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Gene de macaco pode proteger contra Aids













Descoberta pode ajudar os cientistas na corrida por uma vacina contra o HIV
Algumas espécies de macacos têm um gene que pode ajudar a ciência a criar uma vacina contra o Vírus da Imunodeficiência em Símios (VIS) - uma situação que, por sua vez, contribuiria para o desenvolvimento de imunizantes contra a AIDS em humanos, sugere um estudo divulgado nesta quarta-feira.
Cientistas vacinaram um grande grupo de macacos rhesus e, depois, os expuseram ao VIS durante duas semanas. A metade foi infectada, mas a outra metade, não.
Os que resistiram à infecção tinham mais probabilidades de ter um determinado gene, identificado como TRIM5.
A descoberta pode ajudar os cientistas na corrida por uma vacina contra o HIV, anunciou o coordenador do estudo, Norman Letvin.
"Isto nos diz (...) que provavelmente haja entre os humanos genes a serem encontrados em algumas pessoas, mas não em outras, que podem ajudar na proteção do organismo", disse Letvin, professor da Escola de Medicina de Harvard.
O estudo foi publicado na revista Science Translational Medicine.

Vacina anti-HIV: mito ou realidade?














Protocolos

Há pelo menos duas décadas, a busca de uma vacina para a Aids é um dos grandes objetivos da biomedicina. Até agora, muito esforço foi feito, mas o avanço ainda é lento.

Mariza Morgado, chefe do Laboratório de Aids e Imunologia Molecular do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), discutiu os desafios no desenvolvimento de uma vacina anti-HIV durante o Simpósio França Brasil, realizado na sede da Fiocruz.

A pesquisadora traçou uma retrospectiva dos protocolos em andamento na comunidade científica internacional para elaboração de uma vacina. Atualmente, existem mais de 50 protocolos em curso, mas a maioria ainda no estágio inicial do processo, no qual é verificada a segurança do protótipo.

Um número menor atingiu, ao longo de duas décadas, a fase dois de estudos, quando é verificado se o produto induz a uma resposta imune.

Apenas três projetos alcançaram a fase seguinte (IIb e III), que consiste em testes de eficácia: um primeiro na década de 1990 e outro concluído em 2007 (ambos abandonados pela inconsistência dos dados), além de um último com resultados apresentados recentemente, em 2009.

Retrovírus recombinante

Entre as dificuldades encontradas para produção de uma vacina eficaz, Mariza apontou alguns aspectos. O primeiro é que o HIV é um retrovírus, capaz de se integrar ao material genético do hospedeiro, o que impossibilita o uso do vírus atenuado para a produção de vacina.

Outras características são a grande variabilidade e a capacidade de recombinação do vírus, impedindo o sistema imune de montar uma resposta. O fato de não existirem pacientes curados também é outra barreira, pois não permite detectar os agentes de imunidades associados à proteção contra o vírus.

Cautela

Em 23 de setembro de 2009, foi anunciada uma vacina com 30% de eficácia contra o HIV, desenvolvida numa cooperação entre os governos da Tailândia e dos Estados Unidos - veja a reportagem.

O trabalho reuniu um total 16 mil pessoas, divididas em dois grupos, para participar de um protocolo de vacinação com quatro doses. Deste total, foi verificado cerca 30% de proteção. Os resultados oficiais deste protótipo de vacina foram detalhados durante a Conferência de Vacinas da Aids, em Paris.

"É muito difícil manter um protocolo com grande número pessoas e garantir que todos cumpram todo o processo de vacinação. Os cálculos de precisão serão realizados somente após a publicação destes dados e então saberemos qual é a eficácia de fato. Mas esta pesquisa sinaliza uma vantagem no sentido de que foi a primeira vez que se mostrou algum nível de eficácia como este ou, pelo menos, uma diferença no número de infecções entre os indivíduos vacinados e aqueles que receberam placebo. No entanto, não foi observada nenhuma diferença quanto à carga viral plasmática nos dois grupos", avaliou Mariza.

Vacina pós-infecção

A bióloga destaca outro ponto importante no debate sobre uma vacina anti-HIV: os protocolos em curso buscam a não-evolução da doença no indivíduo infectado, já que uma vacina capaz de evitar a infecção, que ocorre por diversas vias, ainda é um objetivo distante de ser alcançado.

"Se o indivíduo tem uma resposta imune capaz de estancar a passagem do vírus para outra célula, isso faz com que o sistema imune fique pouco comprometido. E com isso não se desenvolveria a doença", explicou.

Mapeamento dos tipos brasileiros de HIV

O isolamento do HIV tipo 1, na década de 1980, realizado por pesquisadores do IOC, marcou o ingresso do Brasil no cenário internacional de pesquisa em Aids. O feito alavancou estudos que priorizam o aumento da qualidade de vida dos pacientes que vivem com o vírus.

Parte deste trabalho é desenvolvida no Laboratório de Aids e Imunologia Molecular da Fiocruz, que atua no mapeamento dos vírus circulantes em todo o país, bem como no monitoramento da capacidade dos indivíduos infectados reagirem a antígenos.

"Já identificamos vários subtipos circulantes do HIV nas diversas regiões brasileiras e a variabilidade destes vírus, o que é importante para avaliar a resposta imune dos indivíduos infectados. Numa perspectiva futura, este levantamento poderá gerar subsídios para potencializar a eficácia de uma vacina no país", disse Marilda.

