flagrado fazendo pegação em um parque, banheiro ou qualquer outro lugar público? Você deve saber que cometeu uma infração. Mas esse delito é considerado como de menor potencial ofensivo. Pelo caminho correto, você será conduzido à delegacia (jamais mantido em cárcere privado numa “salinha da segurança”, muito menos agredido fisicamente!), será lavrado um termo circunstanciado e você responderá, em liberdade, a um procedimento no Juizado Especial Criminal, que costuma resultar em condenação ao pagamento de cestas básicas. Lembre-se que a polícia tem corregedoria e ouvidoria para investigar abusos. Mesmo tendo cometido uma infração, você possui direitos que devem ser respeitados.


30) Antes de pensar em ingerir drogas, anabolizantes ou medicamentos pesados, informe-se sobre os efeitos, riscos e conseqüências do uso de cada uma dessas substâncias, e passe essas informações adiante sempre que puder. O responsável pelos seus atos não é o seu amigo, o atendente da farmácia ou o professor da academia, muito menos o traficante – e sim você, somente você.

STOP HOMOFOBIA

PRIMEIRO CASAMENTO LÉSBICO DO MUNDO
















O casal Helena Faasen, de 44 anos, e Anne-Marie Thus, de 41 anos, afirma que se casou por amor, mas não pode negar que carregará para sempre o ineditismo de terem sido as primeiras lésbicas do mundo a se casarem.

As duas se conheceram num blind date em 1998 e se casaram em 2001, na Holanda, o primeiro país a legalizar o casamento homo.

Na próxima sexta-feira 01, elas completam 10 anos de casamento. “Como muitas outras pessoas, temos um trabalho, família, uma casa, um cão e dois coelhos”, diz Anne-Marie.
Helene completa: “Não é a Sodoma e Gomorra, como muitos parecem que esperam como resultado da legalização do casamento gay”.

10 motivos para NÃO aprovar o casamento gay no Brasil


















Este texto foi publicado várias vezes, em diversos fóruns sobre respeito a diversidade sexual, em inglês, e sem autoria. Achei que ele merecia ser lido em português, afinal, essa pouca vergonha de casamento gay realmente não faz sentido.

1. Ser gay não é natural. Brasileiros de verdade sempre rejeitam as coisas artificiais, como lentes de contato, poliéster e ar condicionado.

2. O casamento gay vai encorajar pessoas a serem gays, da mesma forma que sair com pessoas altas vai fazer você ficar mais alto.

3. Legalizar o casamento gay vai abrir um precedente pra todo o tipo de comportamento maluco. As pessoas podem até querer casar com seus bichos de estimação.

4. O casamento hetero esteve aí este tempo todo e nunca mudou: mulheres continuam sendo propriedade dos homens, negros não podem casar com brancos e o divórcio continua ilegal.

5. O casamento hetero perderia o sentido se o casamento gay fosse permitido. O sacramento do casamento só de zoação de 55 horas da Britney Spears seria destruído.

6. Casamentos heteros são validos porque produzem crianças. Casais gays, pessoas inférteis e pessoas velhas não devem ter o casamento permitido, porque nossos orfanatos não estão cheios o suficiente, e o mundo precisa de mais crianças.

7. Obviamente pais gays só criam filhos gays, assim como casais heteros só criam filhos heteros.

8. O casamento gay não tem o apoio dos religiosos. Numa teocracia que nós vivemos, os valores de uma única religião têm que ser impostos sobre todas as pessoas do país inteiro. É por isso que temos apenas uma religião no Brasil.

9. Crianças nunca podem ter sucesso sem o papel de um modelo de homem e mulher em casa. É por isso que na nossa sociedade é estritamente proibido pais ou mães solteiros criarem crianças sozinhas.

10. O casamento gay vai mudar os fundamentos da sociedade; nós nunca poderemos nos adaptar a novas normas sociais. Assim como nós não nos adaptamos aos carros, ao terceiro setor, vidas mais longas e a internet.

*Quem não sabe o que é ironia, por favor, desconsidere este texto.

Por quê a sexualidade NÃO É opção






















Uma pergunta inicial : Você, que acredita que a sexualidade é uma opção,
Gostaria muito de saber em qual momento da sua vida você teve a opção de escolher
sentir atração por homem ou por mulher. Se você pudesse compartilhar conosco nos comentários.. Eu realmente gostaria de saber como é acordar e dizer:
“- ÓH, QUE DIA LINDO, acho que hoje vou sentir atração por homens e levar um golpe de lâmpada fluorescente no rosto”
Mas infelizmente a sexualidade – assim como a cor da pele, NÃO É UMA ESCOLHA.

Quantas vezes ouvimos dizer, vemos na TV, lemos que uns devem respeitar a opção sexual de outros? Será que nunca pensaram na possibilidade de isso não ser uma questão de opção? É uma profunda falta de conhecimento falar que isso se trata de uma escolha, como se alguém pudesse escolher ser gay ou heterossexual com um clique.

Primeiramente é preciso relembrar algo que, parece simples, mas não é: a terminologia. A Organização Mundial de Saúde excluiu o “homossexualismo” da lista de doenças em 1° de janeiro de 1993. Essa situação já fez mais de 15 anos e tem profissional que ainda não percebeu isso. Assim, houve uma mudança na nomenclatura. Você deve se lembrar das suas aulas de português no colégio, onde aprendeu que sufixos “ismo” denotam doenças. Portanto, o termo homosexuaLISMO está equivocado, ultrapassado e pejorativo. O correto é HomossexuaLIDADE. Isto é bastante relevante, especialmente para profissionais e estudantes, pois temos obrigação ética de usar as terminologias corretas.


“Homossexualidade é opção?”


Esta é uma pergunta muito comum, do senso comum (por isso a coloquei entre aspas), em relação à homossexualidade. Em muitos casos, infelizmente, há pessoas que chegam a afirmar isso de modo categórico.

As pessoas querem logo a resposta, querem logo saber a causa – como se tudo necessariamente pudesse ser explicado ou determinado por uma única causa. Se nasce assim ou se aprendeu; se é uma condição ou uma escolha.

Ouço muito, da boca de muitas pessoas: “homossexualidade é opção”. Já ouvi até mesmo gays dizendo isso. Penso da seguinte forma: é uma frase muito genérica e vaga para uma questão tão complexa. É tão vaga que pode adquirir diversos sentidos.

