Bebês filhos de mães HIVpositivas que recebem dose diária do medicamento antirretroviral nevirapina durante seis meses reduzem pela metade sua chance de contrair a doença em comparação com crianças que recebem o medicamento diariamente durante seis semanas.
É o que sugere estudo realizado por pesquisadores do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas, nos Estados Unidos.
Resultados mostram que o uso prolongado de nevirapina conseguiu reduzir em 75% o risco de transmissão do HIV através do leite materno para os recém-nascidos de mães infectadas pelo HIV que ainda não tinham começado o tratamento para o HIV.
"O aleitamento materno prolongado reduz mortalidade infantil em locais que não dispõem de água limpa e segura, protegendo os bebês contra doenças comuns da infância, pois o leite materno contém anticorpos protetores da mãe que a amamentação artificial não oferece", disse Anthony S. Fauci, diretor do National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID). "Estes resultados mostram que dar aos filhos de mães infectadas pelo HIV um medicamento antirretroviral por dia durante toda a duração do aleitamento materno minimiza com segurança o risco de transmissão do HIV através do leite materno, preservando os benefícios da amamentação prolongada".
As descobertas se aplicam às mães e crianças em países em desenvolvimento, onde as doenças infecciosas, tais como gastroenterite e pneumonia frequentemente representam um risco de vida para as crianças muito jovens.
Ensaio clínico na África
O estudo, nomeado HPTN 046, que começou em fevereiro de 2007 e será concluído em julho de 2011, conta com a participação de mais de 1.500 pares de mães e bebês na África do Sul, Tanzânia, Uganda e Zimbábue.
As crianças participantes receberam nevirapina diariamente durante as primeiras seis semanas após o nascimento. Os recém-nascidos que permaneceram livres do HIV, em seguida, foram escolhidos aleatoriamente para receber ou nevirapina ou um placebo diariamente durante seis meses após o nascimento ou até a interrupção do aleitamento materno.
Os investigadores compararam as taxas de infecção pelo HIV em dois grupos de crianças, e avaliaram e compararam a segurança e a tolerância da nevirapina nos recém-nascidos.
A análise preliminar dos dados do estudo revelou que 2,4 % das crianças que receberam seis semanas de nevirapina tinham adquirido o HIV através da amamentação até os 6 meses de idade, mas apenas 1,1 % das crianças que receberam nevirapina durante seis meses tinham adquirido o HIV através da amamentação nesse tempo, uma diferença de 54 %.
Após a suspensão do esquema preventivo com nevirapina foi suspenso durante seis meses, no entanto, a taxa de transmissão do HIV através da amamentação foi posteriormente a mesmo se as crianças receberam a nevirapina diariamente por seis semanas ou seis meses.
O percentual de crianças que sofreram graves problemas de saúde foi praticamente o mesmo em ambos os grupos (17 % no grupo de seis semanas e 19 % no grupo de seis meses). A grande maioria desses problemas eram doenças infecciosas não associados com nevirapina, tais como malária, diarreia ou pneumonia. Apenas 5 % das crianças em cada grupo teve problema de saúde que necessitou de interromper temporariamente o uso diário da nevirapina.
Influência do tratamento materno
Além disso, a equipe do estudo analisou o impacto da saúde e do tratamento antirretroviral da mãe sobre o benefício da nevirapina diária a crianças amamentadas por seis meses em vez de seis semanas.
Um grupo de pesquisadores avaliou os recém-nascidos de mães que tinham uma contagem de células T de pelo menos 350 células por milímetro cúbico de sangue, e que, portanto, ainda não necessitam de terapia antirretroviral de acordo com diretrizes da Organização Mundial de Saúde. Nessas crianças, o esquema com seis meses de nevirapina cortaram a transmissão do HIV através do leite materno em 75 % em relação ao regime de seis semanas.
Em filhos recém-nascidos de mulheres com uma contagem de células T inferior a 350 células por milímetro cúbico que receberam a terapia antirretroviral para sua própria saúde, a transmissão do vírus aos bebês através do leite materno foi zero ou quase zero, independentemente da duração do tratamento infantil com nevirapina.
A transmissão do HIV através do leite materno ocorreu em taxas mais elevadas entre crianças nascidas de mães que tinham uma contagem de células T inferior a 350 células por milímetro cúbico, mas não receberam terapia antirretroviral, embora estivessem qualificadas para isso.
Os pesquisadores vão agora realizar a análise final dos dados do estudo HPTN 046 após todas as crianças completarem 18 meses de seguimento.