Aids no Brasil

De 1980 a junho de 2008, foram notificados 506.499 casos de Aids no país. Segundo critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil tem uma epidemia concentrada, com taxa de prevalência da infecção pelo HIV de 0,6% na população de 15 a 49 anos. Os índices da doença são crescentes no Norte e Nordeste. Em números absolutos, o Brasil registrou 192.709 óbitos por Aids, de 1980 a 2006.

Cientistas brasileiros querem testar vacina contra o HIV até o final do ano Tags:vacina contra o hiv, vacinas, vacinas contra aids











As pesquisas relacionadas ao HIV, causador da Aids, estão avançando no sentido de desenvolver uma vacina contra o vírus. Em um estudo que conta com a participação da Faculdade de Medicina da USP, pesquisadores criaram um modelo de vacina que atua na resposta imune das células-alvo do HIV e em maior número de partes do vírus, que apresentou características semelhantes a de vacinas altamente protetoras. Os testes com animais estão em andamento e o objetivo é que até o final do ano seja possível verificar se a vacina tem efeito protetor e começar a testá-la em seres humanos.

O professor Edécio Cunha-Neto, que coordena as pesquisas, conta que ainda não existe uma vacina eficaz contra o HIV que possa ser usada em larga escala.

_ Em quase todos os testes, registrou-se baixa cobertura, ou seja, a resposta imune acontecia apenas em uma pequena fração dos pacientes que recebiam a vacina e mesmo nas pessoas imunizadas, o grau de imunidade conseguido era fraco _ diz Neto.

Os estudos procuraram identificar as lacunas das vacinas já testadas e quais características seriam desejáveis para uma imunização mais eficaz.

_ A resposta imune deveria atingir um maior número de partes do HIV, especialmente as partes conservadas, que não sofreram mutações. Essa resposta deve ser ampla em cada indivíduo, mesmo em uma população com características genéticas muito diferentes, que determinam quais partes do vírus serão alvo da resposta imune _ ressalta.

Ao mesmo tempo, verificou-se a necessidade de estimular a resposta imune das células do tipo T-CD4, que são as células-alvo do HIV. Segundo o médico, o paciente infectado fica com um número baixo de T-CD4, o que leva a imunodeficiência. As vacinas já testadas se concentravam em fortalecer as células T-CD8, que destroem o HIV.

_ No entanto, se houver também estímulo ao grupo T-CD4, ele servirá de apoio ao T-CD8, aumentando seu poder defensivo.

Vacina

A partir destas conclusões, partiu-se para um desenho racional de vacina. O professor explica que foram escolhidas partes muito conservadas do HIV para induzir uma resposta imune e por meio de um programa de computador, identificou-se as regiões reconhecidas pelo TCD4, capazes de ser reconhecidos por células T de pessoas com múltiplas constituições genéticas diferentes.

_ Em contato com células do sangue de pacientes infectados pelo HIV, o reconhecimento chegou a 90% dos pacientes, mostrando sua eficácia em ser reconhecido por pessoas com constituições genéticas muito variadas _ conta o especialista.

Embora a vacina tenha apresentado características de vacinas altamente protetoras, como as da varíola e febre amarela, o professor ressalta que ainda não é possível dizer se ela possui efeito protetor.

_ Normalmente os vírus atacam uma única espécie, e o HIV não infecta os animais testados. Para verificar a proteção, serão necessários testes em outros animais que permitam infecção pelo vírus _ diz Neto.

Os testes, que foram realizados em camundongos, serão realizados agora em macacos Rhesus, que são infectados pelo SIV, vírus que originou o HIV, e em camundongos modificados que possuem sistema imune semelhante ao dos seres humanos.

_ Os experimentos estão em andamento e espera-se que até o final do ano se confirme a existência de efeito protetor, permitindo futuros testes em seres humanos _ planeja.

Fonte: Zero



Leia mais: http://www.calendariodevacinas.com.br/cientistas-brasileiros-querem-testar-vacina-contra-o-hiv-ate-o-final-do-ano/#ixzz1KJK6ORYY

Testes da vacina em modelos animais encontram-se em andamento













Um avanço na direção de uma vacina contra o vírus HIV, causador da Aids, acontece em pesquisa com a participação da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). Os pesquisadores criaram um modelo de vacina que atua na resposta imune das células-alvo do HIV e em maior número de partes do vírus, que apresentou características semelhantes a de vacinas altamente protetoras. Os testes com modelos animais, realizados no Instituto de Investigação em Imunologia (iii-INCT), sediado na FMUSP, estão em andamento . O objetivo é que até o final do ano seja possível verificar se a vacina tem efeito protetor, caso em que poderia começar a ser testada em seres humanos.

Testes da vacina em modelos animais encontram-se em andamentoO professor Edécio Cunha-Neto, que coordena as pesquisas, conta que ainda não existe uma vacina eficaz contra o HIV que possa ser usada em larga escala. “Em quase todos os testes, registrou-se baixa cobertura, ou seja, a resposta imune acontecia apenas em uma pequena fração dos pacientes que recebiam a vacina”, diz o professor da FMUSP. Mesmo nas pessoas imunizadas, o grau de imunidade conseguido era fraco. “Em 2007, um estudo demonstrou que as células imunes dos vacinados reconheciam apenas três pequenas partes do HIV,o que era muito pouco para proteção, devido às constantes mutações do vírus.”