Uma vez vi na televisão um gay dizendo isso: “é uma opção, sabe”. Ele se sentia como um paladino da liberdade ao dizer isso. Dizia com gosto, com orgulho que era uma escolha, uma opção.

Há também, e com muito mais frequência, pessoas conservadoras e machistas que dizem isso. E o sentido subjacente costuma ser: “se escolheu isso, poderia ter escolhido o contrário; sofre preconceito porque quer; seja homem!”. Ou então: sendo opção, logo é safadeza, moda ou falta do que fazer.

E a grande questão é: então o homossexual escolhe isso, ser uma espécie de pária da sociedade? Alguém escolhe isso para sua vida: ser discriminado, diminuído, excluído, maltratado e humilhado? Não? Pois é exatamente assim que os homossexuais são tratados. Se a homossexualidade é uma opção, então completemos a frase: é opção & masoquismo. Pois somente alguém que tem prazer em sofrer é que poderia escolher esta opção.

Se a orientação sexual é uma opção, logo as pessoas escolhem gostar disso ou daquilo, querer isso ou aquilo. E quem é que tem esse poder: escolher do que vai ou não gostar, querer?

Se a orientação sexual é uma opção, logo existe escolha consciente. E pode se dizer que se trata de algo mais ou menos parecido com, por exemplo, o ato de votar: você vai lá e marca um x. Portanto, chegam a ser ridículas as implicações lógicas que tal bobagem produz.

Quando se é gay, tem-se que amadurecer 100 anos em 10 e muitas vezes sem compreender nada, sem ter cabeça pra isso. Já passou por algo semelhante? Ser involuntariamente alguém fora dos padrões?

Porém, continuemos, até o absurdo. Sim, pois todo equívoco desemboca no absurdo.

Definições:

1. Homossexualidade é a predominância de atração sexual por pessoas do mesmo sexo.

2. Heterossexualidade é a predominância de atração sexual por pessoas do sexo oposto.

3. Bissexualidade é a atração sexual por pessoas de ambos os sexos, sem a predominância significativa de qualquer orientação.

Ter preconceito e homofobia . Isso sim é uma opção.


STOP HOMOFOBIA

PROFISSÃO DRAG QUEEN
















O Brasil é um país de cultura diversificada e gigantesca, mas quando se trata de diversidade sexual e travestismo, os brasileiros se tornam até ignorantes em muitos aspectos.

Pouca gente faz idéia do quanto é difícil ser Drag Queen no Brasil, o preconceito é a maior barreira para esse trabalho. Pouca gente sabe também o quanto é uma profissão bonita e honesta.

Pra você ter uma ideia, na Espanha, uma Drag Queen ganha mais de 5 mil dólares por semana, sendo chamadas até para animar festas infantis. No Brasil a maioria trabalha em boates GLBT, ganhando muito menos.

O que significa a palavra Drag Queen :

Vem lá do tempo de Shakespeare e quer dizer DRess As Girl, ( DRAG). No tempo em que as mulheres não podiam representar no teatro, eram os homens que o faziam, por isso quando tinham que interpretar papéis femininos no início dos textos teatrais vinha esta indicação.
D.R.A.G: drass as a girl, ou seja, vestido como uma mulher.

É importante diferenciar drag queens de travestis. Mesmo que sejam categorizados como cross-dresser, transformistas, ou no popular, homens que se vestem de mulher, ambos estão inseridos em meios sociais distintos, uma vez que as drag queens atuam sob um conceito mais flexível de travestismo.

Embora sejam atores transformistas, as drags distinguem-se dos travestis por andarem, em seu cotidiano, vestidos de homens, exercendo também profissões diversas, não afeitas ao transformismo durante o dia. Travestis e transexuais permanecem travestidas em seu cotidiano, e não o fazem de maneira exagerada e caricata. Ou seja , para entretenimento.


Drag queens nem sempre são homossexuais

Observando as drag queens em casas de shows, tornam-se mais claras as diferenças que distinguem travestis das drag queens, sendo que as performances destas últimas estão relacionadas com as artes cênicas e interpretativas: dublam, dançam e encenam. Além disso, enquanto os travestis permanecem vestidos de mulher em seu cotidiano, as drags não. Percebe-se que estas se situam, com mais facilidade, tanto no universo heterossexual como no homossexual, uma vez que se inserem em espaços sociais e culturais para suas performances artísticas, enquanto que os travestis sofrem com a exclusão social, sendo sua imagem associada à marginalização e prostituição.

As drags “montadas” sempre possuem características femininas, mesmo que sejam consideradas caricaturas de uma imagem feminina. A apropriação que as mesmas fazem destas características é explicitada através de suas montarias e indumentárias, incluindo-se aqui aspectos como a maquiagem, as espumas que contornam os seios e os quadris, além de perucas e outros possíveis artifícios utilizados na composição de seus corpos femininos. Além de uma apropriação física de características desse gênero, as drags expressam também, por intermédio de seus comportamentos, sua identificação com a feminilidade. Quando estão trabalhando, ou simplesmente atuando, demonstram preocupação com a manutenção da imagem de suas personagens, adotando posturas e atitudes que as caracterizem.


“Ah, as pessoas pensam que drag queen vende o corpo, que drag queen é prostituição, porque está vestido de mulher, aquela coisa toda, se prostitui. Eu trabalho há nove, dez anos nessa área e nunca, nunca fiz um programa, tá entendendo? Nem de drag queen, nem no meu estilo comum .”
-Comentário de uma Drag sobre o preconceito.


É de se parabenizar o trabalho das drag queens que vão na boate animar o evento, dançar ou simplesmente dar o seu brilho. Todas são vitoriosas.


Quer entender mais sobre o assunto?

Priscilla - A Rainha do Deserto

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Transexuais e Travestis: Qual a diferença?
























Transgêneros surgiu para englobar Transexuais e Travestis. Para "facilitar" , porém muita gente que não tem contato com o meio gay acaba achando que os dois são a mesma coisa – e não são.

E pra explicar isso, vou me apropriar aqui de algumas definições do Dr. Cláudio Picazio, sexólogo, que conseguiu isolar os quatro pilares da sexualidade humana e explicar como que esses pilares se combinam, formando as mais diferentes variações de gênero, identidades, papéis e orientações sexuais.

Gênero é o seu sexo biológico. É o que o médico vê quando você nasce.
São dois: Homem e Mulher.