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Violência contra crianças portadoras do HIV

Profissionais de saúde que acompanham crianças e adolescentes soropositivos volta e meia se deparam com situações de violência sofridas por seus pacientes. Agressões físicas, como abuso sexual e espancamentos, e aquelas decorrentes de atos de negligência, abandono, preconceito e discriminação, infelizmente, são comuns. Nas unidades de saúde que atendem crianças portadoras do HIV, o descaso com a saúde e com o tratamento têm sido observados com uma certa freqüência.
Como atuar diante de situações como estas? Quando acionar o Conselho Tutelar ou o Juizado? Qual deve ser o limite da atuação dos profissionais de saúde?
CONVERSAR COM PAIS E CUIDADORES É O PRIMEIRO PASSO
Casos tão recorrentes de cuidadores que não cuidam da forma correta, deixando de dar os remédios e de levar as crianças às consultas médicas e aos exames, são considerados uma forma de preconceito e de dificuldade por parte do cuidador em lidar com a doença. Para enfrentar essa situação, Virgínia Morais, assistente social do Projeto Criança = Vida, desenvolvido pela ONG Pela Vidda Niterói na pediatria do Hospital Municipal Carlos Tortely, considera importante que os profissionais tentem criar um vínculo com a família da criança e entendam o contexto em que ela vive. “É fundamental conhecer as dificuldades que impedem o tratamento ou que geram conflitos, e ajudar as famílias a superá-las. Na maioria das vezes, são problemas financeiros ou de aceitação da doença”, explica Virgínia.
Elizabete Franco, professora da Escola de Artes e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo e coordenadora do Projeto Viver Criança e Adolescente do Grupo de Incentivo à Vida (GIV), concorda com a importância do aconselhamento junto à família do paciente e acrescenta: “Precisamos ficar atentos para que o aconselhamento não seja um processo de moralização da família. Os profissionais devem rever os seus próprios preconceitos e olhar o cuidador como um aliado. Às vezes, ele também está precisando de cuidado e não consegue dar à criança a atenção necessária”.
Segundo ela, o processo de aconselhamento deve ser um trabalho de equipe e precisa ser efetivo, consistente e refletido e, caso essa medida não dê um retorno eficiente, o Conselho Tutelar deve ser acionado para acompanhar a família.
PARCERIA COM O CONSELHO TUTELAR
“O Estatuto da Criança e do Adolescente diz que os profissionais que cuidam de menores podem ser responsabilizados quando estão diante de uma situação de grande desrespeito e não fazem o encaminhamento jurídico necessário”, explica a assistente social Virgínia Morais. Nessas horas, uma boa parceria entre a equipe de saúde e o Conselho Tutelar pode fazer diferença. Antes de acionar o Juizado de Menores, responsável pela decisão final de abrigar a criança numa instituição, os Conselhos Tutelares buscam resolver o problema pelo diálogo com os pais ou cuidadores.
A coordenadora do ambulatório de pediatria do Hospital Municipal Carlos
Tortely, a médica Silvia Guasti, afirma que não há regras quando se trabalha com o ser humano: “As instituições, muitas vezes, podem estar mais bem preparadas do que a família para cuidar daquela criança. Mas há casos em que o vínculo da criança com os pais, avós ou cuidadores é tão forte que a questão emocional deve ser muito bem examinada”, diz a médica, lembrando que a demora, no entanto, pode significar a perda do paciente.
“Certa vez, tentamos sensibilizar um tio que se recusava a tratar o sobrinho. Quando já estávamos buscando a ajuda do Conselho Tutelar, a criança não resistiu e morreu”, conta.
JUIZADO DA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
A advogada Patrícia Diez Rios, da ONG Pela Vidda Niterói, diz que, quando há violência sexual ou abandono irreversível da criança pela família ou cuidadores, colocando em risco a vida do menor, os profissionais de saúde devem informar não apenas ao Conselho Tutelar, mas também ao Juizado da Infância e da Adolescência e ao Ministério Público.
“Os profissionais de saúde, muitas vezes, temem violar um preceito básico do tratamento médico que é o sigilo, mas, em casos como esses, a denúncia passa a ser um dever legal perante a justiça”, afirma.
A advogada recomenda que os profissionais de saúde mantenham o prontuário da criança sempre muito atualizado. “Um prontuário bem narrativo sobre a situação e as consultas, não apenas com informações médicas, mas de toda a equipe multidisciplinar, como assistentes sociais, enfermeiros e psicólogos, protege os profissionais que denunciarem os maus tratos e ajuda a justiça numa eventual ação de proteção daquela criança”, sugere.
O diálogo seguido de uma eventual denúncia cabe também às mulheres grávidas que se recusam a tomar a medicação.