Os estudos procuraram identificar as lacunas das vacinas já testadas e quais características seriam desejáveis para uma imunização mais eficaz. “A resposta imune deveria atingir um maior número de partes do HIV, especialmente as partes conservadas, que não sofreram mutações”, ressalta Edécio. "Essa resposta deve ser ampla em cada individuo, mesmo em uma população com características genéticas muito diferentes, que determinam quais partes do virus serão alvo da resposta imune".

Ao mesmo tempo, verificou-se a necessidade de estimular a resposta imune das células do tipo T-CD4, que são as células-alvo do HIV. “O paciente infectado fica com um número baixo de T-CD4, o que leva a imunodeficiência”, diz o professor. As vacinas já testadas se concentravam em fortalecer as células T-CD8, que destroem o HIV. “No entanto, se houver também estímulo ao grupo T-CD4, ele servirá de apoio ao T-CD8, aumentando seu poder defensivo.”

Botucatu vai testar vacina contra HIV













Um passo importante para o combate ao vírus HIV, que ao longo de três décadas de epidemia já vitimou mais de 60 milhões em todo o mundo, terá a colaboração direta do Serviço de Ambulatórios Especializados e Hospital Dia “Domingos Alves Meira”, administrado pela Famesp (Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar).

Além de atuar diretamente no tratamento clínico e social do portador da aids (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida), a unidade foi credenciada para ser um dos polos que integrarão o Plano Brasileiro de Vacina anti-HIV. A participação da unidade vai desde a capacitação de profissionais da área da saúde para a pesquisa e até testes de medicamentos e vacinas em desenvolvimento.

O credenciamento ocorreu após minuciosa análise do Departamento de DST, aids e Hepatites Virais, da Secretaria de Vigilância em Saúde, vinculada ao Ministério da Saúde. Foi verificado como os atuais centros de atendimento a DSTs espalhados pelo país se apresentavam quanto a capacidade material, estrutural e de Recursos Humanos. Nessas três análises, o SAE/HD mostrou-se capacitado em agregar a pesquisa contra o HIV.

Nos próximos meses, uma nova vacina para inibir o agente causador da aids deve entrar em teste em diversas partes do mundo. O Brasil- que possui um dos programas de combate às DSTs/aids- integra o projeto e escolherá nos próximos meses os locais aptos para os testes da vacina.

O desenvolvimento da vacina é da IAVI (Iniciativa Internacional de Vacina contra a aids). Pelo projeto, a nova medicação deve levar anos para se tornar acessível ao público. No entanto, a primeira fase do estudo, que verificou os possíveis efeitos colaterais já foi realizada e parte agora para a segunda etapa, que consiste analisar a eficácia no combate ao vírus, extremamente mutagêneo, conforme explicam especialistas no assunto.

“Essa vacina contra o HIV, que está em desenvolvimento, deve ser testada durante os próximos anos em todo o mundo”, ressalta o médico infectologista do SAE/Hospital Dia Alexandre Naime Barbosa, que deve ser um dos pesquisadores líderes do projeto pela unidade.

Dr. Naime foi um dos 30 escolhidos na América Latina que receberam a atualização, dias 17 e 18 de março em São Paulo, sobre o projeto. O objetivo é transformar médicos, com doutorado e em início de carreira, em líderes e difusores dos métodos de pesquisa aos colaboradores de cada centro escolhido. “O governo brasileiro, em parceria com a IAVI, está fazendo uma rede extensa de centros para essa pesquisa em todas as regiões do país e os resultados são para uma ou duas décadas”, realça.

Para o médico, o credenciamento representa a consolidação da excelência na assistência aos pacientes com HIV, Hepatites B e C e vírus HTLV I e II. “Para a unidade, participar de uma rede como essa pode garantir maior capacidade de estudos, pesquisas secundárias e também captação de recursos”, salienta Dr. Naime.

Unidade realiza mais de 13 mil consultas ao ano

Em seis anos de funcionamento, o SAE/Hospital Dia “Domingos Alves Meira” (foto ao lado) realizou mais de 13 mil consultas. Em sua gama de atuação, a unidade realiza projetos sociais como cursos de informática, palestras sobre DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis) e terapia ocupacional. Assistência a vítimas de acidentes com risco biológico, ferimentos ocupacionais em ambiente hospitalar também integram o quadro de serviços do hospital.

A unidade, mantida pela Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), apresentou em 2010 índice de 1,30% de mortes no total de pacientes atendidos pelo hospital. Em meados da década de 1980, esse número era de quase 100% na relação entre casos registrados e óbitos devido à doença. Letalidade é a quantidade de óbitos relacionados ao número de casos em determinada doença ou epidemia.

Não somente na área assistencial o SAE/HD tem se tornado referência. É um importante palco para pesquisa e aprimoramento profissional em diversas áreas da saúde. Por ano, 340 alunos de Medicina e Enfermagem realizam estágios e programas de residência na unidade.