Condição Sexual tem a ver com desejo, com atração. Quem te atrai fisicamente? Alguém do seu sexo? Alguém do sexo oposto? Tanto faz? São três, respectivamente: Homossexual, Heterossexual e Bissexual.

Papel Sexual tem a ver com comportamento.
Você é mais masculino ou mais feminino?
Uma mulher caminhoneira está num papel masculino. Um homem que pinta as unhas está num papel feminino. (Esses exemplos na visão da sociedade como maioria)


Note que Papel Sexual não tem nada a ver a com Condição Sexual – ou seja, um homem afeminado ou uma mulher masculinizada não necessariamente são homossexuais. Assim como um cara todo machinho não é necessariamente hetero. Papéis sexuais são grande fonte de discriminação, uma vez que é exatamente como a sociedade percebe você. E se esse papel não está em acordo com o que se espera do seu Gênero, o povo se escandaliza.

Ou inventa coisas como os metrossexuais, por exemplo, pra poder absorver homens em papéis mais delicados.

Mas o mais complicado dos pilares é o da Identidade Sexual. E é exatamente ele o responsável pelos travestis e transexuais, ainda que de forma diferente. Identidade Sexual é como você se percebe. Alguns chamam de sexo cerebral.
Na sua cabeça, você acha que é o que? Homem ou Mulher? Um menino hetero típico tem gênero masculino, papel masculino, orientação heterossexual e identidade é masculina. Ponto. Mas um "gay" típico, enrustido, tem gênero masculino, papel masculino, orientação homossexual e uma identidade também masculina. Ele não quer ser mulher, ele só curte outros garotos. A única diferença entre um menino gay e um hetero é sua orientação sexual. E o mesmo vale pras meninas hetero e lésbicas e entre todos estes e os bissexuais.

No caso das transexuais, porém, a identidade sexual não está de acordo com o seu sexo biológico. Independente do gênero (podem nascer homens ou mulheres), papel (tem os mais masculinos até os bem efeminados) e orientação (existem transexuais hetero e transexuais homo), o que define o transexual é que seu corpo é de um sexo, mas seu cérebro é de outro. São mulheres presas num corpo de homem, ou vice versa.

Imagine você um belo dia acordando, indo pro banheiro, e de repente seu sexo foi trocado! Você ainda é você, pensa como você pensa..
Por isso que as transexuais tem repulsa ao seu corpo. Simplesmente não é o corpo delas. Elas não se identificam com NADA ali. Tudo o que querem é mudar tudo.

Se uma pessoa procura ou anseia por uma operação de mudança de sexo, onde o pênis é totalmente removido, pode ter certeza: Trata-se de um transexual.

Já com os travestis, é um pouco diferente, mas num nível fundamental. Não se sabe ainda como, nem por quê, mas os travestis não tem uma identidade só, masculina ou feminina. Eles têm as duas. Eles se sentem homem e mulher, os dois conceitos se misturando dentro deles como ingredientes num liquidificador. Ora eles se sentem mais femininos, ora mais masculinos, mas ambas estão sempre presentes e eles não têm o desejo de anular nenhum dos dois lados. Infelizmente, seus corpos nascem com apenas um sexo – homens ou mulheres. O que eles fazem então? Adaptam o seu corpo para alcançar, o máximo possível, essa outra metade da essência deles que veio faltando.

Quem começa a pensar um pouco sobre isso, vai vendo o quanto é complicado definir orientação sexual quando falamos de transgêneros. Uma trans que curte mulher é o quê? Hetero? Afinal, ela nasceu homem... Mas sua identidade é feminina, então cabe mais dizer que ela é lésbica. E, portanto, as transexuais que namoram e casam com homens (como a mais famosa delas, Roberta Close), não são homossexuais, são hetero. Afinal, elas sempre foram garotas – só tinham um pequeno problema...

E os travestis? Com relação a travestis, essa definição de hetero e homossexual perde totalmente o sentido... O que podemos dizer é que existem travestis que gostam de homem, travestis que gostam de mulheres e os que gostam dos dois. Mas eles não se encaixam nessas definições de condição sexual existentes. O mesmo se diz das pessoas que gostam de travestis – elas não são hetero e não são gays, são simplesmente pessoas que gostam de travestis. E ponto. Até criou-se um nome para eles: T-lovers.

É, já dizia Hamlet, “existem muito mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia...” esse papo de papel sexual pode dar um nó na cabeça de qualquer um..

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ELE ESTÁ CURADO!

















Pela primeira vez, médicos usam a palavra cura ao se referir à recuperação de um doente de aids. Como esse caso singular pode revigorar as pesquisas

O microbiologista francês Louis Pasteur costumava dizer que a sorte sorri para as mentes preparadas. O incrível caso do americano Timothy Ray Brown, de 44 anos, parece confirmar a tese. Tim, como é chamado pelos amigos, viveu vários anos com o vírus HIV. Tratava-se com o coquetel de drogas e trabalhava como garçom num café de Berlim. Era mais um de tantos soropositivos que, graças ao avanço do tratamento, levavam uma vida praticamente normal. Em 2006, no entanto, ele descobriu que também tinha leucemia, um tipo de câncer que ataca o sistema de defesa. Tim procurou o médico Gero Hütter, um jovem oncologista que entende de leucemia, mas nunca havia atendido um doente de aids. Foi aí que a sorte começou a conspirar a favor dos dois. Tim precisaria passar por um transplante de medula. Hütter decidiu escolher um doador especial, com uma mutação que o torna naturalmente resistente ao vírus HIV. O resultado surpreendeu o mundo. Desde 1996, os cientistas sabem que cerca de 1% dos europeus têm essa mutação antiaids. Ela não ocorre na população negra nem asiática. A mutação faz com que as células de defesa do organismo não tenham uma molécula chamada de CCR5. Ela é usada pelo HIV para invadir as células humanas. O que poderia acontecer se as células de defesa de Tim fossem totalmente aniquiladas pela quimioterapia e, em seguida, ele recebesse um novo sistema imune capaz de resistir ao vírus?
Hütter tinha uma bela hipótese em mente e decidiu testá-la. A sorte lhe sorriu. Tim deverá entrar para a história como a primeira pessoa no mundo a se livrar do vírus da aids – um fato inédito desde que a doença foi descrita, em 1981. Ele é um caso único entre os 60 milhões de pessoas que já foram infectadas desde o início da epidemia. A vitória de Tim sobre o vírus foi anunciada em um artigo publicado na revista Blood, uma publicação da Associação Americana de Hematologia.
A equipe de Hütter, da Universidade de Medicina de Berlim, garante ter reunido evidências suficientes para afirmar que o vírus HIV foi erradicado do organismo graças ao transplante de medula óssea. “Eu chamo isso de cura”, disse Hütter a ÉPOCA.
Três anos e meio depois do transplante, os médicos não encontraram sinal do vírus – mesmo usando as técnicas mais avançadas de diagnóstico. Ainda assim é possível que o HIV ainda esteja escondido em poucas células em algum ponto do organismo. Se isso estiver ocorrendo e o vírus voltar a se manifestar no futuro, será o fim do entusiasmo em torno da primeira cura da aids.
“É difícil afirmar que o paciente está definitivamente curado e que o vírus foi eliminado de todos os compartimentos de seu organismo”, diz a bioquímica Françoise Barré-Sinoussi, ganhadora do Nobel de Medicina em 2008 pela descoberta do vírus HIV, junto com Luc Montagnier. “No entanto, os dados do artigo são muito interessantes porque demonstram que não há nenhum traço do vírus ou dos reservatórios virais em partes importantes do organismo, como o intestino.”