“A legislação brasileira protege o feto que está para nascer”, observa Patrícia Rios. “Apesar de ser legalmente possível obrigar uma mãe soropositiva a se medicar, na prática isso se torna quase impossível. Portanto, a sensibilização, nesses casos, é a melhor alternativa”, recomenda a advogada.
Patrícia reconhece que, muitas vezes, cuidar de uma criança soropositiva pode ser problemático, principalmente para aquelas famílias que vivem em situação de extrema pobreza.
“Para isso, há o benefício da prestação continuada (Art.203 da Constituição Federal), que garante um salário mínimo à criança. Mas, além de difícil concessão, só as crianças que vivem em famílias com renda per capita inferior a 1/4 do salário mínimo podem ser beneficiadas”, conclui
Recém-nascido de mãe infectada pelo HIV

Acompanhaemnto clíncio e laboratorial
Nos últimos anos, a detecção precoce do HIV em gestantes tem recebido um alto investimento por parte do governo, que busca aprimorar suas ações de controle da epidemia e evitar o surgimento de novos casos de aids infantil.
CUIDADOS PARA EVITAR A TRANSMISSÃO DO HIV
Para tentar impedir a transmissão do HIV da mãe para filho, os cuidados começam durante o período intra-uterino, quando a gestante soropositiva deve seguir um esquema anti-retroviral adequado para o seu caso. Após o parto, o recém-nascido receberá a quimioprofilaxia com zidovudina – com início, de preferência, entre as duas e oito primeiras horas de vida – até completar seis semanas. No caso da mãe não ter recebido acompanhamento especializado e tratamento anti-retroviral durante a gestação, o início da zidovudina para o recém-nascido deve ser o mais precoce possível.
De acordo com as Recomendações para Terapia Anti-Retroviral em Crianças Infectadas pelo HIV publicado pelo Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde, em 2006, não há comprovação do benefício desta quimioprofilaxia, se iniciada após o bebê completar 48 horas de nascido. A indicação, nesse caso, fica a critério do médico.
O atendimento das crianças nascidas de mães infectadas pelo HIV é realizado em unidades especializadas até, pelo menos, a definição de seu diagnóstico. O ideal seria que mesmo as crianças não-infectadas fizessem visitas periódicas às unidades especializadas até o final da adolescência, em virtude de terem sido expostas não só ao HIV, mas, também, a drogas antiretrovirais.
Essa preocupação reside no fato de não se conhecerem as possíveis repercussões da exposição a tais medicamentos a médio e longo prazo. Infelizmente, esta não é a realidade das unidades de saúde do Brasil.
PROCEDIMENTOS AO NASCER
Alguns procedimentos especiais com a criança na hora do nascimento
quando a mãe é portadora do HIV:
• Imediatamente após o parto, lavar o recém-nascido com água e sabão, evitando contato com o sangue materno e procedimentos invasivos.
• Aspirar delicadamente, se necessário, as vias aéreas do recém-nascido,
evitando traumatismo em mucosas.
• Devido à possibilidade de ocorrência de anemia no recém-nascido em
uso de zidovudina, recomenda-se a realização de hemograma completo da criança no início do tratamento, e após 6 e 12 semanas.
• Assegurar que, ao ter alta da maternidade, o recém-nascido tenha consulta agendada em serviço de referência.
• O aleitamento materno é contra-indicado no caso de criança nascida de mãe infectada pelo HIV, pois pode servir como vetor de transmissão do vírus. O fornecimento contínuo de fórmula láctea deverá ser assegurado por no mínimo 12 meses.
Segundo a agência Unaids, da ONU, a cada ano, mais de 300.000 crianças no mundo são infectadas pelo HIV depois do nascimento.
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
O exame de sorologia anti-HIV da criança nascida de mãe soropositiva pode resultar positivo até os 18 meses, pois até essa idade ela possui em seu sangue os anticorpos contra o vírus. Nesse caso, o diagnóstico laboratorial da infecção pelo HIV deve ser realizado através da quantificação do RNA viral (carga viral). Recomendase a realização do primeiro exame com um mês de vida. Em caso de carga viral detectável, o exame deve ser repetido logo em seguida para confirmação do diagnóstico. Caso o resultado seja indetectável, o exame deverá ser repetido aos 4 meses de vida. Permanecendo indetectável, a criança provavelmente não está infectada pelo HIV, mas deverá continuar em seguimento clínico e laboratorial até os 18 meses de vida, quando então deverá ser solicitada a sorologia anti-HIV.