Há também a colaboração direta de 12 médicos voluntários e de outros profissionais como psicólogos. A unidade também tem em seu quadro de funcionários dentistas, fisioterapeutas e terapeuta ocupacional, além de uma equipe para a área administrativa.

Vacina terapêutica contra o HIV consegue redução significativa da carga viral












Novo procedimento tem como objetivo substituir tratamentos de longa duração com os atuais medicamentos anti-retrovirais


Equipe do Hospital Clinic de Barcelona, Espanha, desenvolveu uma vacina terapêutica contra o vírus da imunodeficiência humana (HIV). Embora a redução da carga viral ainda seja considerada insuficiente, esta é a primeira vacina a obter resposta positiva na maioria dos pacientes.

As vacinas terapêuticas são uma linha de pesquisa prioritárias do HIVACAT, programa catalão para o desenvolvimento de vacinas terapêuticas e de prevenção contra o HIV.

Este tipo de vacina ajuda os pacientes portadores da infecção pelo vírus a combater e controlar o aparecimento da AIDS, da mesma forma que os atuais tratamentos anti-retrovirais. O objetivo final das vacinas terapêuticas é evitar um tratamento de longa duração com medicamentos anti-retrovirais.

A equipe de pesquisa, liderada pelo doutor Josep Maria Gatell, do Hospital Clínic, desenvolveu um modelo da vacina com base em células dendríticas do próprio paciente.

O estudo

Um total de 24 pacientes participaram do estudo clínico duplo-cego, metade dos quais formaram o grupo controle e não receberam a vacina. Nenhum desses pacientes recebeu tratamento anti-retroviral e para entrar no estudo tinham de manter um bom t de carga linfática sangue.

A vacina foi personalizada e produzida a partir de células dendríticas de cada paciente sensibilizado em laboratório contra uma forma inativa de seu próprio vírus. A vacina foi administrada em três doses com um intervalo de duas semanas entre cada uma.

No final de 24 semanas, a maioria dos pacientes tinha experimentado uma diminuição na carga viral. Essa queda foi significativa em alguns deles, mas em nenhum caso o vírus se tornou indetectável. No entanto, esta é uma melhora importante com relação a iniciativas anteriores, que com uma vacina semelhante alcançou uma resposta modesta em 30% dos pacientes tratados.

Nenhuma vacina terapêutica alcançou até agora o mesmo nível de resposta, como neste estudo. Um novo estudo clínico está em andamento para testar a administração da vacina em conjunto com drogas anti-retrovirais para permitir uma melhoria nos resultados.

O estudo foi publicado pelo Journal of Infectious Diseases e contou com a colaboração de pesquisadores da França e dos Estados Unidos.

UMA LUZ NO FIM DO TÚNEL

08/07/2010, essa data com certeza trouxe novas esperanças a milhares de pessoas pelo mundo!

Cientistas anunciaram, nesta quinta feira, a descoberta de dois anticorpos que permitiriam finalmente, a produção da vacina contra o vírus HIV, o terrível vírus causador da AIDS.

Depois de uma década de muita procura e nenhuma descoberta, pesquisadores cientistas americanos enxergam uma “esperança” nas lentes dos microscópios.

Foi analisado o sangue com HIV de 1800 pessoas que vivem em sete países da África Subsaariana, na Tailândia, no Reino Unido e nos Estados Unidos, e foram encontrados dois anticorpos capazes de derrotar o vírus.

São eles o PG-9 e o PG-16, eles atingem a parte do HIV responsável por contaminar as células do corpo humano. O problema é que os dois anticorpos são produzidos por uma minoria de pessoas.

Isso não tira a importância da descoberta, pelo contrário. Segundo os cientistas, agora há um caminho para barrar a pandemia, que esta entre as maiores que o mundo já viu. O objetivo é tentar produzir anticorpos e transformá-los em uma vacina capaz de lutar contra uma doença até então incurável.

A AIDS está entre as doenças mais letais da história. Ela assusta a todos desde a década de 80. São mais de 25 milhões de pessoas que morreram por causa do vírus, e a Organização Mundial da Saúde estima que há cerca de 33 milhões de soro positivos em todo o mundo.

As pessoas esperam que o PG-9 e o PG-16 sejam transformados em uma arma contra a AIDS!!!

Esperamos que os cientistas cheguem a tão esperada vacina.



Leia no oSabeTudo.com: Aids - Uma Luz no Fim do Túnel! Cura do HIV 2010| AIDS-Sintomas | oSabeTudo.com