"Hoje com mais de 50 anos, geração pré-Aids está mais exposta ao vírus", diz médico













O médico infectologista Jean Gorinchteyn, especialista no tratamento de Aids em idosos, no Instituto Emílio Ribas

Com seis anos de experiência no ambulatório de idosos soropositivos do Instituto Emílio Ribas, em São Paulo, o infectologista Jean Gorinchteyn notou uma lacuna grave nas campanhas de prevenção da Aids: elas não se dirigem às pessoas que têm mais de 50 anos.
O resultado, segundo o médico, é a presença, no hospital, de mais senhores e senhoras infectados com o vírus, e "das formas mais banais". O público nessa faixa de idade é pouco acostumado ao uso da camisinha e ignora os riscos de contágio.
Para contornar esse cenário, Gorinchteyn escreveu "Sexo e Aids Depois dos 50", livro que reúne muitas informações práticas sobre o tratamento e o diagnóstico, além da história da doença.
Mas o coração da obra são os depoimentos de quatro mulheres e dois homens entre 61 e 75 anos. Eles relatam como contraíram uma doença que até então acreditavam ser exclusiva de jovens.
Nas orelhas há depoimentos de Lima Duarte, Paulo Goulart, Nicete Bruno e Adriane Galisteu, célebres que, segundo o médico, dão mais visibilidade ao alerta.

Leia os principais trechos da entrevista.



Folha - Pessoas acima dos 50 são o novo grupo de risco?
Jean Gorinchteyn - Todos somos grupos de risco, mas criamos condições de essas pessoas mais velhas se tornarem vulneráveis, sem direito à prevenção. Representam o grupo de maior risco, hoje. As outras faixas etárias estão protegidas: houve redução da transmissão infantil e no número de infectados entre a população de 14 a 49 anos.

Quais os números de infectados nessa faixa etária?
Até 2002, tínhamos uma média de 17 pessoas acima dos 50 com HIV por 100 mil habitantes. Isso dobrou naquele ano: saltou para 40 pacientes por 100 mil habitantes, nível que vem se mantendo. Se os níveis se mantêm é porque essa população não foi alertada. Nas outras faixas, isso tem diminuído.

De que forma as pessoas de mais de 50 contraem o vírus?
Entre os mais velhos, 89% das contaminações se dão por via sexual, como nos jovens. A diferença é que o jovem hoje se contamina se quiser. Ele sabe como usar o preservativo e onde encontrar. Os mais velhos, não. Dizem que não sabiam usar. Já não usavam o preservativo de forma habitual, porque o látex era duro e grosso, só usado para evitar a gravidez.


Mulheres de mais de 50 têm comportamento arriscado?

A situação da mulher é muito clara. Ela sabe que se contaminou ou com o marido que teve relação extraconjugal ou com o seu novo namorado. Casos de contaminação por relacionamento eventual são raros no ambulatório onde atendo. E naquelas que tiveram uma relação eventual, a contaminação ocorreu só com um parceiro. Ela tende a ter um perfil mais vitimizado.

Há mais senhores infectados?
Há muito mais homens. Em jovens, é quase um meio a meio. O homem é sempre mais infectado porque a mulher mais velha entra na menopausa e começa a ter um declínio hormonal, que faz com que ela tenha o seu desejo diminuído. Muitas vezes ela opta por não ter relação e compensa isso com o fato de ser mãe, avó, companheira. O homem, não. O decréscimo hormonal é mais lento. O homem vai procurar relações fora e daí se contamina. Muitas vezes ele nem contamina a mulher, porque o casal não mantêm mais relações.

O Viagra ajuda a explicar o contágio maior nessa faixa?
Só poderemos medir esse impacto daqui a três anos. Mas é certo que essas medicações fizeram com que o individuo melhorasse o desempenho e com isso se relacionasse mais, muitas vezes sem preservativo.

Como os mais velhos lidam com o diagnóstico?
É comum aparecer o questionamento sobre a forma como eles contarão para suas mulheres, filhos, netos. Muitos são pessoas que já assumiram papéis sociais. O diagnóstico vai trazer um demérito, uma depressão. Eles se sentem envergonhados. Alguns até hoje não contaram a filhos e netos. Alguns filhos se revoltam. O câncer traz os netos, estimula a família, mas a Aids, num primeiro momento, não. O indivíduo não é visto como vítima. Às vezes, acaba abandonado.

O que deveria mudar em termos de propaganda para atingir essas pessoas?
A publicidade deveria escolher pessoas com esse perfil e que pudessem falar e lembrar que quem tem mais de 50 também corre o risco de pegar Aids e precisa usar camisinha. Seria importante que essas pessoas fossem incentivadas em outros tipos de campanhas, da mesma forma como se faz mutirão da catarata, do colesterol.
O livro mostra o preconceito em relação aos mais velhos, na área da saúde.
Não é só da área da saúde. Quando a gente fala de um homem de 50, tudo bem aceitar que ele tem vida sexual. Mas quando se fala num homem de 85 tendo vida sexual, as pessoas brincam. Somos preconceituosos de formação. Não crescemos habituados a ouvir isso. Olhávamos nossos avós como figuras assexuadas. Quando essas pessoas têm relações sexuais, isso choca. Muitas pessoas com 70, 80 têm condições físicas maravilhosas, se aposentam e continuam trabalhando, provendo a casa, ativas. Por que a vida sexual não seria mantida?