VACINAÇÃO DE CRIANÇAS NASCIDAS DE MÃES SOROPOSITIVAS PARA O HIV
Crianças infectadas pelo HIV são mais suscetíveis a infecções como tuberculose e hepatite B, portanto, as vacinas contra a tuberculose (BCG-ID) e contra o vírus da hepatite B deverão ser dadas logo após o nascimento. Segundo a imunologista do Hospital Universitário Gaffrée Guinle, do Rio de Janeiro, Norma Rubini: “como a definição do diagnóstico da infecção pelo HIV ocorre ao longo do primeiro ano de vida, as crianças com exposição vertical ao HIV devem seguir um calendário de imunizações que inclui as vacinas de rotina, com algumas modificações, e vacinas especiais indicadas para pacientes com imunodepressão”.
Para os bebês menores de 1 ano de idade, com suspeita clínica de infecção pelo HIV ou que tenham o diagnóstico definitivo de infecção pelo HIV, recomenda-se não prescrever a vacina Sabin contra a poliomielite. A alternativa é a Salk (elaborada com vírus inativado), que pode ser encontrada em Centros de Referência Imunobiológicos Especiais.
Cartilha ensina como falar de AIDS com crianças

4 de outubro de 2010
Após sete anos de pesquisa com crianças soropositivas contaminadas na gestação, o governo do Estado de São Paulo lança cartilha que ensina a melhor forma de falar aos pacientes infantis sobre o vírus HIV/AIDS.
O manual orienta qual o melhor momento de contar à criança que ela é portadora do vírus e como isso pode ser feito. Ele propõe um “jogo do diagnóstico”. Com o auxílio de bonecos, é contada uma história em que é revelado o diagnóstico.
Atualmente, no Estado de São Paulo, 78% dos menores de 13 anos que convivem com o HIV foram expostos ao vírus da aids na gravidez da mãe ou na amamentação. Entretanto, o acesso ao pré-natal e o tratamento de gestantes soropositivas com o coquetel antirretroviral reduziu as infecções em 90% entre 1996 e 2008.
A publicação será distribuída agora nos serviços de saúde do Estado especializados no atendimento a pacientes soropositivos.
A HISTÓRIA
“Esta é uma criança que tem um vírus, bem pequenino, que mora no seu sangue e que se chama HIV. Ele é tão pequeno, tão pequeno, que não podemos enxergar, seria necessário um microscópio de verdade para que ele ficasse grande. Se ele pudesse ser visto ficaria mais ou menos assim… Bonitinho, né? (mostrar as bolinhas) Rsrsrsrs.
No sangue da criança que tem HIV e no de outras pessoas que não tem o vírus, também moram muitos soldadinhos que defendem o organismo contra doenças (nesse momento é importante saber quais são as doenças e infecções conhecidas pela criança). Esses soldadinhos não deixam que as doenças como tuberculose, pneumonia, dor de ouvido entrem no corpinho da criança.
Sabe o que esse vírus danado faz com os soldadinhos? Ele faz uma bagunça e é tão arteiro que vai deixando os soldadinhos bem fracos até que eles fiquem todos desmaiados. Sem soldadinhos para defender o corpo da criança, as doenças fazem a festa e a criança fica doente…
E sabe como devemos fazer para arrumar essa bagunça que o vírus fez no corpinho da criança? Tomar remédios… Os remédios assustam os vírus, e eles saem correndo e acabam morrendo de medo… Os remédios também acordam os soldadinhos desmaiados e deixam-nos bem fortes de novo. Estando fortes eles voltam a defender a criança de outras doenças…
Esse remédio é muito bom, mata muitos, mas sempre fica um ou outro. Mas é que ainda não tem um remédio que mate todos os vírus HIV… Fica sempre um ou outro escondidinho… Então você tem que deixar seus soldadinhos fortes tomando os remédios, comendo bem, dormindo, brincando bastante e ficando feliz para quando chegar o dia em que os cientistas encontrem um remédio que mate todos os vírus e também este… Danado que ficou escondido!”
COMO CONTAR PARA A CRIANÇA

Entre as muitas perguntas da infância, uma exige explicação para o resto da vida. É quando a criança soropositiva lança: “Que doença eu tenho?”, cita o médico infectologista Robério Dias Leite. O diretor clínico do Hospital São José de Doenças Infecciosas (HSJ) convive, desde 1992, com os questionamentos sobre a aids.
E a resposta a essa pergunta-chave, sublinha o também professor da faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará, é uma das mais difíceis de arquitetar: “Você acaba dando uma explicação mais vaga, que tem uma doença que precisa tomar medicamento. Há um tempo para explicar isso”.