CIENTISTAS ISOLAM MOLÉCULAS

Cientistas do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos EUA conseguiram isolar as duas moléculas no sangue de um paciente contaminado, que foram batizadas VRC01 e VRC02. Ambas seriam capazes de impedir a disseminação do vírus pelas células do sistema imunológico ao se conectarem com um receptor usado pelo vírus para se juntar a estas células e infectá-las.
- Estou mais otimista em relação à uma vacina contra a Aids hoje do que provavelmente jamais estive nos últimos dez anos - afirmou Gary Nabel, do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, coordenador do estudo.
Um dos principais desafios na criação de uma vacina contra o HIV que funcione em qualquer parte do mundo está no fato de o vírus da Aids, assim como o da gripe, sofrer mutações constantes, como forma de enganar o sistema imunológico. Como consequência, é enorme o número de variantes do HIV em circulação.
Os anticorpos descobertos, no entanto, imitam a forma como as células CD4, do sistema imunológico, se acoplam a uma estrutura que está presente em quase todos os subtipos conhecidos do HIV.
- Os anticorpos se conectam com uma parte virtualmente imutável do vírus e isso explica por que podem neutralizar uma gama tão extraordinária de variantes - explica o médico John R. Mascola, vice-diretor do Centro de Pesquisa de Vacinas do instituto americano e um dos autores do estudo.
Ataque contra 90% dos subtipos do HIV
Segundo os cientistas, os anticorpos impediram em laboratório que mais de 90% de todas as variantes do HIV contaminassem células do sistema imunológico, podendo ser usados tanto na fabricação de uma vacina quanto na criação de novos métodos de tratamento.
Além disso, o método utilizado para isolar os anticorpos poderá ser usado na pesquisa de outras moléculas do tipo que combatam doenças diferentes.
- A descoberta destes anticorpos tão abrangentes e a análise estrutural de como eles funcionam são importantes avanços que vão acelerar nossos esforços para encontrar uma vacina preventiva contra o HIV de uso global. Mas também a técnica usada pela nossa equipe para encontrá-los representa uma nova estratégia que pode ser usada na formulação de vacinas contra muitas outras doenças infecciosas - destacou Anthony S. Fauci, diretor do instituto.
Os pesquisadores encontraram os anticorpos por meio de uma nova marcação molecular desenvolvida pelo próprio instituto que permitiu acharem as células específicas do sistema imunológico que os produzem.
Posteriormente, eles determinaram a estrutura atômica da forma como o VRC01 se conecta com o HIV. Com isso, afirmam, já começaram a desenhar componentes de uma possível vacina que ensine o corpo humano a criar anticorpos similares ao VRC01 e efetivamente previna a contaminação.
Os anticorpos até então desconhecidos foram encontrados em pacientes chamados não-progressores, ou seja, aqueles que, embora estejam infectados pelo vírus, não desenvolvem a doença. Cientistas estudam o sistema imunológico dessas pessoas em busca de pistas para o combate e a prevenção da doença. Aparentemente, no entanto, o organismo só produz tais anticorpos depois da infecção. Ou seja, a doença pode não se desenvolver, mas o vírus está lá. Uma vacina, no entanto, poderia ajudar o organismo a ter uma resposta mais rápida.
- Essa é parte do problema que temos ao lidar com o HIV. Quando a pessoa é infectada, o vírus está sempre à frente do sistema imunológico - explicou Nabel. - O que estamos tentando fazer é uma vacina que chegue antes do vírus.
Mais de 33 milhões estão infectados
Atualmente, mais de 33 milhões de pessoas em todo o mundo convivem com o HIV e pelo menos 2,7 milhões são contaminadas pelo vírus por ano.
E, apesar da expansão do tratamento para nações mais pobres, só uma em cada oito pessoas infectadas tem algum acesso a terapias antirretrovirais, enquanto muitas mais estão expostas devido à falta de medidas preventivas contra sua disseminação, principalmente na África.
Para tentar conter a epidemia e discutir novas alternativas de prevenção e tratamento, como os anticorpos recém descobertos, mais de 20 mil pesquisadores de Aids vão se encontrar no fim deste mês em Viena.
A escolha do local responde a uma nova fronteira de expansão do HIV, já que a capital austríaca é considerada a "porta de entrada" da Europa Oriental. Hoje, a região já tem mais de 1,5 milhão de pessoas contaminadas e a doença se espalha cada vez mais rápido em países como Rússia e Ucrânia, que concentram cerca de 90% dos doentes.

Fonte: O Globo
www.fne.org.br

Vacina anti-HIV com eficácia média reduziria mais de 70% das novas infecções, aponta estudo internacional apoiado pela Fiocruz

Se em 2015 o Brasil já estiver utilizando uma vacina de média eficácia na prevenção do HIV, ou seja, que consiga prevenir 40% dos pacientes imunizados, haveria uma redução de até 73% no número de novas infecções e de 30% dos casos de mortes no período que iria até 2050.

Essas estimativas são apontadas por um estudo do Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (Ipec/Fundação Oswaldo Cruz), em conjunto com o Futures Institute e a International Aids Vaccine Initiative (Iavi), publicado recentemente na revista científica internacional PLoS One.

Segundo o texto divulgado nesta segunda-feira pela Agência Fiocruz de Notícias, os pesquisadoras acreditam que apesar de o desenvolvimento de uma vacina efetiva contra o HIV ainda estar distante, estudos de modelagem são cruciais na preparação de políticas quando um imunizante estiver disponível ou candidatos à vacina estejam em estágios posteriores a ensaios clínicos.

Para analisar o impacto da vacina no futuro da epidemia, os pesquisadores, inicialmente, modelaram a doença no Brasil até 2007 e simularam como esta caminharia até 2050, caso permanecessem estáveis as medidas de prevenção e a cobertura de pacientes em tratamento, mantendo, assim, a prevalência do HIV estável ao longo do período.
Sem qualquer nova intervenção, a projeção indicou mais de 1 milhão de novas infecções e quase 500 mil mortes, de 2010 a 2050. Porém, em um cenário em que as populações de média e alta vulnerabilidade fossem vacinadas com um imunizante 40% eficaz, a medida resultaria na redução de 52% do número de novas infecções e de 21% da quantidade de mortes em decorrência da aids.