Prostitutas, gays, lésbicas, portadores de HIV e negros são protagonistas Objetivo é alertar a sociedade para os diretos humanos

A Organização das Nações Unidas (ONU) lançou nesta segunda-feira (16), no Palácio do Itamaraty, no Centro do Rio, a campanha “Igual a Você”, para combater o preconceito. O objetivo é conscientizar a sociedade sobre a discriminação contra estudantes, gays, lésbicas, portadores do vírus HIV, negros, prostitutas, refugiados, transexuais, travestis e usuários de drogas.
“Todos nós que sofremos preconceitos devemos mostrar a cara, assim ajudamos no equilíbrio da civilidade”, disse Gabriela Leite, ex-prostituta, diretora da ONG Da Vida e uma das participantes da campanha.
Dez filmes de 30 segundos serão veiculados em emissoras de todo o país. Os personagens são as próprias vítimas de preconceito, como Jacqueline Rocha Côrtes, professora de inglês, ativista da ONU e portadora do HIV há 15 anos.
“É preciso mostrar a cara para salvar o corpo. A importância de participar dessa campanha é que essas questões passam a ser discutidas. É uma alegria poder contribuir para um mundo mais equânime e ainda junto com o meu marido, que aceitou a mostrar a cara junto comigo”, declarou ela, que é casada com Vitor Côrtes, também portador da Aids.
“Estima-se que 600 mil pessoas vivem com o HIV no Brasil e quase dois terços não sabem”, revelou. Segundo ele, as que sabem sofrem com situações de discriminação.
Chequer disse ainda que o Brasil está bem representado na questão do tratamento e da prevenção da Aids, porém a grande dívida do país é com a discriminação que ainda existe com os portadores do vírus.
Em pesquisa, 92% assumem que existe preconceito contra gays
Uma pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo em 2009 revelou que 92% dos entrevistados assumem que existe preconceito contra gays e lésbicas no Brasil. Desses, de 26% a 30% admitiram que têm preconceitos.
“O Brasil é o número um da lista de assassinatos a participantes da comunidade LGBT, são cem por ano” disse Chequer, acrescentando que nas zonas rurais do país são onde existe mais preconceito com gays.

Respeito às diferenças

Além da UNAIDS, diversas agências da ONU estão representadas na campanha contra as práticas discriminatórias, como humilhações, agressões e acusações injustas.
A oficial do Programa de Educação Preventiva para HIV/Aids da Unesco, Maria Rebeca Otero Gomes, alertou sobre a falta de material didático sobre esses grupos discriminados e ainda professores preparados. A conseqüência, segundo ela, é a evasão escolar e a queda no desempenho.
“São passos lentos, porque comportamento é difícil de ser mudado, mas estamos avançando”, disse ela.

Jovens Positivos














Jovens soropositivos procuram uma vida chamada normal, mas temem a discriminação de todos os seguimentos da sociedade aonde vivem principamelmente por fazerem parte da comunidade GLBT.
Os adolescentes portadores do HIV/AIDS e seus respectivos cuidadores tais quais, pais, familiares e cuidadores institucionais, revela que os jovens soropositivos almejam construir famílias e carreiras profissionais, porém sofrem do estigma da doença.
O estigma e a discriminação sentida pelos adolescentes geram barreiras e limitações e conseqüentemente cria uma barreira muito grande entre a felicidade e suas metas futuras.
A culpa e medo são os sentimentos principais que tanto as pessoas que trabalham ou interagem diretamente com esses jovens sentem no momento de falarem sua sorologia, mas depois de desconstruírem essa barreira se sentem aliviados.
Os jovens positivos possuem grandes desejos em suas vidas, muitos mencionam em ter filhos, constituir famílias com um parceiro ou parceiras, mas ainda há o medo e comentam sobre infecções.
Os grandes receios quanto à discriminação podem atrapalhar suas carreira e relações pessoais.
As unidades de saúde não sabem acolher bem esse público ainda e com isto os tratamentos desses jovens tornam-se precários. Muitos se tratam no silêncio, escondidos dos amigos, familiares e de sua própria comunidade. Vários confessam que preferem pegar seus medicamentos no outro lado da cidade, por se sentirem muito preocupados de encontrar algum vizinho, um parente ou ser apontado na comunidade como positivo.

Educação um Rito de Passagem para as Jovens Travestis

A princípio educação é direito de todos decretado pela constituinte. Mais básico do que isto impossível. Porém não é assim que as regras do jogo da burocracia e do estigma funcionam.
A ditadura da moral e bons costumes são imperativos em se tratando de lidar com a diferença de gênero. Não estou aqui me referindo ao gênero feminino ou masculino, mas ao travesti ou o menino se transformando em travesti. Ou bem dizendo tentando ser ele mesmo do jeito que ele se sente bem. Uma dupla luta de sobrevivência. Ser você deseja ser travesti ao mesmo tempo.

A escola não esta preparada para receber a diversidade, aceitar e educar o jovem travesti. A falta de educação, solidariedade e preparo de educadores são fatores fundamentais para o afastamento definitivo do jovem travesti, do menino mais frágil do delicado assim chamado pelos demais das escolas. Conseqüentemente um desastre na vida desses atores sociais.

Todos os travestis jovens e adultos são unânimes em mencionar escola com um dos piores rituais de passagem de suas vidas.
Quando é questionado o porquê de não estar vinculado em uma entidade educacional?
A resposta desses meninos é unânime; os diretores, professores e funcionários são seus piores algozes. Isto sem mencionar o excesso de enfrentamentos com os outros estudantes. Tortura psicológica, seqüência de evasão escolar.
Durante todo esse processo de observação também a família tem um papel fundamental na formação desses meninos chamados diferentes. A família não estimula o jovem a prosseguir nos estudos. Sentem-se constrangidos por terem um filho afeminado. Preferem deixar o menino jovem dentro de casa nos afazeres do lar. Enfatizam que ele não nasceu para os livros. Dando mais atenção para os outros filhos não afeminados.
Sem o suporte dos familiares e dos educadores esses atores sociais preferem ou são obrigados a deixarem a escola.