A história da aids para as crianças tem vários capítulos e diversos contadores. É uma narrativa que desafia os adultos a dizer sobre os limites da vida a quem tem o viver pela frente. Uma equipe multidisciplinar deve se juntar à família da criança para revelar o diagnóstico. A psicologia se torna um dos amparos nos “altos e baixos” desse caminho.
Ao longo do processo, são enfrentados “vários medos”, aponta Luciana de Souza Rodrigues, psicóloga da Casa de Apoio Sol Nascente – um recanto para crianças que têm vínculo com a aids. “O medo da morte, das injeções, da hospitalização. De todas as fantasias que pairam ao redor (da doença)”, completa.
A revelação na infância é fundamental para a adesão ao tratamento e a convivência responsável com a aids na adolescência (leia-se também no início da vida sexual) e na idade adulta, concordam especialistas. “Contribui para a tomada de consciência, de saber qual seu espaço, de não ser alheio ao que tem”, sintetiza Luciana Rodrigues.
Mas uma pergunta puxa outras, no novelo das curiosidades infantis: qual a melhor idade para falar sobre a aids? E, principalmente, como falar? Para começo de conversa, indica a psicóloga da Casa Sol Nascente, dos 5 aos 7 anos (quando a cognição já se desenvolve) é um ponto de partida. Nessa idade, as crianças iniciam ainda o entendimento sobre alguns cuidados consigo mesmas – evitar cortes, por exemplo.
“É questão de bom senso também. Você não vai falar coisas que ela não vai poder entender”, orienta Luciana. “A ‘revelação’ é iniciada a partir do momento em que a criança começa a perguntar e, geralmente, essas indagações têm a ver com suas idas frequentes ao hospital”, dialoga a psicóloga Terezinha de Andrade Guimarães, mestre em Saúde Pública (Universidade Estadual do Ceará).
Para Terezinha, as crianças têm uma percepção do mundo em redor, muitas vezes, subestimada. Mesmo silenciosa e secreta no cotidiano dos adultos, a aids não passa despercebida pela imaginação infantil. “Quando a criança frequenta o hospital, ouve ou vê sinais de que ali é um lugar para crianças que precisam tratar-se de algo. A partir daí, começa a construir suas próprias hipóteses”, atenta a psicóloga.
Terezinha sabe que as crianças vão direto ao assunto. “Já aconteceu de uma criança perguntar se tinha o (vírus) HIV e sobre o uso da medicação”, destaca. “Ela precisava checar a informação que tinha recebido de sua médica e me trouxe uma lista de perguntas. Volto a lembrar que a parceria entre os profissionais de saúde é fundamental para a revelação do diagnóstico ser bem sucedida”, soma. A propósito, ficou uma questão pendente: como falar de aids para as crianças? É o próximo capítulo desta história.
Por quê
ENTENDA A NOTÍCIA
Nos últimos cinco anos, a aids se vulgariza entre mulheres na idade reprodutiva. A transmissão vertical (de mãe para %uFB01 lho) do vírus HIV tem gerado aumento dos casos de aids na infância. Contar sobre a doença às crianças é essencial para o tratamento de uma vida inteira. E é um dos desa%uFB01 os no cotidiano dos pro%uFB01 ssionais.
SERVIÇO
Associação dos Voluntários do Hospital São José – rua Caio Prado, 83, Parangaba. Tel: 3492 2939Casa de Apoio Sol Nascente – avenida Alberto Craveiro, 2.222, Castelão (Condomínio Espiritual Uirapuru). Tel: 3469 4437Psicóloga Terezinha Guimarães – terezinha_guimaraes@hotmail.com.
Ana Mary C. Cavalcante
anamary@opovo.com.br
História da Aids para as crianças

É preciso que a revelação sobre o vírus seja feita ainda na infância. Existe indicação de uma idade ideal, mas o bom senso dos pais é fundamentalContar a uma criança que ela tem Aids é tarefa complicada.Especialistas concordam, porém, que a revelação na infância é fundamental para a adesão ao tratamento e a convivência responsável com a doença na adolescência e na idade adulta. A idade entre 5 e 7 anos, quando a cognição já se desenvolve, é um bom ponto de partida para que os esclarecimentos aconteçam. É nessa idade que meninos e meninas iniciam o entendimento sobre alguns cuidados pessoais. Porém, o bom senso da família é fundamental. A psicóloga de uma casa de apoio para crianças com Aids, Luciana de Souza Rodrigues, explica que a revelação pode ser iniciada a partir do momento em que a criança começa a perguntar e, geralmente, essas indagações têm a ver com suas idas frequentes ao hospital.[O Povo (CE) – 27/11/2010]
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