“Certamente, uma vacina 70% efetiva aplicada na população em geral resultaria em um impacto mais significativo, interferindo drasticamente na epidemia brasileira pela redução de 92% do número de novas infecções, de 2020 a 2050”, estimam os autores. “Mesmo uma estratégia orientada para a vacinação de populações de médio e alto risco com uma vacina 70% efetiva, ainda assim, iria produzir uma redução de 74% de novas infecções”, acrescentam.

Fonte: Agência de Notícias da Aids














O estudo de duas vacinas preventivas contra o HIV, conduzido pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo por intermédio do Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids, pode estar comprometido por falta de voluntários.
Desde 12 de janeiro, quando o recrutamento de voluntários foi divulgado, 360 pessoas entraram em contato com o CRT. Desse total, cerca de 120 pessoas participaram de palestras informativas na unidade e 55 assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para participar da pesquisa.
Entretanto, somente 14 tinham, efetivamente, o perfil buscado para participar do estudo, dos quais nove não poderão participar em razão de suas condições de saúde e três ainda aguardam resultados de exames. Restam, portanto, 23 vagas.
Qualquer pessoa que tenha entre 18 e 50 anos de idade, more na região metropolitana de São Paulo, tenha boa saúde e que se considere com baixa vulnerabilidade para a infecção, ou seja, acredita que tem poucas chances de entrar em contato com o vírus HIV, pode participar.
Mulheres grávidas ou amamentando não podem participar. Os homens devem ser circuncidados para participar do estudo.
Os voluntários irão passar por avaliação médica, coleta de amostras de sangue e urina e responderão a questionários para conhecer suas práticas sexuais.
Este é o sexto estudo de vacina preventiva contra o HIV conduzido pela Unidade de Pesquisa de Vacinas Anti-HIV do CRT-DST/Aids para a rede internacional de pesquisa de vacinas HIV Vaccine Trials Network (HVTN), sediada nos EUA e composta por instituições líderes em pesquisa em 27 cidades de quatro continentes.
“É importante ressaltar que o HIV não está presente nas vacinas que serão testadas. Elas usam componente sintético, que não apresenta o menor risco de infecção pelo vírus da Aids”, afirma o médico Artur Kalichman, coordenador-adjunto do CRT-DST/Aids e responsável pela Unidade de Pesquisa de Vacinas.
Para se inscrever basta procurar a Unidade de Pesquisa de Vacinas Anti-HIV, pelo telefone 5087-9915, e-mail vacinas@crt.saude.sp.gov.br ou ir pessoalmente ao Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids, da Secretaria, que fica na Rua Santa Cruz, 81, Vila Mariana, Zona Sul da Capital.

Cientistas avançam em desenvolvimento de vacina contra HIV













Testes da vacina em modelos animais encontram-se em andamento

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Um avanço na direção de uma vacina contra o vírus HIV, causador da Aids, acontece em pesquisa com a participação da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). Os pesquisadores criaram um modelo de vacina que atua na resposta imune das células-alvo do HIV e em maior número de partes do vírus, que apresentou características semelhantes a de vacinas altamente protetoras. Os testes com modelos animais, realizados no Instituto de Investigação em Imunologia (iii-INCT), sediado na FMUSP, estão em andamento . O objetivo é que até o final do ano seja possível verificar se a vacina tem efeito protetor, caso em que poderia começar a ser testada em seres humanos.

Testes da vacina em modelos animais encontram-se em andamentoO professor Edécio Cunha-Neto, que coordena as pesquisas, conta que ainda não existe uma vacina eficaz contra o HIV que possa ser usada em larga escala. “Em quase todos os testes, registrou-se baixa cobertura, ou seja, a resposta imune acontecia apenas em uma pequena fração dos pacientes que recebiam a vacina”, diz o professor da FMUSP. Mesmo nas pessoas imunizadas, o grau de imunidade conseguido era fraco. “Em 2007, um estudo demonstrou que as células imunes dos vacinados reconheciam apenas três pequenas partes do HIV,o que era muito pouco para proteção, devido às constantes mutações do vírus.”

Os estudos procuraram identificar as lacunas das vacinas já testadas e quais características seriam desejáveis para uma imunização mais eficaz. “A resposta imune deveria atingir um maior número de partes do HIV, especialmente as partes conservadas, que não sofreram mutações”, ressalta Edécio. "Essa resposta deve ser ampla em cada individuo, mesmo em uma população com características genéticas muito diferentes, que determinam quais partes do virus serão alvo da resposta imune".

Ao mesmo tempo, verificou-se a necessidade de estimular a resposta imune das células do tipo T-CD4, que são as células-alvo do HIV. “O paciente infectado fica com um número baixo de T-CD4, o que leva a imunodeficiência”, diz o professor. As vacinas já testadas se concentravam em fortalecer as células T-CD8, que destroem o HIV. “No entanto, se houver também estímulo ao grupo T-CD4, ele servirá de apoio ao T-CD8, aumentando seu poder defensivo.”


Fonte: Assessoria de Comunicação da Universidade de São Paulo

COMO SÃO FEITAS AS PESQUISAS PARA VACINAS ANTI-HIV












A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e a Faculdade de Medicina da USP estão recrutando voluntários para um estudo sobre vacinas preventivas contra o HIV. A pesquisa será realizada com 100 pessoas, sendo 25 do Brasil; 25 de Lima e 25 de Iquitos, no Peru; e 25 de Lausanne, na Suíça, durante 1 ano.

O estudo, que faz parte da rede internacional HIV Vaccine Trials Network (HVTN), sediada nos EUA, pretende analisar a segurança de duas candidatas à vacina e qual delas é mais eficiente.

O estudo não é feito injetando o vírus nos voluntários e não oferece riscos à saúde. “É importante ressaltar que o HIV não está presente nas vacinas que serão testadas. Elas usam componente sintético, que não apresenta o menor risco de infecção pelo vírus da Aids”, afirma o médico Artur Kalichman, coordenador-adjunto do CRT-DST/Aids e responsável pela Unidade de Pesquisa de Vacinas.

Vários estudos estão em desenvolvimento em todo o mundo na busca por uma vacina preventiva contra o HIV. Em 2009, uma pesquisa tailandesa com 16 mil voluntários durante 5 anos concluiu que a vacina proporcionou uma proteção 31,2% maior em comparação com placebo.




PASSO A PASSO

Para uma vacina ir para os testes em humanos, ela primeiro passa pela fase pré-clinica, onde a substância é aplicada em células humanas fora do corpo e em animais. “Com a tecnologia de engenharia genética é possível criar um rato com sistema imunológico humanizado, igual ao do homem. O teste é feito ainda em macacos e só depois de ser bem sucedido nestas fases é que pode ser aplicado em pessoas”, conta Calazans.

Os estudos em fase 1 avaliam se o produto é seguro, por isso são aplicados em um número pequeno de pessoas, para ter uma menor exposição a riscos. Comprovada a segurança, o estudo passa para a fase da eficácia, com grupo populacional maior, de 3 a 8 mil voluntários.

Como é proibido injetar o vírus para checar se a vacina está funcionando, é preciso um grupo grande de pessoas durante um longo período para comparar o número de infectados do grupo que tomou a vacina para o grupo de controle.

Durante a pesquisa são oferecidos ainda aconselhamentos e camisinhas, o que faz com que o número de casos seja reduzido mesmo no grupo que tomou placebo.

Os voluntários

Para ser voluntário, você precisa ser saudável, não infectado pelo HIV, e não pertencer a nenhum grupo de risco. Calazans destaca que o teste com a candidata à vacina não pode ser tido como uma maneira de prevenir o contágio do HIV, pois a pesquisa ainda está no início.

Por isto, o público-alvo são homens de 18 a 50 anos circuncidados (já que estudos comprovam que a prática reduz a contaminação) e mulheres da mesma idade que não estejam grávidas ou amamentando.

O processo passa por avaliação médica, coleta de amostras de sangue e urina e questionários sobre práticas de exposição ao HIV.

A coordenadora destaca que normalmente os voluntários pertencem a três grandes perfis: os altruístas (pessoas que querem ajudar), jovens estudantes da área de saúde (para conhecer melhor a área) e pessoas com proximidade com pessoas com Aids (que convivem com a doença e querem colaborar com a descoberta da vacina).

AIDS| Vacina Contra a AIDS

















Pesquisadores da Universidade de Harvard, nos EUA, revelam ter encontrado uma região do vírus vulnerável à ação de anticorpos humanos
Max Milliano Melo

Segundo a mitologia grega, Aquiles era um guerreiro protegido pelos deuses. De acordo com a tradição, ele teria sido mergulhado no Rio Estige, o que teria tornado seu corpo inatingível. O herói só foi derrotado quando seus inimigos descobriram seu único ponto fraco: o calcanhar (a única parte do corpo que teria ficado de fora do mergulho no Estige).

Década após década, o vírus HIV tem se comportado como uma espécie de Aquiles. As mais diversas formas de combate à infecção já foram tentadas, sem nunca conseguirem impedir a contaminação pelo vírus causador da AIDS, doença que atinge cerca de 60 milhões de pessoas ao redor do mundo.

Cientistas da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, porém, anunciaram ontem ter descoberto o calcanhar de aquiles do HIV. Segundo os pesquisadores, uma região do vírus conhecida como V3 loop é vulnerável à ação de algumas células do sistema de defesa do organismo. No teste com macacos, 100% dos animais ficaram imunizados depois de ingerirem os anticorpos que agem especificamente nessa região do vírus.

Os pesquisadores suspeitaram que a região poderia ser a chave para o desenvolvimento de uma vacina quando perceberam que, quando o vírus era atacado nesse ponto, não conseguia infectar as células e acabava morrendo.

"Nossos colaboradores tinham isolado um anticorpo que foi capaz de se ligar ao V3 loop e foi aí que começamos nossos primeiros experimentos", conta a pesquisadora de Harvard Ruth Ruprecht, em entrevista ao Correio.

"O anticorpo bloqueou totalmente a replicação do HIV nos testes feitos em células em cultura, o que nos deixou animados para prosseguir a pesquisa", completa a coordenadora do estudo, publicado na edição de abril do periódico especializado PLoS One.

Apesar de ser genericamente chamada apenas de AIDS, a doença possui centenas de variações. As variáveis são agrupadas em subtipos, os chamados clados.