VAGNER ALMEIDA

“Uma sopa de entulhos e contradições”















Em 1989, quando a primeira peça de teatro sobre HIV/AIDS intitulada “Adeus Irmão Durma Sossegado” escrita e dirigida por mim e produzida pela minha extinta companhia de teatro “Somos Dois Produções Artísticas” no Teatro de bolso de 70 lugares na Alliance Frances de Copacabana, no Rio de Janeiro, foi um BOOMMM de protestos dentro da classe teatral e artística.
Todos os argumentos foram levantados e um dos mais interessantes era que o título não era comercial. Mas com a supervisão geral do antropólogo Richard Parker, juntos conseguimos levar aos palcos a AIDS com temas totalmente brasileiros.
Era a AIDS dentro da casa de cada um de nós. A AIDS mãe, pai, filhos, solteiros e casados, homossexuais e heteros. Uma época em que ainda a população desconhecia alguém muito próximo infectado com o vírus. Isto incomodou muitas pessoas. A própria mídia na época coloca a AIDS completamente inserida na comunidade gay e diz que o assunto está saturado, como se a epidemia não houvesse já ultrapassado essas barreiras. Com esse espetáculo, a desconstrução estava ali no palco, na frente de todos. Sem a mídia o espetáculo doava suas apresentações gratuitamente para os grupos de apoio de AIDS como ABIA – Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS, ATOBÁ, que nos doavam preservativos e o Pela Vidda Rio de Janeiro, e outros grupos, que começavam a surgir. Tudo muito braçal e a epidemia já estava instalada na sociedade brasileira há mais de 10 anos oficialmente. Total negação tanto da população e da mídia. As piadas na época se multiplicavam e a moralidade se expandia sobre aqueles que eram descobertos soropositivos. Época muito difícil para todos e de grandes perdas.
O espetáculo foi registrado com uma câmera VHS da Sony, documento esse que será exibido em breve na mídia e no site www.vagner.de.almeida.com

Para a ironia do destino, nenhum canal de televisão quis dar uma nota se quer sobre o espetáculo. Algumas emissoras de TV que procurávamos ou nos telefonavam, diziam que o assunto era importante, relevante, mas o público não estava preparado para ouvir, falar sobre a Peste Gay no Brasil. – No mesmo período, centenas de amigos, conhecidos das classes artísticas já se encontravam infectados e alguns já haviam morrido ou se escondiam da mídia e faleciam no anonimato. Pouquíssimos foram descobertos pela mídia e tiveram ou tiveram a coragem de expor a sua soropositividade estapandas nas mídias nacionais. Adeus Irmão Durma Sossegado, seria a primeira peça original em português, pois outros textos apresentados no Brasil, nesta época, foram traduções de espetáculos que eram importados dos Estados Unidos. Como a “Mancha Roxa ’ e tantas outras.

Alguns jornais de massa, ou bem dizendo, algumas colunas de famosos como a coluna de Ibrahim Sued e o Caderno de Domingo Teatro do JB e Walter Rizzo do Jornal dos Esportes deram uma notinha de rodapé em suas colunas.
Jornais alternativos como Letras e Artes, Papo Teatral, Nós Por Exemplo, Boletim ABIA, Jornal de Hoje, Jornal do Teatro, Revista de Teatro da SBAT apareciam nas noites de espetáculo e me perguntavam o porquê de estar fazendo aquilo? Pois a epidemia então era uma coisa muito distante da sociedade brasileira. – Raras notas foram vinculadas nos grandes veículos de massa na época sobre Adeus Irmão Durma Sossegado,. Pelo contrário da ausência da mídia, muitas pessoas começavam a vasculhar esse universo, através da peça. Estudantes, futuros ativistas, mulheres de todas as classes sociais, gays, lésbicas, travestis eram o público de massa todas as noites.
Em 1990 insistindo com o tema, e lutando contra a maré logo em seguida surge o meu segundo espetáculo escrito e dirigido intitulado “Estou Vivo”, com o mesmo tema AIDS. Mas só que desta vez o que queríamos era falar sobre vida e conseguimos fazer uma trajetória muito mais positiva, pois a sociedade nos início dos anos 90 foi obrigada a engolir a AIDS crua pela garganta abaixo. Os casos se amontoavam tanto nos leitos hospitalares, e a mídia retomava o tema com a chegada do AZT publicamente.
Nesta época, mesmo com a mídia perversa bombardeando as manchetes com alarmismos, trouxe uma contribuição, muitas das vezes não muito positiva, para a sociedade e pessoas de peso tomaram a frente da campanha contra o HIV/AIDS. Personalidades dos meio artísticos começavam a se destacar como ativistas, colaboradores, infectados, mães, irmãos começaram a colocar a cara na frente das câmeras e as novas faces da epidemia como a do Betinho, Cazuza, Sandra Brea e tantos outros foram se organizando para uma luta que duros anos a fio, sem intervalo ou piedade.
Décadas necessitaram para que a mídia, mesmo que equivocada muitas das vezes, pudesse aderir ao movimento da luta contra AIDS. Muito necessitaram morrer, para que a sociedade acordasse e percebesse que negar seria uma tragédia mundial, como tem sido em tantos outros países do mundo.
Hoje parece que todos estão informados, sabem de tudo sobre a epidemia e irocamente os números continuam crescendo entre todas as classes sociais e gêneros dentro da população brasileira e tendo um dos melhores programas de AIDS do mundo.

VAGNER ALMEIDA

Eu na platéia do meu primeiro crime homofóbico.













Aos meus sete anos vejo o primeiro homossexual ser espancado na minha frente e não sabia o porquê de tanta violência contra Marquinhos, aquele menino que servia as pessoas nos sortidos e sujos buracos da comunidade em que vivíamos.

Foi torturado por muitos, que em surdina o usava sexualmente também.

O pai, a mãe, vizinho e parente meus, meus próximos também o reduziram a zero.

Com a cabeça entre as mãos, defendia a o crânio e a face dos chutes, socos e tapas que levava e inutilmente pedia por ajuda.
Ninguém o socorreu ninguém lhe estendeu as mãos, ninguém teve compaixão daquele menino adolescente de 13 anos de idade, que nem sabia que o seu crime era gostar de rapazes, homens com H maiúsculos. Homens heteros flexíveis, que também gostavam de se deitar com outros homens nas moitas secretas da vila onde morávamos.

Impressionante que os mesmos que usavam Marquinhos, foram os que mais o açoitaram sem dó ou piedade naquele dia.

A lição que aprendi naquela tarde sombria é que eu não poderia ser igual ao Marquinho ou tudo aquilo que presencie passivo perante tanta violência me amendrotava, me apavorava poderia ocorrer comigo também.

Passei anos a fio encurralados nos meus desejos mais nobres e íntimos. O medo superou qualquer expressão de liberdade que pudesse vir a ter. Só em pensar eu acreditava que estaria me denunciando a comunidade que julgava em praça pública. Suava só de pensar. A testa minava de tanto pavor.

Na minha comunidade todos que transgrediram foram parar no tribunal popular. Um local marcado por cenas de violência, recreação e confraternização em épocas especiais na vida daquelas pessoas.

Várias pessoas ali tiveram suas vidas decepadas, aniquiladas, escurecidas, por não poderem ser oque eles queriam ser.

Mulheres casadas expulsas por fornicarem, homens que adulavam crianças, senhores velhos babões que se engraçavam com as filhas ou mulheres alheias. Um verdadeiro corredor polonês da moral e bons costumes.
Ninguém chorou inclusive eu.

Marquinhos aos 17 anos foi encontrado estrangulado por alguém que o usou sexualmente em meio a um matagal que brincávamos quando crianças e adolescentes.

Muitos de nós, incluído eu tivemos os nossos rituais de passagem para a fase do sexo, da perversão, da sacanagem, no mesmo local aonde foi encontrado o corpo de Marquinhos dias depois de ser assassinado por algum de nossos vizinhos ou por outro jovem homofóbico mais forte do que ele. Ninguém soube quem foi ou procuram saber. Remexer no caso era na época uma coisa sortida, suja, descenessária. Melhor esquecer-se do que mexer, descobrir quem pudesse ter sido tão vil com a vida de Marquinhos. Para muitos ele era um menino pervertido, um rebelde sem causa, uma mulherzinha, um afrescalhado. Um ser que necessitaria ser deletado mesmo e foi.

Marquinhos apanhou muito antes dessa tragédia assolar nossa comunidade. Apanhava de todos, pois muitos acreditavam que coças diárias poderiam desestimulá-lo da sem vergonhice que ele praticava.

Todos os meninos, crianças da comunidade eram proibidos de brincar com ele. Aproximar-se dele era uma coça na certa dada por nossos pais ou irmão mais velhos.

Ninguém viu, ouviu, ninguém notou que alguém o levou para o mato e lá o usou e depois o estrangulou.

No jornal da cidade, o único que existia e só saia aos domingos à tragédia continuou por semanas com as manchetes dizendo assim:

“Menor encontrado morto no matagal perto de sua casa”

“Estranho forasteiro suspeito de estrangular menino no mato”

Interessante que em nenhuma linha sequer das matérias sensacionalistas dominicais, poderia se ler uma única palavra sobre crime de ódio contra um jovem homossexual. Tudo censurando, cometido para não ferir os instintos mais sórdidos daquela comunidade, daquela cidade perdida no fim do mundo.

Por que Lágrimas Secas?

Ninguém chorou por Marquinhos! Sua mãe, seu pai, seus irmãos e irmãs pareciam que foram proibidos de expressar a dor através das lágrimas.

Muitos pêsames! Poucas rezas, pois até as rezadeiras do lugar resolveram fazer greve de reza no enterro de Marquinhos.

Quatro velas acesas sobre a mesa. O corpo de Marquinhos jazia solitário em uma sala de uma casa de cinco cômodos pequenos.

Da porta da sala, mas sem poder entrar para ver o meu amigo oculto sair de cena, podia ve-lo dentro do caixão vestindo uma camisa branca e uma calça preta. Seus pés foram vestidos com meias e sua mão descansava suave e descansada sobre o peito.

Minha mãe foi à única que depositou uma palma branca sobre seu corpo e fez pelo sinal da cruz. Rezou baixinho e saiu da sala me puxado bruscamente para irmos para casa.

Caminhamos em silêncio até o portão de casa e lá ouvi meu pai falar do fundo do quintal, se haviam muitas pessoas para ver aquele desavergonhado e concluiu que já havia ido tarde.

Senti naquele momento tanto ódio do meu pai, abaixei a cabeça e a noite com o rosto dentro do travesseiro chorei muito em silêncio.

Eu me lembro que tinha medo da morte, pois aprendemos no catecismo da igreja São Judas Tadeu, que só os maus iam para o inferno e o purgatório e os bons sentavam ao lado de Deus.

Eu não sabia se iria para o céu, pois tam,bém possuía os mesmos desejos do Marquinho pelos meus colegas, os quais possuíam desejos semelhantes por mim.

No escuro do meu quarto compartilhado com outros irmãos, via o rosto sereno de Marquinhos me acenando e sorrindo.

Era mito na comunidade que sonhar ou ver alguém rindo em seus sonhos era sinal de morte. Mas Marquinhos já havia morrido! Tinha sido assassinado. Interessante lembrar que na época não se pronunciava a palavra assassinato, mas sim morto.


A causa morte foi evitada até pelos policiais e o médico legista que estiveram no local. Mesmo sabendo que aquilo tinha sido um crime brutal, estupro seguido de estrangulamento, mesmo assim todos esses detalhes foram evitados, foram proibidos de serem mencionados na vila.

Sós os homens casados e viris foram permitidos de verem o corpo de Marquinhos no matagal com o calção de algodão marrom arriado e sua camisa transpassada pelo seu pescoço.

Nem Maria Moura, sua mãe e nem as suas irmãs lhes foram permitidas a ver o filho e irmão, que jazia sem vida no mesmo local aonde todos nós catávamos amoras, mexericas, limões galegos e bebíamos água da nascente que brotava de uma pedra, até então sagrada, mas que passaria a ser evitada para o resto da vida. Vida essa que menciono, pois anos mais tarde saímos daquela comunidade e fomos sobreviver em outra pior, aonde a intolerância, o racismo, o machismo, a violência doméstica alcançavam patamares larmantes.
Quem matou Marquinhos?

Todos os suspeitos eram homens casados, homens de bem, solteiros prestes a se casarem e constituírem famílias.

Ou como também havia a possibilidade de ser uma mulher que soube que Marquinho havia tido um relacionamento com o seu marido. Todos nós éramos suspeitos naquela comunidade. Todos sem exceção.

Por esse motivo do velório e o enterro de Marquinhos serem tão vazio, solitário, triste. Não havia lágrimas, compaixão de partes nenhuma.