No estudo americano, foi utilizado o subtipo C.

A escolha não foi aleatória. É essa variação da doença a responsável por cerca de 60% dos casos ao redor do mundo, em especial na África subsaariana, onde a doença é endêmica.

"Nós já sabiamos que os anticorpos agiriam no tipo AG, pois essa era a variação da doença que o paciente doador dos anticorpos tinha", conta Ruth.

O desafio dos pesquisadores era descobrir se o mesmo efeito ocorreria em outras variantes da doença, condição essencial para o desenvolvimento de uma vacina que seja completamente segura e mais amplamente eficaz.

O segundo passo foi fazer o estudo com cobaias. Foi escolhida uma espécie de macaco asiático, por sua semelhança genética com os humanos. Os pesquisadores injetaram os anticorpos humanos em metade do grupo de animais. Posteriormente, todos os indivíduos foram submetidos ao vírus HIV.

Entre aqueles que receberam os anticorpos que agem na região V3 loop, nenhum foi infectado pelo vírus, mesmo se tratando de um clado diferente daquele que o anticorpo foi originalmente produzido para combater - nesse caso, o tipo AGH.

Foi a primeira vez que a contaminação pelo vírus foi barrada em testes com animais.

Apesar disso, os pesquisadores recomendam cautela. Um dos problemas encontrados na pesquisa é o baixo período de imunização, pois poucos dias depois das doses de anticorpos os macacos voltaram a ficar desprotegidos contra o HIV. "De qualquer forma, é um grande passo para o desenvolvimento de uma vacina contra a AIDS", opina a pesquisadora americana.

Barreiras

Um dos grandes empecilhos para o desenvolvimento de uma vacina contra o vírus é o caráter mutante da doença.

Basta que uma terapia tente combater o HIV que ele sofre uma espécie de mutação, mantendo-se imune à ação do sistema de defesa humana. Essa é uma das razões para os pesquisadores acreditarem que as terapias que miram especificamente a região V3 loop sejam tão promissoras.

"Essa é uma região que, independentemente das mutações que o vírus venha a sofrer, permanece intacta. Assim, não há a possibilidade de uma modificação na estrutura do HIV tornar uma vacina desse tipo ineficaz", explica Fausto Stauffer, virologista e pesquisador da Universidade de Brasília (UnB).

Outra vantagem apontada por Stauffer para a estratégia que mira essa região do vírus é a sua função no momento que o HIV ataca a célula.

"A V3 loop integra a superfície do vírus e tem uma função importante no processo de ligação do vírus com a célula humana", explica o especialista.

Assim, se o anticorpo age no momento em que a célula está sendo infectada, ele impede sua contaminação sem causar danos ao corpo humano. "É uma estratégia que não tem efeitos colaterais", completa o pesquisador.
O próximo passo da pesquisa de Harvard é justamente criar um método de focalizar as respostas do sistema imunológico do corpo no calcanhar de aquiles do vírus.

O teste em humanos também deve ser demorado. Diferentemente do que foi feito com as células e com os macacos, não é viável expor intencionalmente pessoas ao vírus.

Nesse caso, é preciso usar os anticorpos e monitorar os pacientes durante anos, até obter dados concretos sobre quais foram infectados e quais não.

Quanto tempo isso vai demorar? "Essa é uma questão importante e que, infelizmente, ainda é difícil de responder neste momento", afirma a pesquisadora de Harvard Ruth Ruprecht.

O estudo

Entenda a pesquisa da Universidade de Harvard que encontrou uma região do vírus causador da AIDS vulnerável à ação de anticorpos humanos.

» Os pesquisadores já sabiam que um tipo específico de anticorpo, quando atinge uma região do vírus conhecida com V3 loop, consegue destruí-lo, impedindo a contaminação das células.

» O desafio era saber se o mesmo efeito ocorre quando o anticorpo atinge a região V3 loop de outros tipos de vírus. A imensa quantidade de variantes do vírus é um dos empecilhos para a criação de uma vacina contra a doença.

» O primeiro passo da pesquisa foi a produção de um anticorpo monoclonal, ou seja, um preparado de milhões de anticorpos idênticos retirados de um paciente portador do HIV da variante AG da doença.

» Os pesquisadores aplicaram, em laboratório, esses anticorpos em células expostas ao HIV do tipo C, que responde por 60% dos casos do mundo e para o qual os anticorpos não estavam originalmente preparados para combater.

» O resultado foi positivo: quando os anticorpos atacaram a região V3 loop do vírus, eles conseguiram barrar a contaminação das células, mesmo não se tratando do subtipo AG, o que estavam preparados para combater.

» O passo seguinte foi realizar o mesmo procedimento em cobaias. Um grupo de macacos asiáticos, após receberem doses de anticorpos, foram expostos ao vírus causador da Síndrome da Imunodeficiência Símia, uma variação do HIV que infecta macacos. O vírus possui V3 loops semelhantes aos contidos no HIV humano.

» Nenhum dos macacos que recebeu a dose de anticorpos foi contaminado pela AIDS símia. Os macacos que não receberam os anticorpos, por sua vez, viveram uma situação inversa: todos contraíram o HIV.

fonte: SOROPOSITIVO.ORG -