Fui proibido de chorar por Marquinhos, pois ninguém chorava na comunidade e eu não podia chorar também. Pois naquele momento chorar a morte de meu amigo era confessar que eu, você seria como ele.

Marquinhos nunca soube que eu era amigo dele em silêncio. Eu o admirava, olhava com orgulho todo o corpo jovem dele, pois mesmo sendo escorraçado como foi e era pelos seus pais e conhecidos, mesmo assim eu o admirava pela coragem de ser o que ele queria ser.

Lembro-me que na saída do caixão dele da casa, carregado por quatros homens perversos da comunidade ouvi um dele mencionar para o filho menor de nove anos que seguia próximo a ele e o caixão.

“Viu o que acontece com pessoa igual a esse ai? – É morto para acabar com a sem-vergonhice. Homem tem que ser macho e não viado”

Para muitos a morte de Marquinhos foi mais que merecido, foi uma prova que não podíamos sair dos padrões de normalidades.

Lamentável a primeira morte de crime de ódio de menino homossexual que presenciei na minha vida.


VAGNER DE ALMEIDA

Homofobia e Crimes de Ódio no Brasil e no Mundo









Por Que Matamos As Pessoas?

Por que apertamos os gatilhos sociais, quando nos omitimos e não nos pronunciarmos contra os crimes homofóbicos, crimes de ódio, gerados pela intolerância humana?

A mão que toca um violão se for preciso faz a guerra, mata o mundo, fere a terra...

Como executamos os nossos iguais?

Amigos se vão de forma bárbaras. Morrem e caiem no esquecimento. A banalidade da morte é tão peculiar nos dias de hoje.

No início muita lágrima não quer ver o corpo, não sei o que fazer e assim vamos nos omitindo de tantas barbáries e deixando um corpo lá estendido no chão, na sarjeta, no beco ou no matagal.

Triste, lamentável, mas é a pura verdade.

Nos três primeiros meses do ano de 2008 foram registrados mais de 50 homicídios de gays no país. Estes foram os crimes registrados.

Um ano de violência homofóbica preocupante, pois esse dado não reflete a verdadeira realidade desses homicídios, pois muitos desses assassinatos não são oficialmente registrados nas delegacias de polícia ou nos laudos dos hospitais, pois muitas das vítimas nem chegam a serem reconhecidos depois da morte. São deletadas por completo, desde o sistema que deveria registrar esses homicídios, como as próprias pessoas que as enterram no social, no esquecimento, em uma cova rasa fria.

Enquanto nos Estados Unidos são mortos 25 gays por ano, no México o número chega a 35, no Brasil anualmente são assassinadas mais de uma centena! Um verdadeiro “não senso com a vida humana”

O único meio que encontrei de chorar, deixar as lágrimas brotarem em minha face, foi denunciando de forma passiva, pacata, calada, de forma inteligente, a morte brutal de cada um desses atores sociais, pois além de serem amigos, conhecidos e queridos, o mundo os levou de forma brutal.

Foram assassinados, simplesmente por serem gays, lésbicas, transexuais, simplesmente por não serem o que a sociedade idealizou como pessoas dignas de viver nas leis da moral e bons costumes. Essas mesmas leis que brotam nos templos que surgem em cada esquina ou fundo de quintal no território brasileiro. Verdadeiras máquinas de moer seres humanos.

Quando se tem uma sociedade em que predominam os valores machistas, religiosos, moralistas contra a comunidade LGBT, contra a mulher os negros, eles representarão a negação absoluta desses valores truncados, mal resolvidos, onde o espelho reflete a visão castradora dessa sociedade.

Um ex BBB, Felipe Cobra relata que, “dá porrada nos gays é significativo para ele”. Isto dito publicamente sem nenhuma punição. Neste exato momento outros Cobras estão se alinhando para poderem espancar, matar homossexuais e sem serem punidos.

A igreja católica e os grupos evangélicos são co-responsáveis pelo crescimento da intolerância, quando lutam contra os direitos civis das minorias sexuais.

Quando se ouve um pai falar para o filho, ao ver uma travesti passar a sua frente que; “nesse tipo de lixo, você pode bater, enche de porrada...” e o filho ri e concorda com o pai. Ambos deveriam ser presos, mas ouvimos, nos calamos e a travesti, o homossexual mais afetado, a lésbica masculinizada são alvos fáceis desses monstros sociais.

Seus amigos, meus amigos, morreram por falta de um espaço social civilizado.

Muitos foram torturados até a morte, outros simplesmente levaram tiros, facadas, pauladas, pedradas até perderem suas preciosas vidas ou ficarem com seqüelas para o resto de seus dias.

“Borboletas da Vida”, “Basta Um Dia” produzidos pela Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS - ABIA, e “Sexualidade e Crimes de Ódio” produção independente, são filmes documentários dedicados aos meus amigos, aos seus amigos e conhecidos. Os quais foram barbaramente assassinados, atrocidades de forma cruel.

Lamentável, inaceitável crimes de ódio contra o ser humano.


Vagner de Almeida

Brasil vai passar a produzir mais dois remédios contra AIDS



















Parceria viabiliza produção nacional de mais dois medicamentos para soropositivos
O Brasil vai passar a produzir a partir deste ano mais dois antiretrovirais usados no tratamento de AIDS: o Atazanavir e o Raltegravir. O anúncio foi feito nesta semana após a assinatura, na última terça-feira, 5, de Parcerias Público-Privadas (PPPs) entre o Ministério da Saúde e a indústria farmacêutica que vão produzir ainda medicamentos para o mal de Alzheimer, artrite reumatóide e doença de Crohn.

O Atazanavir será produzido pelo laboratório público Farmanguinhos e o privado Bristol Myers/Nortec. Já o Raltegravir fica a cargo do Laboratório Farmacêutico do Estado de Pernambuco (Lafepe) e do Merck Sharp & Dohme (MSD)/ Nortec. A previsão do governo é economizar R$ 700 milhões em cinco anos.
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USO DA CAMISINHA NO BRASIL















Mais de 95% dos brasileiros sabem que o uso do preservativo é a melhor maneira de evitar a infecção pelo HIV. Porém, apenas metade da população (45,7%) faz uso consistente do preservativo com seus parceiros casuais, sendo que os homens usam
mais preservativos que as mulheres e os jovens são os que mais fazem sexo protegido.
Fonte: Pesquisa de Comportamento, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos,